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segunda-feira, 12 de julho de 2010

Deus te alcançou! - Parte 1

Começamos essa pequena série de postagens com uma alegre notícia: Deus se deu a conhecer! Sim, isso mesmo! Por um misterioso desígnio de amor, embora habite em uma luz inacessível (cf. 1Tm 6,16), Deus revela o mistério de sua pessoa a todo o ser humano, doando-se a todos e a cada um.

E Deus assim o faz porque quer nos tornar capazes de conhecê-lo, amá-lo e de responder às suas iniciativas de amor, de um modo muito maior e mais perfeito do que seríamos capazes pelas nossas próprias forças.

E como Deus se revela aos seres humanos? Bem, na verdade, Ele se comunica de modo gradual, numa pedagogia que favoreça seu acolhimento por parte de todo o ser humano. Dessa forma, Deus se revelou por etapas ao longo de toda a história, cuja plenitude se encontra na revelação de Jesus Cristo, o Filho de Deus que se fez ser humano e veio habitar no meio de nós (cf. Jo 1,14).



De fato, "Deus quis, na sua bondade e sabedoria, se revelar a si mesmo e manifestar o mistério de sua vontade: os homens têm acesso ao Pai e se tornam participantes da natureza divina por meio de Cristo, Verbo Encarnado, no Espírito Santo" (Dei Verbum, 2)

A partir da próxima postagem, analisaremos as etapas desse processo amoroso que encontra, em Jesus, seu momento mais sublime.

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A Igreja revê seus conceitos ou permanece sempre a mesma?

Nem tudo que a Igreja Católica considera como pecado está escrito na Bíblia. A Bíblia foi escrita numa outra época, em outra realidade. A Igreja revê seus conceitos ou permanece sempre a mesma?
(Márcia, 35 anos)

Cara Márcia,
Obrigado pela visita ao blog e pela pergunta!

Realmente, sua pergunta é muito interessante e daria uma boa e longa conversa. No entanto, dispondo de pouco espaço por aqui, tentarei fazer algumas observações que, penso, poderão lhe ajudar a aprofundar sua reflexão. Continuo, no entanto, aberto para receber outras dúvidas suas que possam nascer desse meu primeiro comentário.

Antes de lhe dar uma resposta, você faz duas afirmações que precisam ser consideradas com muita atenção. Isso porque, embora tragam algo de verdadeiro, podem gerar confusões se não forem bem compreendidas.

1. "Nem tudo o que a Igreja considera como pecado está escrito na Bíblia."

Sim. Isso é verdade, em parte. E por dois motivos. O primeiro deles é que a religião católica não é fundamentada apenas na Palavra de Deus escrita (Sagrada Escritura), embora a tenha em especialíssima consideração, como Palavra de Deus revelada! Um importante documento da Igreja nos explica como se dá a Revelação de Deus e o papel da Sagrada Escritura nesse processo:

"O Cristo Senhor, em quem se completou toda a revelação de Deus altíssimo (cf. 2Cor 1,20), comunicou aos apóstolos os dons divinos e os encarregou de pregar a todos o Evangelho prometido aos profetas, por ele cumprido e promulgado por sua própria boca, como a fonte da verdade salutar e a expressão da correta maneira de viver.

Essa disposição foi fielmente cumprida. Primeiro pelos apóstolos que haviam aprendido diretamente com as palavras, o convívio e a atuação de Cristo e pela ação do Espírito Santo o transmitiram pela pregação, pelo exemplo e pelas instituições que criaram. Depois, pelos apóstolos e homens apostólicos que, sob inspiração do mesmo Espírito Santo, escreveram a mensagem da salvação.

Para conservar o Evangelho íntegro e vivo na Igreja, os apóstolos deixaram os bispos como seus sucessores, transmitindo-lhes o lugar que ocupavam no magistério. Esta Tradição sagrada, juntamente com a Escritura dos dois Testamentos são o espelho em que a Igreja peregrina contempla Deus, de quem tudo recebeu, enquanto não chega a vê-lo face a face (cf. 1Jo 3,2)." (Constituição Dogmática Dei Verbum, 7)


2. "A Bíblia foi escrita numa outra época, em outra realidade."

Com essa sua segunda afirmação, praticamente, você mesma responde à sua primeira objeção. Quero dizer que exatamente porque a Bíblia foi escrita dentro de um contexto específico, é que ela não pode trazer uma "lista com os pecados da atualidade". No entanto, na Sagrada Escritura, encontramos princípios divinos muito claros que nos permitem nos posicionar diante das novidades de nosso tempo. Um exemplo? A Sagrada Escritura não fala do procedimento da eutanásia, mas defende o inquestionável valor da vida humana que, porque dom do Criador, deve ser defendida em todas as suas expressões.

Mas essa sua segunda afirmação, ainda carece de uma precisação para não ser mal interpretada. O fato da Sagrada Escritura haver sido escrita em um outro contexto, não quer dizer que ela não possa falar aos homens de hoje. Ela é sempre Palavra de Deus! Afinal de contas, o próprio Senhor nos recorda que "céus e terra passarão, mas as minhas palavras não passarão." (Mt 24, 35). É certo, porém, que temos o dever e a necessidade de interpretar aquilo que foi escrito há tanto tempo atrás. Por isso, mais uma vez, volto a lhe recomendar a leitura do importante documento do qual falei acima e, do qual agora, lhe apresento mais alguns trechos importantíssimos:

"Tendo Deus nos falado por intermédio de homens e à maneira humana, aquele que interpreta as Escrituras, para saber o que Deus nos quis comunicar, deve pesquisar com atenção o sentido visado diretamente pelo autor sagrado e o que Deus entendia manifestar por tais palavras.

Para saber o que o autor sagrado queria dizer, considerem-se, entre outras coisas, os gêneros literários. A verdade se propõe e se exprime diferentemente nos diversos textos históricos, proféticos, poéticos ou de qualquer outro gênero. É indispensável que o intérprete procure saber, levando em consideração as circunstãncias de tempo e de cultura em que escrevia o autor sagrado, qual dos gêneros literários quis usar ou usou para se exprimir, dentre os que eram correntes em sua época.

(...) Finalmente, como a Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada no mesmo Espírito com que foi escrita, para entender corretamente o sentido dos textos sagrados ,não se pode desprezar o conteúdo e a unidade de toda a Escritura, nem deixar de levar em conta a Tradição viva de toda a Igreja e a analogia da fé.

(...) Tudo, porém, que se refere ao modo de interpretar as Escrituras depende, em última análise, do julgamento da Igreja, que por disposição divina, desempenha o ministério de conservá-las e interpretá-las." (Constituição Dogmática Dei Verbum, 12)



3. "A Igreja revê seus conceitos ou permanece sempre a mesma?"

Assim, tendo considerado o que dissemos acima, chegamos, finalmente, à sua pergunta. E a resposta depende do que você quis dizer com "rever seus conceitos". Se isso significa mudá-los, a resposta então é não. Isso porque a Igreja conserva não conceitos seus, mas a Palavra de Deus revelada. O que a Igreja revê continuamente (e isso faz parte de sua missão!), é a forma de anunciar ao homem moderno os princípios divinos. Dessa forma, respondemos à segunda parte de sua pergunta: ao mesmo tempo em que está em constante e necessária mudança, a Igreja permanece sempre a mesma.

Espero ter lhe ajudado a compreender um pouco mais a nossa belíssima fé católica. Como lhe disse anteriormente, continuo aberto a outras dúvidas que possam surgir.

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

__________________________
Posso lhe ajudar? Sua dúvida pode ser a de muitos outros.
Envie sua pergunta para canal-direto@hotmail.com
Não esqueça de dizer seu primeiro nome, idade e cidade de onde escreve
.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Os escândalos na Igreja

Como mostrar aos jovens a riqueza da Igreja católica, se são veiculadas na imprensa notícias de consagrados
que dão falso testemunho?
(Max, 27 anos, São Paulo, SP)

Caro Max!

Obrigado pela visita ao blog e pela pergunta!

Pode parecer estranho, mas creio que a resposta que você procura possa ser encontrada na sua própria pergunta. Para tanto, é necessário aprofundar a compreensão acerca do mistério da Igreja. As Sagradas Escrituras abordam a realidade da Igreja fazendo uso de diversas imagens, dentre as quais, quero ressaltar a da Igreja enquanto povo de Deus. Na segunda carta de Pedro, encontramos uma das mais belas e profundas descrições de tão grande mistério da fé:

"Mas vocês são uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, o povo de sua particular propriedade, para que proclamem as maravilhas daquele que lhes chamou das trevas para sua luz admirável; vocês que não eram povo, mas agora são o povo de Deus, que não tinham alcançado misericórdia, mas agora a alcançaram." (2 Pedro 2,9)

A Igreja é o povo de Deus! Desse povo, fazem parte, todos os batizados. Tomando as expressões que você utilizou em sua pergunta, podemos afirmar que a "riqueza da Igreja" não pode ser medida tão somente pelo verdadeiro ou "falso testemunho" dos consagrados. Se consideramos a Igreja como povo de Deus, sua beleza está em cada batizado e na assembléia de todos eles! Nesse sentido, para mostrar ao jovem a "riqueza da Igreja", devemos levá-lo a descobrir-se Igreja também, como parte fundamental desse povo!

Mas a "riqueza da Igreja" vai para além do fato de constituir-se como um povo. Não é um povo como os outros. Somos uma raça eleita, nação santa e um povo de particular propriedade de Deus! Isso tudo porque, embora pecador, o povo de Deus é resgatado pelo sangue redentor de Cristo. Nisso sim está a nossa verdadeira riqueza!

E os contra-testemunhos noticiados pela imprensa? Bem, se não são notícias meramente sensacionalistas, construídas sobre mentiras e deturpações, devem ser levadas em consideração por contradizerem os princípios do Evangelho do qual somos anunciadores. No entanto, não podemos esquecer que o povo de Deus é santo e pecador; isso não significa dar asas a certo permissivismo (o pecado deve ser combatido com todas as nossas forças!), mas reconhecer que apesar de seu não merecimento, o povo de Deus é santo porque salvo pelos méritos de Cristo. O Papa Bento XVI falou aos peregrinos na Praça de São Pedro, na audiência de 13 de junho de 2007: "qual é a nossa atitude em relação às vicissitudes da Igreja? É a atitude de quem se interessa por uma simples curiosidade, talvez procurando o que é sensacional e escandaloso a qualquer preço? Ou é a atitude cheia de amor, e aberta ao mistério, de quem sabe por fé que pode encontrar na história da Igreja os sinais do amor de Deus e as grandes obras da salvação por ele realizadas? Se for esta a nossa atitude, não podemos deixar de nos sentir estimulados a dar uma resposta mais coerente e generosa, a um testemunho mais cristão de vida, para deixar os sinais do amor de Deus também às gerações futuras."

Se o pecado persiste também no seio da Igreja, somos convidados a ampliar o anúncio de que "onde grande é o pecado, maior é a graça!" (Rm 5, 20). Caro amigo, continue anunciando a grande riqueza da Igreja; sua riqueza está na misericórdia de Deus que supera toda a violência do pecado, sua riqueza é Cristo!

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.
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