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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Aspirei o teu perfume e te desejei



"Tarde te amei, Beleza tão antiga e tão nova,

tarde demais eu te amei...!

Tu estavas dentro de mim e eu te buscava do lado de fora.
Eu, disforme, buscava as belas formas das tuas criaturas.
Estavas comigo, mas eu não estava contigo.

Mantinham-me amarrado, longe de ti, as tuas criaturas
que, se não fossem sustentadas por ti, deixariam de existir.

Tu me chamaste e teu grito rompeu minha surdez.
Brilhaste e resplandeceste diante de mim,
e a tua luz dissipou minha cegueira.

Exalaste a tua fragância, aspirei o teu perfume e te desejei.
Saboreei-te, e agora tenho fome e sede de ti.
Tocaste-me e agora estou ardendo no desejo de tua paz."

(Santo Agostinho)


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Um amigo de Deus [15.10]

Santa Teresa D'Ávila, virgem e doutora da Igreja

Nasceu na cidade de Ávila, na Espanha, no ano de 1515. Tendo entrado na Ordem das Carmelitas, teve grandes revelações místicas e fez imenso progresso no caminho da perfeição cristã. Dedicada à reforma de sua Ordem, teve que enfrentar muitas tribulações, mas tudo venceu com uma coragem inabalável. Escreveu também livros de profunda doutrina, todos frutos de suas experiências místicas. Morreu em Alba de Tormes (Salamanca) aos 04 de outubro de 1582. Paulo VI, aos 27 de setembro de 1970, a conferiu o título de doutora da Igreja.



Ó Deus, que por meio do vosso Espírito, suscitastes na Igreja Santa Teresa D'Ávila para indicar um novo caminho de perfeição, concedei a nós, vossos fiéis, de nutrir-se espiritualmente de sua doutrina e de ser inflamados por um vivo desejo de santidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

domingo, 11 de outubro de 2009

Seguir Jesus requer nadar contra a maré! - Parte 2

Caro amigo,

Nesse domingo (11/10), o Papa Bento XVI voltou a falar que seguir Jesus requer saber nadar contra a maré. Exatamente há um mês atrás ele utilizava a mesma expressão aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro (cf. também postagem do dia 11/09). Dessa vez, o discurso se dirigiu aos fiéis reunidos para a canonização de cinco novos santos para a Igreja.

Penso que esta seja a grande graça que precisamos aprender a pedir a Deus em nosso dias. De modo especial, os jovens precisam ser agraciados com a coragem de testemunhar seu amor pelo Senhor, mesmo em situações onde isso implique ser "diferente" dos demais!

Abaixo, segue notícia extraída de um site da internet. Apesar do site não ser de origem confessional, muito me alegrou o modo como noticiaram o evento.

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.



Papa Bento XVI canoniza cinco novos santos

CIDADE DO VATICANO, 11 OUT (ANSA) - O papa Bento XVI canonizou neste domingo cinco novos santos católicos em uma cerimônia realizada na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

São eles o polonês Zygmunt Szczesny Felinski, fundador da Congregação das Irmãs Franciscanas da Família de Maria; a francesa Marie de la Croix, criadora da Congregação das Irmãzinhas dos Pobres; o padre belga Jozef Damian de Veuster, que dedicou sua vida à assistência de pessoas com hanseníase no Havaí; e os espanhóis Rafael Arnaiz Baron, religioso da ordem trapista, considerado um dos grandes místicos do século XX, e Francisco Coll y Guitart, fundador da Congregação das Irmãs Dominicanas da Anunciação de Nossa Senhora.

A Eucaristia foi celebrada por nove arcebispos, 14 bispos e 20 sacerdotes. Bento XVI mencionou os exemplos de vida de todos os beatos, dando ênfase a seus feitos em favor do próximo e pelo amor a Deus. A perfeição dos santos, disse o Papa, "na lógica da fé às vezes humanamente incompreensível, não consiste em colocar a si mesmo no centro, mas em optar por andar contra a corrente, vivendo segundo o Evangelho". "Estas pessoas mantiveram um sincero desejo de alcançar a vida eterna conduzindo uma honesta e virtuosa vida terrena", complementou.

Cerca de 50 mil fiéis acompanharam a missa, que foi assistida também por autoridades dos países de origem dos novos santos. Estiveram presentes o rei belga, Alberto II, e a rainha Paola, o presidente da Polônia, Lech Kaczynski, o primeiro-ministro francês, François Fillon, e o chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos. Em nome do governo dos Estados Unidos, nação à qual pertence o Havaí, participaram o embaixador junto à Santa Sé, Miguel Umberto Diaz, e o senador havaiano Daniel Kahikina Akaka.

Após a cerimônia, já durante o Angelus, Bento XVI saudou a presença de um grupo de pessoas que sobreviveram aos ataques de Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. O Papa orou para que "o mundo nunca mais assista a semelhantes destruições massivas de vidas humanas inocentes".

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Um amigo de Deus [01.10]

Santa Teresinha do Menino Jesus, Doutora da Igreja

Nasceu em Alençon (França) no ano de 1873. Entrou ainda muito jovem no mosteiro das Carmelitas de Lisieux e exercitou-se de modo singular na humildade, na simplicidade evangélica e confiança em Deus, virtudes que também procurou inculcar especialmente nas noviças do seu mosteiro. Morreu a 30 de setembro de 1897, oferecendo a sua vida pela salvação das almas e pela Igreja. O Papa Pio XI, em 1927, a declarou Patrona Universal das Missões Católicas. Em 1997, João Paulo II a proclamou Doutora da Igreja.


Ó Deus, que preparais o vosso reino para os pequenos e humildades, dai-nos seguir confiantes o caminho de Santa Teresinha, para que, por sua intercessão, nos seja revelada a vossa glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.


___________________________________________

1) Mais sobre Teresinha e fotos de sua terra natal? Procure no arquivo desse blog (coluna ao lado) a postagem de 25.02.2009, intitulada "França - Conclusão";

2) Quer ler um fragmento de um importante escrito dela? Procure no arquivo desse blog (coluna ao lado) a postagem de 01.10.2008, intitulada "Um amigo de Deus [01.10.2008]"

3) Quer acompanhar as reflexões da novena a Santa Teresinha? Acesse http://www.paroquiasantateresinha.com.br/novena2009 Lá você também escutará minha homilia [27.09 - Tema: Santa Teresinha, uma palavra de Deus]

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Um amigo de Deus [30.09]

São Jerônimo, Presbítero e Doutor da Igreja

Nasceu em Estridão (Dalmácia) cerca do ano 340. Estudou em Roma e aí foi batizado. Tendo abraçado a vida ascética, partiu para o Oriente e foi ordenado sacerdote. Regressou a Roma e foi secretário do papa Dâmaso. Nesta época começou a revisão das traduções da Sagrada Escritura para o latim e promoveu a vida monástica. Mais tarde, estabeleceu-se em Belém, onde continuou a tomar parte muito ativa nos problemas e necessidades da Igreja. Escreveu muitas obras, principalmente comentários à Sagrada Escritura. Morreu em Belém no ano 420.



Ó Deus, que destes ao presbítero São Jerônimo profundo amor pela Sagrada Escritura, concedei ao vosso povo alimentar-se cada vez mais da vossa palavra e nela encontrar a fonte da vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho na unidade do Espírito Santo. Amém.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Audiência Geral com o Papa [16.09.2009]

Caros amigos,

Nessa manhã, em audiência geral aos peregrinos no Vaticano, o Papa Bento XVI continuou sua série de catequeses, nas quais tem apresentado figuras muito importantes da história da Igreja. Hoje foi a vez de Simão, o Novo Teólogo. Creio que seja muito opotuno, nos nossos dias, o que nos ensina esse importante monge do século XI. Por isso, abaixo, segue o discurso do Papa, na íntegra.

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

Bento XVI
Audiência Geral - Sala Paulo VI
Quarta-feira, 16 de setembro de 2009




Simão, o Teólogo

Caros irmãos e irmãs,

Hoje refletiremos sobre a figura de um monge oriental, Simão o Novo Teológo, cujos escritos exerceram uma grande influência na teologia e na espiritualidade do Oriente, em particular no tocante à experiência da união mística com Deus. Simão o Novo Teólogo nasceu em 949 em Galatai, na Paflagônia (Ásia Menor), de nobre família. Ainda jovem, se transferiu para Constantinopla para estudar e entrar para o serviço do Imperador. Porém, se sentiu pouco atraído pela carreira civil que se abria aos seus olhos e, sob influência de iluminações que havia experimentado anteriormente, passou a procurar uma pessoa que o orientasse no momento cheio de dúvidas e de perplexidade que vivia e que o ajudasse a progredir no caminho da união com Deus. Encontrou esta guia espiritual em Simão, o Pio (Eulabes), um simples monge do mosteiro de Studios, em Constantinopla, que lhe deu para ler o tratado Lei Espiritual de Marco, o Monge. Naquele texto, Simão o Novo Teólogo encontrou um ensinamento que muito o impressionou: "Se procuras a cura espiritual, seja atento à tua consciência. Tudo isso que ela te diz, faça e encontrarás aquilo que te é útil". Daquele momento em diante - conta ele mesmo - nunca mais se recolheu sem se perguntar à consciência se havia algo de que o censurar.

Simão entrou para o mosteiro de Studios, onde, porém, suas experiências místicas e a sua extraordinária devoção a seu Pai espiritual lhe causaram dificuldades. Transferiu-se para o pequeno convento de São Mamede, sempre em Constantinopla, do qual, depois de três anos, se torna o superior, o abade. Ali, viveu uma intensa união espiritual com Cristo, fato que lhe conferiu grande autoridade. É interessante notar que lhe foi dado o apelido de "Novo Teólogo", apesar da tradição reservar o título de "Teólogo" a duas personalidades: ao evangelista João e a Gregório de Nazianzo. Sofreu incompreensões e o exílio, mas foi reabilitado pelo Patriarca de Constantinopla, Sérgio II.

Simão o Novo Teólogo passou a última fase de sua existência no mosteiro de Santa Marina, onde escreveu grande parte de suas obras, tornando-se sempre mais célebre pelos seus ensinamentos e por seus milagres. Morreu aos 12 de março de 1022.

O mais conhecido de seus discípulos, Niceta Stetatos, que recolheu e copiou os escritos de Simão, lhes preparou uma edição póstuma, redigindo em seguida uma biografia. A obra de Simão compreende nove volumes (divididos em Capítulos Teológicos, Gnósticos e Práticos), três volumes de Catequese endereçados aos monges, dois volumes de Tratados Teológicos e Éticos e um volume de Hinos. Não devemos esquecer de suas numerosas cartas. Todas essas obras encontram um lugar de relevo na tradição monástica oriental até os nossos dias.

Simão concentra sua reflexão na presença do Espírito Santo nos batizados e na consciência que eles devem ter de tal realidade espiritual. A vida cristã - ele afirma - é comunhão íntima e pessoal com Deus, a graça divina ilumina o coração do fiel e o conduz à visão mística do Senhor. Nesse sentido, Simão o Novo Teólogo insiste no fato de que o verdadeiro conhecimento de Deus não vem dos livros, mas da experiência interior, da vida espiritual. O conhecimento de Deus nasce do caminho de purificação interior que tem início com a conversão do coração, graças à força da fé e do amor; passa por um profundo arrependimento e dor sincera pelos próprios pecados, para chegar à união com Cristo, fonte de alegria e de paz, invadida pela luz da sua presença em nós. Para Simão, tal experiência da graça divina não constitui um dom excepcional para alguns místicos, mas é fruto do Batismo na existência de todo o fiel que se impenha seriamente.

Um ponto sobre o qual refletir, caros irmãos e irmãs! Este santo monge oriental convoca todos a uma atenção à vida espiritual, à presença escondida de Deus em nós, à sinceridade da consciência e à purificação, à conversão do coração, assim realmente o Espírito Santo se torna presente em nós e nos guia. Se, de fato, com razão nos preocupamos em cuidar de nosso crescimento físico, humano e intelectual, é ainda mais importante não esquecer do crescimento interior que consiste no conhecimento de Deus, no verdadeiro conhecimento, não apenas tomado dos livros, mas do interior, da comunhão com Deus, para experimentar sua ajuda em cada momento e em toda a circusntância. No fundo, é isso que Simão descreve quando narra a própria experiência mística. Já quando jovem, antes de entrar no mosteiro, enquanto prolongava suas orações em casa, invocando o auxílio de Deus para lutar contra as tentações, viu seu quarto encher de luz. Quando, depois, entrou no mosteiro, lhe ofereceram os livros espirituais para a instrução, mas a leitura deles não lhe trazia a paz que procurava. Se sentia - ele conta - como um pobre passarinho sem asas. Aceitou com humildade aquela situação, sem revoltar-se, e então começaram a se multiplicar de novo as visões de luz. Querendo assegurar-se da autenticidade delas, Simão pediu diretamente a Cristo: 'Senhor, és tu mesmo de verdade que estás aqui?". Sentiu ressoar no coração a resposta afirmativa que o consolou plenamente. "Foi aquela, Senhor - esscreveu logo em seguida - a primeira vez que me julgaste, filho pródigo, digno de escutar a tua voz". No entanto, nem aquela revelação o deixou totalmente em paz. Ele se perguntava, ao invés, se mesmo aquela experiência não poderia ser considerada uma ilusão. Um dia, finalmente, aconteceu um fato fundamental para a sua experiência mística. Ele começou a se sentir como um "pobre que ama os irmãos". Via ao seu redor tantos inimigos que queriam feri-lo e lhe fazer o mal, mas isso provocava nele um intenso amor por todos. Como explicar aquilo? Evidentemente, não podia vir dele mesmo um amor assim, mas deveria vir de uma outra fonte. Simão entendeu que vinha de Cristo presente nele e tudo ficou claro: teve a prova segura de que a fonte do amor nele era a presença de Cristo e que ter em si o amor que vai além de minhas intenções pessoais indica que a fonte do amor está em mim. Assim, se por um lado podemos dizer que sem uma certa abertura ao amor, Cristo não entra em nós, por outro lado, Cristo se torna fonte de amor em nós e nos transforma. Caros amigos, esta experiência como nunca continua sendo importante para nós, hoje, para encontrarmos os critérios que nos indicam se estamos realmente próximos de Deus, se Deus está vivo em nós. O amor de Deus cresce em nós se permanecemos unidos a Ele pela oração e na escuta de sua palavra, com a abertura de coração. Somente o amor de Deus nos faz abrir o coração aos outros e nos torna sensíveis às suas necessidades, fazendo-nos considerar todos como irmãos e irmãs, convidando-nos a responder ao ódio com amor e à ofensa com o perdão.

Refletindo sobre a figura de Simão o Novo Teólogo, podemos salientar um outro elemento de sua espiritualidade. No caminho de vida ascética por ele proposto e vivido, a grande atenção e concentração do monge na experiência interior confere ao Pai espiritual do mosteiro uma importância essencial. O mesmo jovem Simão, como dissemos, tinha encontrado um diretor espiritual que o ajudou muito, pelo qual conservou grandíssima estima, a ponto de reservar-lhe, mesmo depois da morte, uma veneração também pública. Eu gostaria de dizer que pemanece válido para todos - sacerdotes, pessoas consagradas e leigos, e especialmente para os jovens - o convite a recorrer aos conselhos de um bom Pai espiritual, capaz de acompanhar cada um no conhecimento profundo de si mesmo e conduzi-lo à união com o Senhor, de modo que sua existência se conforme sempre mais ao Evangelho. Para ir em direção ao Senhor temos sempre necessidade de ajuda, de diálogo. Não podemos fazê-lo somente com as nossas reflexões. Eis o sentido eclesial de nossa fé.

Concluindo, podemos sintetizar assim o ensinamento e a experiência mística de Simão o Novo Teólogo: na sua incessante busca de Deus, apesar das dificuldades que encontrou e nas críticas das quais foi objeto, ele, no final das contas, se deixou guiar pelo amor. Soube viver ele mesmo e ensinar aos seus monges que o essencial para cada discípulo de Jesus é crescer no amor e assim crescer no conhecimento do próprio Cristo, para poder afirmar com São Paulo: "Não sou mais eu quem vivo, é Cristo que vive em mim". (Gl 2,20)

(tradução livre, exclusivamente para esse blog)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Nossa Senhora das Dores




O martírio da Virgem é mencionado tanto na profecia de Simeão quanto no relato da paixão do Senhor. Este foi posto - diz o santo ancião sobre o menino - como um sinal de contradição, e a Maria: e uma espada traspassará tua alma (cf. Lc 2, 34-35).

Verdadeiramente, ó santa Mãe, uma espada traspassou tua alma. Aliás, somente traspassando-a, penetraria na carne do Filho. De fato, visto que o teu Jesus - de todos certamente, mas especialmente teu - a lança cruel, abrindo-lhe o lado sem poupar um morto, não atingiu a alma dele, mas ela traspassou a tua alma. A alma dele já não estava ali; a tua, porém, não podia ser arrancada dali. Por isto a violência da dor penetrou em tua alma e nós te proclamamos, com justiça mais do que mártir, porque a compaixão ultrapassou a dor da paixão corporal.

E pior que a espada, traspassando a alma, não foi aquela palavra que atingiu até a divisão entre a alma e o espírito: Mulher, eis aí teu filho? (Jo 19,26). Oh! Que troca incrível! João, Mãe, te é entregue em vez de Jesus, o servo em lugar do Senhor, o discípulo pelo Mestre, o filho de Zebedeu pelo Filho de Deus, o puro homem, em vez do Deus verdadeiro. Como ouvir isso deixaria de traspassar tua alma tão afetuosa, se até a sua lembrança nos corta os corações, tão de pedra, tão de ferro?

Não vos admireis, irmãos, que se diga ter Maria sido mártir na alma. Poderia espantar-se quem não se recordasse do que Paulo afirmou entre os maiores crimes dos gentios estava o de serem sem afeição. Muito longe do coração de Maria tudo isto; esteja também longe de seus servos.

Talvez haja quem pergunte: "Mas não sabia ela de antemão que ele iria morrer?" Sem dúvida alguma. "E não esperava que logo ressuscitaria?" Com toda a confiança. "E mesmo assim sofreu com o Crucificado?" Com toda a veemência. Aliás, tu quem és ou donde tua sabedoria, para te admirares mais de Maria que compadecia, do que do Filho de Maria a padecer? Ele pôde morrer no corpo; não podia ela morrer juntamente no coração? É obra da caridade: ninguém a teve maior! Obra de caridade também isto: depois dela nunca houve igual.

(dos Sermões de São Bernardo, abade, séc. XII)




quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Um amigo de Deus [03.09]

São Gregório Magno, Papa e Doutor da Igreja

Nasceu em Roma por volta do ano 540. Tendo tomado a carreria política, chegou a ser nomeado prefeito de Roma. abraçou depois a vida monástica, foi ordenado sacerdote e desempenhu o cargo de legado pontifício em Constantinopla. No dia 03 de setembro do ano 590 foi elevado à Cátedra de Pedro, cargo que exerceu como verdadeiro bom pastor no governo da Igreja, no cuidado dos pobres, na propagação e consolidação da fé. Escreveu muitas obras de Moral e Teologia. Morreu a 12 de março do ano 604.



Ó Deus, que cuidais do vosso povo com indulgência e o governais com amor, dai pela intercessão de São gregório Magno, o espírito de sabedoria àqueles a quem confiastes o governo da vossa Igreja, a fim de que o progresso das ovelhas contribua para a alegria dos pastores. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Um amigo de Deus [14.08]

São Maximiliano Maria Kolbe

Maximiliano Maria Kolbe nasceu na Polônia no dia 8 de janeiro de 1894. Ainda adolescente, ingressou na Ordem dos Frades Menores Conventuais e foi ordenado sacerdote em Roma, no ano de 1918. Animado de filial piedade para com a Virgem Mãe de Deus, fundou uma confraria religiosa com o nome de "Milícia de Maria Imaculada", que se propagou de modo extraordinário tanto em sua pátria como em outras regiões. Chegando ao Japão como missionário, aplicou-se em difundir a fé cristã sob o auxílio e proteção da mesma Virgem Imaculada. Finalmente, regressando à Polônia, foi aprisionado nos campos de concentração nazistas. Tendo padecido terríveis atrocidades em Auschwitz, distrito de Cracóvia, consumou sua fecunda vida num holocausto de caridade, aceitando morrer no lugar de um pai de família, seu companheiro de prisão, aos 14 de agosto de 1941. João Paulo II o chamou de "patrono de nosso difícil século".



Ó Deus, inflamastes são Maximiliano Kolbe, presbítero e mártir, com amor à Virgem Imaculada e lhe destes grande zelo pastoral e dedicação ao próximo. Concedei-nos, por sua intercessão, que trabalhemos intensamente pela vossa glória no serviço do próximo, para que nos tornemos semelhantes ao vosso Filho até a morte. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Um amigo de Deus [11.08]

Clara de Assis

Clara nasceu em Assis (Itália) em 1193. Foi a primeira mulher que se entusiasmou pela experiência de Deus realizada pelo jovem de nome Francisco, também de sua cidade natal. Com apenas 18 anos de idade, fugiu da casa de seus pais para viver o mesmo estilo de vida que seu amigo Francisco, com quem sempre esteve em profundo relacionamento espiritual.

Pode-se dizer que sua vida religiosa foi um esforço contínuo para atingir a total e perfeita pobreza e despojamento. Fundou com São Francisco de Assis a segunda ordem franciscana, grupo que recebeu seu nome: as clarissas. Passou a segunda metade de sua vida quase sempre acamada, mas procurava unir-se, por meio da doença, ao Cristo crucificado, o grande e único amor de sua vida. Morreu em São Damião, aos 11 de agosto de 1254.


Ó Deus, que na vossa misericórdia
atraístes Santa Clara ao amor da pobreza,
concedei, por sua intercessão, que, seguindo o Cristo
com um coração de pobre, vos contemplemos um dia em vosso reino.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

sábado, 8 de agosto de 2009

Um amigo de Deus [08.08]

São Domingos

Nasceu em Caleruega (Espanha) cerca do ano de 1170. estudou Teologia em Palência e foi nomeado cônego da Igreja de Osma. Por meio da sua pregação e do exemplo de sua vida, combateu com grande êxito a heresia dos Albigenses. Para a continuidade desta obra, reuniu companheiros e fundou a Ordem dos Pregadores (Dominicanos). Morreu em Bolonha no dia 06 de agosto de 1221.

Ó Deus, que os méritos e ensinamentos de São Domingos venham em socorro da vossa Igreja, para que o grande pregador da vossa verdade seja agora nosso fiel intercessor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Um amigo de Deus [04.08]

São João Maria Vianney

Nasceu em Lion (França) no ano de 1786. Depois de superar muitas dificuldades, pôde ser ordenado sacerdote. Tendo-lhe sido confiada a paróquia de Ars, na diocese de Belley, o santo nela promoveu admiravelmente a vida cristã, por meio da pregação eficaz, com a mortificação, a oração e a caridade. Revelou especiais qualidades na administração do sacramento da penitência; por isso, acorriam fiéis de todas as partes para receber os santos conselhos que dava. Morreu em 1859.



Deus de poder e misericórdia,
que tornastes São João Maria Vianney um pároco admirável
por sua solicitude pastoral, dai-nos, por sua intercessão e exemplo,
conquistar no amor de Cristo os irmãos para vós
e alcançar com eles a glória eterna.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,
na unidade do Espírito Santo. Amém.

sábado, 1 de agosto de 2009

Um amigo de Deus [01.08]

Santo Afonso Maria de Ligório

Nasceu em Nápoles em 1696; obteve o doutorado em Direito civil e eclesiástico, recebeu a ordenação sacerdotal e fundou a Congregação do Santíssimo Redentor (Redentoristas). Com a finalidade de incrementar a vida cristã entre o povo, dedicou-se à pregação e escreveu vários livros, sobretudo de teologia moral, matéria na qual é considerado ilustre mestre. Foi eleito bispo de Sant'Agata dei Goti, mas renunciou ao cargo pouco depois e morreu junto aos seus companheiros, em Nocera dei Pagani, em Campânia, em 1787.



Ó Deus,
que suscitais continuamente em vossa Igreja
novos exemplos de virtude, dai-nos seguir de tal modo os passos
do bispo Santo Afonso no zelo pela salvação de todos,
que alcancemos com ele a recompensa celeste.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Um amigo de Deus [31.07]

Inácio de Loyola

Nasceu em Loyola na Cantábria (Espanha), em 1491; viveu primeiramente na corte e seguiu carreira militar. Depois, consagrando-se totalmente ao Senhor, estudou teologia em Paris, onde reuniu os primeiros companheiros com quem mais tarde fundou, em Roma, a Companhia de Jesus (Jesuítas). Exerceu intensa atividade apostólica não apenas com seus escritos, mas formando discípulos que muito contribuíram para a reforma da Igreja de seu tempo. Morreu em Roma no ano de 1556.



Ó Deus que suscitastes em vossa Igreja Santo Inácio de Loyola
para propagar a maior glória do vosso nome,
fazei que, auxiliados por ele, imitemos seu combate na terra,
para partilharmos no céu sua vitória.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

França - Conclusão

Os três dias passados em Paris reservavam uma agradável surpresa que eu chamo de "graça", já que para mim foi realmente um grande presente de Deus: a visita a Lisieux, terra natal de Santa Teresinha do Menino Jesus.

Devo contar resumidamente "minha história" com Teresa. Eu a conheci em 1996, por intermédio de um amigo seminarista que me me falou dela, quando fazia um ano que eu estava no seminário. Confesso, porém, que depois de ouvir e ler alguns fatos sobre sua pessoa, disse a esse amigo que não havia encontrado nada de especial em Teresa e que não entendia porque falavam tanto de um pessoa tão simples assim... Claro que ele censurou meu comentário..., mas segui não dando tanta importância à Teresa de Lisieux.

O fato é que, hoje, relendo minha história, Teresa sempre me acompanhou de algum modo. Foram inúmeras as situações em que me vi com algum material que falava sobre ela em mãos. Seguia, no entanto, com aquela primeira percepção de que realmente aquela santa não havia nada de especial para me dizer...
Nos três anos seguintes ao ano que a conheci, a deixei de lado, mesmo porque os anos de formação no seminário me levaram a fazer uma sólida amizade com Dom Bosco. Santa Teresinha retornaria às minhas leituras apenas no ano 2000, quando resolvi comprar um grosso volume das Obras Completas de Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face. E, foi, durante os anos de teologia que fui, aos poucos, descobrindo que a grandeza da "menina simples de Lisieux" estava justamente no fato de se ter feito pequena. Era a pequenez a sua grande virtude!

Já a considerava uma grande companheira minha quando fui ordenado padre; em seus escritos aprendia muito a respeito do caminho de crescimento na intimidade com o Senhor. Por um carinho especial de Deus, a primeira obra para a qual a Providência me destinou era a ela dedicada. Durante a semana, trabalhava num colégio que a tinha como Patrona e, aos finais de semana, celebrava numa paróquia a ela dedicada. Ao longo dos dois anos que vivi naquela obra salesiana, pude muitas vezes experimentar a intercessão dela, enquanto ela continuava a me ensinar muito sobre a intimidade com Deus.

Bem, a partir do pouco que descrevi acima, você que me acompanha pelo blog pode imaginar a graça que foi poder estar na cidade e no convento onde ela viveu, além de rezar na belíssima basílica a ela dedicada.

Não considero suficiente minha intimidade com Deus. Sigo procurando mais. Quero ir muito mais além! E, nesse caminho, os santos continuam sendo para mim modelos inigualáveis: em primeiro lugar, Dom Bosco, meu pai fundador e tantos outros santos da Família Salesiana; depois, Teresinha do Menino Jesus; e outros que o próprio Deus vai me apresentando como modelo, dia após dia. Cada um deles tem algo a me ensinar. Apesar de minhas fraquezas, procuro aprender um pouco com cada um...

Santa Teresinha do Menino Jesus

Maria Francisca Teresa Martin nasceu em Alençon (França), no dia 2 de janeiro de 1873, numa familia de profunda vivência cristã. Foi a caçula de nove filhos, dos quais quatro morreram ainda pequenos. Com a morte de sua mãe (1877), vítima de câncer, sua família se transfere para a cidade de Lisieux. Teresa cresce sob os cuidados de seu pai, Luís Martin, e de suas irmãs mais velhas, Paulina, Maria, Leônia e Cecília.

Com a entrada de sua irmã mais velha, Paulina, no Carmelo de Lisieux (1882), Teresa adoece gravemente, ficando às portas da morte. No dia 13 de Maio de 1883, quando já parecia inevitável a morte, Teresa vê a imagem da Virgem Maria que miraculosamente sorri para ela e imediatamente é curada de sua doença. A cura repentina e aquele sorriso materno de Maria a fazem ainda mais determinada a realizar o sonho de se consagrar totalmente a Deus. É com as seguintes palavras que Teresa descreve o momento de sua primeira comunhão (1884): "foi um beijo de amor, me sentia amada e dizia também: Te amo, me dou a ti para sempre".
Aos 14 anos, Teresa anuncia ao pai a intenção de ingressar no Carmelo. Aos 15 anos (9 abril de 1888) passa pelo portão da clausura, depois de ter obtido – considerada a sua jovem idade – uma autorização particular do papa Leão XIII, com quem se encontrou no dia 20 de novembro de 1887, em Roma. No Carmelo, era portadora de uma serenidade sem igual; sua paz interior jamais a abandonou, nem mesmo durante as mais duras provas de sua vida.

Sua saúde sempre debilitada não resistia ao rigor da vida no carmelo e no dia 30 de setembro de 1897, aos 24 anos de idade, morre de tubercolose. Os nove anos transcorridos na vida religiosa, aparentemente sem importância, possuem um maravilhoso significado espiritual quando compreendidos a partir da "pequena via", caminho espiritual assumido por ela que consistia em reconhecer a própria miséria e se abandonar com confiança ao amor de Deus como uma criança nos braços de sua mãe.

Na vida de Teresa tudo é contrastante: sua linguagem é "pobre" e frequentemente infantil, mas o seu pensamento é de uma profundidade incrível; sua vida aparentemente sem dramas é marcada por uma esplêndida aventura de fé; sua existência passada entre quatro paredes do Carmelo possui uma mensagem universal que percorre os quatro cantos do mundo.

A santidade de Teresa já era conhecida por muitos no momento de sua morte, mas sua fama se espalhou rapidamente pelo mundo quando foi canonizada pelo Papa Pio XI (1925). Pouco tempo depois (1927), o mesmo Pio XI a declarou padroeira universal das missões (fato interessante já que ela jamais saiu do convento...). Foi também proclamada padroeira secundária da França pelo Papa Pio XII (1944). E, em 1997, centenário da sua morte, Teresa é declarada "Doutora da Igreja", a terceira mulher que alcança o máximo de consideração teológica em toda a história da Igreja, pelo Papa João Paulo II. Aos homens de hoje continua sendo um modelo atual de uma vida vivida no Espírito do Senhor.

Veja a homilia do Santo Padre, Papa João Paulo II, por ocasião da atribuição do título "Doutora da Igreja" a Santa Teresa do Menino Jesus, aos 19 de outubro de 1997: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/1997/documents/hf_jp-ii_hom_19101997_po.html


O Convento de Lisieux, fundado em 1838. Ali, Teresa viveu seus anos de consagrada ao Senhor (de 9 de abril 1888 a 30 de setembro de 1897). Da sua permanência no carmelo, Teresa mesma fala: "Vim para o Carmelo para salvar as almas e, sobretudo, para rezar pelos sacerdotes".


A urna com a imagem para veneração pública. Os restos mortais da santa encontram-se sob a urna. Acima, se pode ver a imagem original da Virgem do Sorriso, aquela por cujo intermédio, Teresa foi curada quando criança. A respeito da devoção à Nossa Senhora, Teresa recordava: "Não temas amar demais a Virgem Santíssima, nunca a amarás suficientemente."




No pátio da capela do convento, há um pequeno museu com a exposição de objetos, roupas e fotografias pertencentes à Santa Teresinha. Na foto acima, vemos seu hábito religioso. A santificação pelo trabalho e pela vivência das mínimas coisas do cotidiano era uma característica do caminho espiritual de Teresa.


Basílica de Santa Teresinha. A construção começou em 1929 e a consagração do templo aconteceu em 1954. Do interior não foi possível tirar fotografias porque, no momento, a Basílica inteira passava por restaurações.


Abaixo da Basílica, há uma belíssima cripta, concluída em 1932. Sua arte evoca o segredo da vida espiritual de Teresa.

Imagem de Santa Teresinha exposta no presbitério da cripta. As flores em volta da imagem nos recordam as palavras de Teresa: "Quando estiver no céu, será necessário encher frequentemente minhas mãozinhas de orações e de sacrifícios para que eu possa ter o prazer de lançá-los como uma chuva de graças sobre as almas".

Mosaico da Santíssima Trindade, ao fundo da cripta, representa Deus Pai dando seu filho ao mundo e derramando o Espírito Santo. Várias vezes, Santa Teresinha afirmava: "... que felicidade pensar que o bom Deus, a Trindade inteira, olha para nós, permanece em nós e se compraz em nos considerar".

sábado, 31 de janeiro de 2009

Um amigo de Deus (31.01.2009)

São João Bosco
(*1815 + 1888)

"O segredo de seu sucesso foi o de não decepcionar as mais profundas aspirações dos jovens e levá-los a experimentar concretamente que, somente na amizade com Cristo, se alcançam os objetivos mais autênticos dessa vida."
(João Paulo II)


"São João Bosco sabia que tinha recebido uma vocação especial e que era ajudado, praticamente guiado pela mão, na realização de sua missão, pelo Senhor e pelo materno auxílio da Virgem Maria. A sua resposta foi tal que a Igreja o propôs oficialmente como modelo de santidade a todos os fiéis.

A sua santidade o coloca, de modo original, entre os grandes fundadores de institutos religiosos na Igreja: foi iniciador de uma verdadeira escola de nova e atraente espiritualidade apostólica; foi promotor de uma especial devoção a Maria, Auxiliadora dos Cristãos e Mãe da Igreja; foi um testemunho de fidelidade corajosa à Igreja, manifestada na mediação de situações delicadas na ainda hoje difícil relação entre a Igreja e o Estado; foi apóstolo realista e prático, aberto às novas descobertas; foi organizador cuidadoso das missões com uma sensibilidade verdadeiramente católica; foi, de modo pleno, exemplo de amor aos jovens, especialmente os mais necessitados, para o bem da Igreja e o da sociedade; foi pai de uma genial e eficaz prática pedagógica, deixada como dom precioso para ser guardado e aprofundado.

A complementaridade entre "educação" e "santidade" é o traço mais característico da sua personalidade: ele foi um "educador santo"; se inspirou num "modelo santo" (São Francisco de Sales); foi discípulo de um "mestre espiritual santo" (São José Cafasso); e soube formar entre os seus jovens, um "aluno santo" (Domingos Sávio).

De São João Bosco, fundador de uma grande Família Espiritual, se pode dizer que uma característica muito peculiar de sua genialidade está ligada àquela prática educativa que ele mesmo chamou de "sistema preventivo". Esse sistema representa um resumo da sua sabedoria pedagógica e constitui uma mensagem profética que ele deixou aos seus filhos e a toda a Igreja, recebendo também o reconhecimento da parte de tantos educadores e estudiosos de pedagogia.

A essência de seu ensinamento permanece, a originalidade de seu espírito, as suas intenções, o seu estilo, o seu carisma também, justamente porque tudo foi inspirado na transcendente pedagogia de Deus.

Para a Igreja e no mundo, a visão educativa integral que vemos encarnada em Dom Bosco, é uma pedagogia concreta de santidade. Hoje, é preciso recuperar o verdadeiro conceito de santidade como parte integrante da vida de todo o cristão. A originalidade e a coragem da proposta de uma juventude santa é o objetivo da arte educativa desse grande santo que pode ser, de modo muito justo, chamado de "mestre de espiritualidade juvenil". O segredo de seu sucesso foi o de não decepcionar as mais profundas aspirações dos jovens (necessidade de viver e crescer, desejo de ser alegre, de ser livre e ser aberto ao futuro) e levá-los a experimentar concretamente que somente na vida de graça, ou seja, na amizade com Cristo, se alcançam os objetivos mais autênticos dessa vida."

(Palavras de João Paulo II nas comemorações do centenário da morte de São João Bosco [tradução livre]. Roma, 31 de janeiro de 1988).