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domingo, 3 de outubro de 2010

Deus te alcançou! - Parte 2

Na verdade, desde o princípio Deus se deu a conhecer de uma maneira prodigiosa. Quando criou o mundo, Ele proporcionou aos homens um permanente testemunho de si. De fato, desde a mais longínqua estrela do universo até o mais profundo dos oceanos, tudo fala da existência de Deus! Mas não é só isso! Deus manifestou, de maneira toda especial, o mistério de sua pessoa aos nossos primeiros pais (cf. Gn 1,26), convidando-os a uma íntima comunhão com Ele, revestindo-os de uma graça incomparável!

E nem mesmo o pecado foi capaz de interromper essa Revelação de Deus. Apesar de termos perdido sua amizade, Ele não nos abandonou à sentença de morte que merecíamos, mas nos propôs muitas vezes alianças de amor com Ele.

Assim foi nos tempos de Noé (cf. Gn 9, 12-13): a aliança que Deus estabelece com ele e com toda sua descendência marca o início da ação divina para salvar a todos do pecado. Foi assim também com Abraão (cf. Gn 12,3): para unir a humanidade que havia se dispersado, Deus o chama para torná-lo pai desse novo povo. E quando esse povo foi escravizado pelos egípcios, Deus os liberta por meio de Moisés, estabelecendo com ele uma outra aliança no alto do Monte Sinai (cf. Ex 19,5).

Por meio dos profetas, Deus foi formando seu povo na esperança da salvação, na expectativa de uma nova aliança, não mais como as anteriores, mas de uma aliança que fosse eterna, diante da qual pecado algum pudesse romper. Essa aliança definitiva, Deus a estabeleceu quando enviou seu próprio Filho. É isso que lemos na carta aos hebreus: "Depois de ter falado muitas vezes e de muitos modos, por meio dos profetas, aos nossos pais, agora, nesses últimos dias, Deus nos falou por meio de seu Filho" (Hb 1,1-2).


Jesus é, portanto, a expressão máxima da aliança de amor entre Deus e os homens. Ele é a manifestação plena do mistério de Deus. O título dessas nossas postagens é "Deus te alcançou!". Pois bem. Podemos dizer com propriedade que Deus nos alcançou, de verdade, em Jesus! Deus nos encontrou em Jesus! Por isso é que no início do Evangelho de João, nós recordamos: "a Palavra de Deus se fez homem e veio habitar no meio de nós!" (Jo 1,14).

Já agradeceu a Deus por isso, hoje? Mãos à obra...

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Solenidade da Epifania do Senhor - Ano B - 2009

Evangelho (Mateus 2,1-12)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!

1 Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, 2 perguntando: "Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo". 3 Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém. 4 Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. 5 Eles responderam: "Em Belém, na Judéia, pois assim foi escrito pelo profeta: 6 E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo". 7 Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. 8 Depois os enviou a Belém, dizendo: "Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo". 9 Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. 10 Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. 11 Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. 12 Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!


O tempo litúrgico do Natal é marcado por três solenidades que estão ligadas entre si pelo mistério que desejam celebrar: a encarnação do Filho de Deus. Deus entra na história da humanidade (Natal do Senhor) por meio de uma Virgem (Mãe de Deus) e manifesta-se como Salvador de todo o gênero humano (Epifania do Senhor).

A Solenidade da Epifania - palavra grega que significa "manifestação" - deseja celebrar a universalidade da salvação do Senhor. Que isso significa? Implica dizer que Jesus veio para salvar a todo o gênero humano, independentemente da religião professada!

No trecho do Evangelho desse Domingo, acompanhamos a história de pessoas que vieram de terras distantes para adorar o recém-nascido. Adorar significar reconhecer sua divindade, admitir que Ele é Deus! E quem eram essas pessoas? Eram magos. Isso mesmo! Eram pessoas - astrólogos e feiticeiros - que não professavam a mesma fé de Israel. No entanto, os presentes que oferecem ao menino revelam aquilo que pensavam dele: admitiam a realeza daquela criança (ouro), professavam a sua divindade (incenso) e o reconheciam como ser humano (mirra, que significa perfume).

A Solenidade da Epifania do Senhor nos ensina um importante ponto da doutrina católica: a Igreja não rejeita o que é verdadeiro e santo em todas as religiões. Ela considera suas práticas, maneiras de viver, normas e doutrinas como reflexo da verdade de Deus que ilumina todos os seres humanos. Sim, existem reflexos de Deus em toda busca religiosa sincera! Mas, por outro lado, a Igreja possui o dever de seguir anunciando a Cristo como único "caminho, verdade e vida" ( Jo 14,16) em quem todos, sem exceção, são chamados a encontrar a plenitude da própria prática religiosa.

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.