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sábado, 14 de novembro de 2009

O Sacramento da Confirmação

Por que o Sacramento do Crisma tem que ser ministrado pelo Bispo e não por um padre como os outros sacramentos?
(Graça, São Paulo)

Olá, Graça!
Obrigado por visitar o blog e pela pergunta!

Para responder à sua pergunta, em primeiro lugar, é necessário conhecer qual a natureza do ministério episcopal e de sua missão na Igreja, ou seja, em outras palavras, quem é o bispo e qual a sua função junto ao povo de Deus. Para isso, lhe indico a leitura de um trecho de um importante documento da Igreja:

Constituição Dogmática Lumen Gentium, 20. 24-27


Por aqui, o que podemos dizer em rápidas palavras, é que o Bispo, enquanto sucessor dos apostólos, tem a missão de ensinar, santificar e governar a porção do povo de Deus confiada a seus cuidados. Ora, um sucessor dos apóstolos, em sua missão de santificar, é o primeiro ministro não somente do Sacramento da Confirmação, mas de todos os Sacramentos da Igreja.

Acontece que, com o passar do tempo, já nos primeiríssimos séculos da vida da Igreja, o contínuo aumento do número de fiéis e o rápido crescimento das estruturas eclesiais foram tornando praticamente impossível o exercício do ministério episcopal em primeira pessoa. Daí que também foram sendo delineadas as missões do presbítero (padre) e do diácono como aqueles que colaboram diretamente com a missão do Bispo. Mas, então, por que no caso da administração dos Sacramentos, apenas alguns (Ordem e Confirmação, por exemplo) acabaram ficando reservados exclusivamente ao Bispo? Para responder a essa pergunta, precisamos, além de saber a natureza e missão do ministério episcopal, entender o que cada um desses Sacramentos significa, para então compreendermos a estreita ligação entre o Bispo e a administração dos mesmos.

No caso do Sacramento da Confirmação, ele faz parte dos Sacramentos da Iniciação Cristã (= Batismo, Eucaristia e Confirmação), sem os quais, como o nome sugere, não se pode dizer que o fiel foi devidamente iniciado na fé cristã. A Confirmação aprofunda e consolida a graça batismal e "tem como efeito unir aqueles que o receberam, mais intimamente à Igreja, às suas origens apostólicas e à sua missão de dar testemunho de Cristo" (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1313).


Ora, se o Sacramento da Confirmação "tem como efeito unir aquele que o recebe mais intimamente à Igreja", é o Bispo - que fazendo as vezes de Cristo, Pastor da Igreja, e desempenhando suas funções - a pessoa mais indicada para presidir tal Sacramento.

Além disso, se o mesmo Sacramento "tem como efeito unir aquele que o recebe (...) às origens apostólicas (da Igreja)", é o Bispo - como legítimo sucessor dos Apóstolos - a pessoa que evidencia a apostolicidade da Igreja no momento da celebração.

Por fim, se o Sacramento da Confirmação "tem como efeito unir aquele que o recebe (...) à missão (da Igreja) de dar o testemunho de Cristo", é o Bispo - enquanto pastor daquela Igreja local, em união com toda Igreja universal - aquele que, por excelência, envia, em nome de Cristo, o fiel confirmado em missão "até os confins da terra" (Cf. At 1,8).

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A música na liturgia

As músicas tem a ver com a celebração? Como saber quais são litúrgicas?
(Leonardo, Caraguatatuba, 15 anos)

Caro Leonardo,

Obrigado pela visita ao blog e pela pergunta!

A primeira coisa que precisamos compreender é que toda a celebração litúrgica é um conjunto harmonioso, onde a música desempenha um papel não somente importante, mas imprescindível. Daí que a utilização de uma música dentro de uma celebração litúrgica deve seguir e respeitar os critérios dessa mesma celebração. Eis a resposta para sua primeira pergunta: sim, toda a música litúrgica tem a ver com a celebração.

Nesse sentido, para saber se uma música é adequada para a celebração, deve-se, em primeiro lugar, procurar compreender o que está sendo celebrado. Se a música ali empregada é fiel à natureza da celebração, podemos dizer que ela é adequada para o momento.

Por isso, todo o músico que deseja prestar um serviço de qualidade à comunidade deve estar preocupado com sua adequada formação litúrgica. Somente compreendendo a natureza e a finalidade da celebração, é que ele saberá identificar as músicas que irão colaborar e enriquecer o momento celebrativo.

Por fim, lhe recordo que existem muitos cursos e livros interessantes sobre o assunto por aí. Sugiro que você se informe em sua paróquia e diocese a respeito. Como exemplo, lhe recomendo a leitura de uma publicação da CNBB que você encontra em qualquer livraria católica: A música litúrgica no Brasil (Estudos da CNBB, nº 79).

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A participação de cada fiel na liturgia

Por que existem orações que só o Padre pode fazer ? E por que isso não é informado à comunidade ?
(Leonardo, Caraguatatuba, 15 anos)

Caro Leonardo,
Obrigado pela visita ao blog e pela pergunta!

Entendi que você esteja falando das orações dentro de uma Celebração Eucarística. De fato, não somente na Santa Missa, mas em outras celebrações litúrgicas, existem orações que são reservadas especialmente ao sacerdote. Na verdade, antes de sabermos a razão dessas orações, é preciso compreender o que nos ensina um importante documento da Igreja sobre a natureza e a importância da liturgia:

"Em todas as celebrações litúrgicas, ministros e fiéis, no desempenho de sua função, façam somente aquilo e tudo aquilo que convém à natureza da ação, de acordo com as normas litúrgicas (... ) Desde cedo, portanto, estejam todos imbuídos do espírito da liturgia e sejam devidamente iniciados no desempenho correto de seus respectivos papéis." (Sacrosanctum Concilium 28-29).

Essa afirmação nos ensina que cada fiel está envolvido de modo pessoal na ação litúrgica e a celebra de acordo com a sua condição. O sacerdote, enquanto presidente da celebração, possui orações que lhe são reservadas porque elas deixam claro qual o papel dele naquele momento. Mas isso acontece também com a assembléia que participa com ele do momento celebrativo; também existem orações reservadas aos fiéis leigos.

Você também pergunta porque isso não é informado à comunidade. Na verdade, há muitos lugares onde a comunidade sabe exatamente, não somente sua função na celebração, como aquela reservada ao sacerdote. Nos lugares onde isso não é muito claro, falta uma formação litúrgica mais adequada. É isso que sugere o mesmo documento que citei anteriormente e que volto a citar, do qual eu lhe recomendo uma atenta leitura. Você poderá encontrá-lo na íntegra nesse endereço eletrônico:

Eis os números que tratam de uma necessária formação litúrgica para todo o povo de Deus:

"A Igreja deseja ardentemente que todos os fiéis participem das celebrações de maneira consciente e ativa, de acordo com as exigências da própria liturgia e por direito e dever do povo cristão, em virtude do batismo... Procure-se por todos os meios, restabelecer e favorecer a participação plena e ativa de todo o povo na liturgia. Ela é a fonte primeira e indispensável do espírito cristão. Os pastores de alma devem, pois, orientar para ela toda sua ação pastoral. Para que isso aconteça, é indispensável que os próprios pastores estejam profundamente imbuídos do espírito e da força da liturgia, tornando-se capazes de ensiná-la aos outros..." (Sacrosanctum Concilium 15)

"Também os fiéis devem participar da liturgia, interior e exteriormente, de acordo com sua idade, condição, gênero de vida e grau de cultura religiosa. Os pastores atuem pacientemente nesse sentido, sabendo que é um dos principais deveres de quem é chamado a dispensar fielmente os mistérios de Deus..." (Sacrosanctum Concilium 19)



Depois de esclarecido isso, um passo interessante será o de estudar as orações que são reservadas ao sacerdote nas ações litúrgicas; são belíssimos meios para compreendermos a vida e a missão de um padre!

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Qual a função do Diácono e dos coroinhas?

Qual a função do Diácono e dos coroinhas na celebração?
(Fábio, 28 anos, São Paulo)

Caro Fábio,

Obrigado pela visita ao blog e pela pergunta!

Antes de falarmos sobre a função do Diácono e dos coroinhas na celebração litúrgica, é importante compreendermos melhor a natureza de cada um desses ministérios.

O diaconado é o primeiro grau do Sacramento da Ordem. Por meio da graça sacramental, conferida pela imposição das mãos e oração de um Bispo, o fiel passa a fazer parte do clero, exercendo seu ministério a serviço de Deus e de sua Igreja, como direto colaborador do Bispo diocesano.

Quanto às funções que nascem da recepção desse grau do Sacramento da Ordem, podemos dizer que "é próprio do diácono, segundo for marcado pela competente autoridade, administrar solenemente o Batismo, guardar e distribuir a Eucaristia, assistir e abençoar o Matrimônio em nome da Igreja, levar o viático aos moribundos, ler aos fiéis a Sagrada Escritura, instruir e exortar o povo, presidir ao culto e à oração dos fiéis, administrar os sacramentais, dirigir os ritos do funeral e da sepultura". (Constituição Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, n. 29)

Em relação à natureza do ministério do coroinha, vale observar o que foi dito num importante documento emitido pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, órgão ligado diretamente à Santa Sé: "é muito louvável que se conserve o benemérito costume de que crianças ou jovens, denominados normalmente assistentes (coroinhas), estejam presentes e realizem um serviço junto ao altar, similar aos acólitos, mas recebam uma catequese conveniente, adaptada à sua capacidade, sobre esta tarefa. Não se pode esquecer que do conjunto destas crianças, ao longo dos séculos, tem surgido um número considerável de ministros consagrados..." (Instrução Redemptionis Sacramentum, n. 47)

Do entendimento de sua natureza, nasce o elenco das funções de um coroinha que se resume, por sua vez, na assistência ao presbítero durante a celebração litúrgica: nos lugares onde existem acólitos (ministros instituídos ou confiados ao serviço do Altar), os coroinhas acabam complementando a ação deles; onde tais ministros não estão presentes, na prática, os coroinhas acabam realizando suas funções.

Vale ainda dizer que embora o grupo de coroinhas tenha um cunho vocacional direcionado à vida presbiteral, o mesmo documento que acabei de citar (Redemptionis Sacramentaum) abre a possibilidade de que meninas sejam admitidas a esse serviço, desde que o Bispo diocesano assim as autorize.

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

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