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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A música na liturgia

As músicas tem a ver com a celebração? Como saber quais são litúrgicas?
(Leonardo, Caraguatatuba, 15 anos)

Caro Leonardo,

Obrigado pela visita ao blog e pela pergunta!

A primeira coisa que precisamos compreender é que toda a celebração litúrgica é um conjunto harmonioso, onde a música desempenha um papel não somente importante, mas imprescindível. Daí que a utilização de uma música dentro de uma celebração litúrgica deve seguir e respeitar os critérios dessa mesma celebração. Eis a resposta para sua primeira pergunta: sim, toda a música litúrgica tem a ver com a celebração.

Nesse sentido, para saber se uma música é adequada para a celebração, deve-se, em primeiro lugar, procurar compreender o que está sendo celebrado. Se a música ali empregada é fiel à natureza da celebração, podemos dizer que ela é adequada para o momento.

Por isso, todo o músico que deseja prestar um serviço de qualidade à comunidade deve estar preocupado com sua adequada formação litúrgica. Somente compreendendo a natureza e a finalidade da celebração, é que ele saberá identificar as músicas que irão colaborar e enriquecer o momento celebrativo.

Por fim, lhe recordo que existem muitos cursos e livros interessantes sobre o assunto por aí. Sugiro que você se informe em sua paróquia e diocese a respeito. Como exemplo, lhe recomendo a leitura de uma publicação da CNBB que você encontra em qualquer livraria católica: A música litúrgica no Brasil (Estudos da CNBB, nº 79).

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A participação de cada fiel na liturgia

Por que existem orações que só o Padre pode fazer ? E por que isso não é informado à comunidade ?
(Leonardo, Caraguatatuba, 15 anos)

Caro Leonardo,
Obrigado pela visita ao blog e pela pergunta!

Entendi que você esteja falando das orações dentro de uma Celebração Eucarística. De fato, não somente na Santa Missa, mas em outras celebrações litúrgicas, existem orações que são reservadas especialmente ao sacerdote. Na verdade, antes de sabermos a razão dessas orações, é preciso compreender o que nos ensina um importante documento da Igreja sobre a natureza e a importância da liturgia:

"Em todas as celebrações litúrgicas, ministros e fiéis, no desempenho de sua função, façam somente aquilo e tudo aquilo que convém à natureza da ação, de acordo com as normas litúrgicas (... ) Desde cedo, portanto, estejam todos imbuídos do espírito da liturgia e sejam devidamente iniciados no desempenho correto de seus respectivos papéis." (Sacrosanctum Concilium 28-29).

Essa afirmação nos ensina que cada fiel está envolvido de modo pessoal na ação litúrgica e a celebra de acordo com a sua condição. O sacerdote, enquanto presidente da celebração, possui orações que lhe são reservadas porque elas deixam claro qual o papel dele naquele momento. Mas isso acontece também com a assembléia que participa com ele do momento celebrativo; também existem orações reservadas aos fiéis leigos.

Você também pergunta porque isso não é informado à comunidade. Na verdade, há muitos lugares onde a comunidade sabe exatamente, não somente sua função na celebração, como aquela reservada ao sacerdote. Nos lugares onde isso não é muito claro, falta uma formação litúrgica mais adequada. É isso que sugere o mesmo documento que citei anteriormente e que volto a citar, do qual eu lhe recomendo uma atenta leitura. Você poderá encontrá-lo na íntegra nesse endereço eletrônico:

Eis os números que tratam de uma necessária formação litúrgica para todo o povo de Deus:

"A Igreja deseja ardentemente que todos os fiéis participem das celebrações de maneira consciente e ativa, de acordo com as exigências da própria liturgia e por direito e dever do povo cristão, em virtude do batismo... Procure-se por todos os meios, restabelecer e favorecer a participação plena e ativa de todo o povo na liturgia. Ela é a fonte primeira e indispensável do espírito cristão. Os pastores de alma devem, pois, orientar para ela toda sua ação pastoral. Para que isso aconteça, é indispensável que os próprios pastores estejam profundamente imbuídos do espírito e da força da liturgia, tornando-se capazes de ensiná-la aos outros..." (Sacrosanctum Concilium 15)

"Também os fiéis devem participar da liturgia, interior e exteriormente, de acordo com sua idade, condição, gênero de vida e grau de cultura religiosa. Os pastores atuem pacientemente nesse sentido, sabendo que é um dos principais deveres de quem é chamado a dispensar fielmente os mistérios de Deus..." (Sacrosanctum Concilium 19)



Depois de esclarecido isso, um passo interessante será o de estudar as orações que são reservadas ao sacerdote nas ações litúrgicas; são belíssimos meios para compreendermos a vida e a missão de um padre!

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A participação do jovem

Gostaria de saber como faço para que os jovens possam celebrar de fato a missa. Pois as pessoas mais velhas da comunidade reclamam que os jovens não participam...
(Fernandes, São Paulo)

Caro Fernandes,
Obrigado pela visita ao blog e pela pergunta!

A resposta à sua questão contempla uma dimensão subjetiva e outra objetiva que merecem ser consideradas. Primeiramente, é difícil mensurar quando uma pessoa participa "de fato" ou não de uma Celebração Eucarística, já que só Deus é capaz de sondar os corações. Objetivamente, no entanto, podemos colaborar para que as pessoas celebrem de maneira mais ativa e efetiva a fé que professam.

Penso que uma coisa importante a se fazer é a promoção uma boa catequese sobre a natureza e finalidade da Santa Missa. Para os jovens, momentos de formação como esse podem ser realizados durante mesmo as reuniões do grupo; isso se o jovem já não participa de grupo específicos de preparação aos Sacramentos, onde seria o local ais adequado para tanto. O fato é que quanto mais crescemos na consciência do que celebramos, tanto mais aprenderemos a colocar o coração e a vida nisso!


Depois desse passo fundamental, outra opção interessante é convidar o jovem para exercer funções específicas em torno da celebração. Por sua natureza, a Santa Missa - bem como todas as celebrações litúrgicas em geral - requer a participação ativa e efetiva de todos e cada um dos fiéis. Que tal envolver os jovens na dinâmica do "antes-durante-depois"? Isso implica motivá-lo a contribuir com os preparativos da celebração, exercer funções durante a realização da mesma, de modo que tudo lhe favoreça a compreensão de que o momento celebrativo não termina com a bênção final, mas se prolonga numa vida que procura traduzir em atos de vida tudo aquilo que se celebra.

Em relação aos comentários das "pessoas mais velhas da comunidade", é preciso considerar duas coisas importantes: 1) perguntar o que tais pessoas compreendem por "participar de fato" da Santa Missa é fundamental para entender que tipo de "cobrança" pretendem fazer; 2) considerar se tais pessoas entendem o universo juvenil a ponto de compreenderem alguns posicionamentos ou reações da juventude durante os momentos de celebração. Em suma, você precisará promover o diálogo entre os vários grupos de sua comunidade com a presença juvenil, da qual me parece ser você um animador.

Para tanto, não existem receitas prontas. Porém, de uma coisa temos certeza: a Igreja se tornará mais jovem somente quando o jovem se tornar Igreja! E por isso não desanimamos de nossa missão: colaborar com a ação de Deus que, amando os jovens, os convoca a serem sinais do seu amor à vida de tantos outros.

Um abração, meu amigo!

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A missa parte por parte

A missa é divida em partes? Qual a mais importante?
(Daniel, 18, Caraguatatuba)

Caro Daniel,

Obrigado pela visita ao blog e pela pergunta!

A resposta a sua questão, a encontramos no início do texto de introdução ao Missal Romano: "A Missa consta, por assim dizer, de duas partes, a saber, a liturgia da palavra e a liturgia eucarística, tão intimamente unidas entre si, que constituem um só ato de culto. De fato, na Missa se prepara tanto a mesa da Palavra de Deus como a do Corpo de Cristo, para ensinar e alimentar os fiéis. Há também alguns ritos que abrem e encerram a celebração." (Introdução Geral ao Missal Romano [IGMR], 28)

Como você mesmo pode ver, entre a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística, não existe uma parte mais importante, já que estão "intimamente unidas entre si", ou seja, uma não existe sem a outra.

Por fim, abaixo lhe transcrevo um esquema, ainda que geral, mais detalhado da Celebração Eucarística. Porém, lhe recordo que mais importante que saber quais as partes da Santa Missa, é necessário compreender o sentido da celebração como um todo e de cada uma de suas partes.

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.


AS PARTES DA MISSA
(cf. IGMR, 46-90)

Ritos Iniciais
[entrada, saudação ao altar e ao povo reunido, ato penitencial, hino de louvor e oração da coleta];

Liturgia da Palavra
[leituras bíblicas, homilia, profissão de fé e oração universal];

Liturgia Eucarística
[apresentação das oferendas, oração sobre as oferendas, oração eucarística e ritos da comunhão (oração do Senhor, rito da paz, fração do pão, comunhão, oração pós-comunhão)] ;

Ritos finais
[breves comunicações (se necessário), saudação e bênção do sacerdote, despedida do povo e saudação ao altar].

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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Qual a maneira certa: assistir ou participar da Missa?
(Robson, 30 anos, São Paulo)

Caro Robson,

Obrigado pela visita ao blog e pela pergunta!

À medida em que compreendemos a natureza da Santa Missa, não restam dúvidas quanto ao modo como somos chamados a nos portar durante a celebração. Diante de tão grande manifestação de Deus que nos chama a participar de seu sacrifício pela redenção do mundo (cf. 1Cor 11, 23-26), não é possível permanecermos como meros espectadores. A única resposta coerente, portanto, é a de participarmos ativamente do mistério que celebramos.

Procure sempre participar da Missa. É o que ensina o mais importante documento da Igreja sobre o assunto. Abaixo, seguem algumas das muitas de suas citações:

" Pela Liturgia da terra participamos, saboreando-a já, na Liturgia celeste celebrada na cidade santa de Jerusalém, para a qual, como peregrinos nos dirigimos e onde Cristo está sentado à direita de Deus, ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo; por meio dela cantamos ao Senhor um hino de glória com toda a milícia do exército celestial, esperamos ter parte e comunhão com os Santos cuja memória veneramos, e aguardamos o Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, até Ele aparecer como nossa vida e nós aparecermos com Ele na glória" (Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia, n. 08)

"Para assegurar esta eficácia plena, é necessário, porém, que os fiéis celebrem a Liturgia com retidão de espírito, unam a sua mente às palavras que pronunciam, cooperem com a graça de Deus, não aconteça de a receberem em vão. Por conseguinte, devem os pastores de almas vigiar para que não só se observem, na ação litúrgica, as leis que regulam a celebração válida e lícita, mas também que os fiéis participem nela consciente, ativa e frutuosamente." (SC 11)

"Para fomentar a participação ativa, promovam-se as aclamações dos fiéis, as respostas, a salmodia, as antífonas, os cânticos, bem como as ações, gestos e atitudes corporais. Não deve deixar de observar-se, a seu tempo, um silêncio sagrado." (SC 30)

"É por isso que a Igreja procura, solícita e cuidadosa, que os cristãos não entrem neste mistério de fé como estranhos ou espectadores mudos, mas participem na ação sagrada, consciente, ativa e piedosamente, por meio duma boa compreensão dos ritos e orações; sejam instruídos pela palavra de Deus; alimentem-se à mesa do Corpo do Senhor; dêem graças a Deus; aprendam a oferecer-se a si mesmos, ao oferecer juntamente com o sacerdote, que não só pelas mãos dele, a hóstia imaculada; que, dia após dia, por Cristo mediador, progridam na unidade com Deus e entre si, para que finalmente Deus seja tudo em todos." (Sc 48)

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

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