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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Deus está ao teu alcance! - Conclusão
Dissemos, anteriormente, que todo ser humano pode conhecer a Deus a partir de suas próprias capacidades. Na verdade, isso somente é possível justamente pelo fato de que o homem foi criado "à imagem e semelhança de Deus" (cf. Gn 1,27).
Porém, é verdade também que nas condições em que se encontra, o homem enfrenta muitas dificuldades para conhecer a Deus apenas pelo uso da própria razão. Por isso Deus, em seu desígnio de amor, vem em socorro dessa busca, revelando-se ao ser humano, levando-o a conhecer o mistério acerca dele mesmo.
Sim, é verdade! Deus se revelou a todos os seres humanos. Se quiser trilhar o caminho que o leva ao encontro com Deus, além de fazer o uso de sua razão, o homem deverá acolher a revelação de Deus na fé. Daí que podemos entender a beleza e o alcance das palavras com as quais o saudoso Papa João Paulo II iniciou um importante documento, publicado em 1998: "A fé e a razão são como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, pudesse chegar também à verdade plena sobre si mesmo." (Fides et Ratio, 4).
Nesse sentido, se é certo afirmar que "Deus está ao teu alcance", é ainda mais certo dizer que, na verdade, "Deus (já) te alcançou". Ou ainda melhor: Deus só está ao teu alcance porque, antes mesmo que você existisse, Ele já te havia alcançado!
Que tal agradecê-Lo por isso no dia de hoje?
Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Deus está ao teu alcance! - Parte 2
Na última postagem, nos recordamos da imagem de um artista que deixa suas marcas na obra que cria, para explicarmos porque está presente no coração humano um profundo desejo de Deus. Vimos também que realizar tal desejo é a único caminho para sermos felizes de verdade.
Hoje queremos falar de outra boa notícia. É que existem algumas "vias de acesso" que facilitam a busca que realizamos de Deus nessa vida. E para saber quais são, o princípio é o mesmo daquele aplicado ao artista. Como saber se tal obra-prima é realmente daquele grande pintor? Pelos "vestígios" que ele deixou na obra que fez...
Onde podemos encontrar os "vestígios" de Deus? Em primeiro lugar, no mundo. Sim, o mundo, obra de suas mãos! Quem diante da beleza da natureza (a imensidão do mar, a paisagem do alto de uma montanha, o nascer ou pôr do sol, por exemplo), não concluiu ser impossível que um cenário tão pleno de ordem e harmonia possa ser apenas produto de um "big-bang" inicial, mas, no fundo, é reflexo de amor de Deus Criador? (cf. Rm 1, 19-20) Além disso, quem de nós não se maravilhou diante da beleza do mistério que se esconde em cada pessoa humana e que ciência alguma é capaz de conhecê-lo em sua totalidade?
Na verdade, tanto o mundo como o ser humano manifestam que não possuem seu princípio e seu fim em si mesmos, ou seja, a beleza e grandeza que revelam nos permitem admitir que não eles são produtos do acaso, mas devem sua origem à Alguém que lhes é superior, ao mesmo tempo em que encontraram seu sentido de ser no mesmo Alguém que lhes deu a origem.
Estamos chamando Deus de "Alguém", justamente para deixar claro que somos capazes, pela nossa própria capacidade em reconhecer seus vestígios, de reconhecer a existência de um Deus absolutamente pessoal. Deus não é uma energia ou uma espécie de força cósmica, mas é uma pessoa, um ser que ama e que manifesta seu amor em tudo aquilo que criou!
No dia de hoje, deixemos que o Amor nos contemple!
Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Deus está ao teu alcance! - Parte 1
É triste observar que Deus, no discurso de muita gente, não passa de uma vaga idéia, muito distante das situações do cotidiano de suas vidas. Belas são as palavras do salmista que reconhece exatamente o contrário: "Senhor, tu me sondas e me conheces (...) Para onde irei para estar longe do teu espírito? Para onde fugirei para ficar longe de tua face? Se eu subir aos ceús, ali estás; se eu descer ao abismo, lá te encontrarei." (Sl 139, 1.7-8)
Ao mesmo tempo que tem dificuldade de reconhecê-lo junto de si, o homem experimenta que não se basta, que necessita de algo que o transcenda para completá-lo. O problema é que não reconhecendo que só Deus pode completá-lo, acaba por buscar essa plenitude em outros lugares e endereços. Não foi isso que reconheceu Santo Agostinho em sua própria vida? De fato, olhando para suas próprias buscas, ele reconheceu: "Tu estavas dentro de mim e eu te buscava fora. Eu, deformado, buscava as belas formas de tuas criaturas. Estavas comigo, mas eu não estava contigo." (Confissões)
O desejo de Deus está inscrito no mais profundo do coração humano. Isso porque o ser humano foi criado por Ele e para Ele. Não é verdade que todo o artista deixa suas marcas na obra que nasce de suas mãos? Ao criar o ser humano, também Deus imprimiu em seu íntimo as marcas da vida divina. Por isso, quando busca a Deus, o homem encontra a verdade sobre si mesmo. E é justamente nessa verdade que o homem encontra a felicidade.
Que tal pensarmos nisso hoje?
Que tal enviar essa mensagem para alguém especial?
Deus abençoe teu dia!
Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

Senhor, obrigado por nos ter criado à tua imagem e semelhança!
Muito obrigado por nos ter feito de modo maravilhoso!
Nós te louvamos por nos comunicar a sua vida divina
e por nos chamar a viver em comunhão contigo.
Louvores a Ti, Senhor!
sábado, 14 de novembro de 2009
O Sacramento da Confirmação
Por que o Sacramento do Crisma tem que ser ministrado pelo Bispo e não por um padre como os outros sacramentos?
(Graça, São Paulo)
Olá, Graça!
Obrigado por visitar o blog e pela pergunta!
Para responder à sua pergunta, em primeiro lugar, é necessário conhecer qual a natureza do ministério episcopal e de sua missão na Igreja, ou seja, em outras palavras, quem é o bispo e qual a sua função junto ao povo de Deus. Para isso, lhe indico a leitura de um trecho de um importante documento da Igreja:
Constituição Dogmática Lumen Gentium, 20. 24-27
(O texto completo, você poderá encontrá-lo em: http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html )
Por aqui, o que podemos dizer em rápidas palavras, é que o Bispo, enquanto sucessor dos apostólos, tem a missão de ensinar, santificar e governar a porção do povo de Deus confiada a seus cuidados. Ora, um sucessor dos apóstolos, em sua missão de santificar, é o primeiro ministro não somente do Sacramento da Confirmação, mas de todos os Sacramentos da Igreja.
Acontece que, com o passar do tempo, já nos primeiríssimos séculos da vida da Igreja, o contínuo aumento do número de fiéis e o rápido crescimento das estruturas eclesiais foram tornando praticamente impossível o exercício do ministério episcopal em primeira pessoa. Daí que também foram sendo delineadas as missões do presbítero (padre) e do diácono como aqueles que colaboram diretamente com a missão do Bispo. Mas, então, por que no caso da administração dos Sacramentos, apenas alguns (Ordem e Confirmação, por exemplo) acabaram ficando reservados exclusivamente ao Bispo? Para responder a essa pergunta, precisamos, além de saber a natureza e missão do ministério episcopal, entender o que cada um desses Sacramentos significa, para então compreendermos a estreita ligação entre o Bispo e a administração dos mesmos.
No caso do Sacramento da Confirmação, ele faz parte dos Sacramentos da Iniciação Cristã (= Batismo, Eucaristia e Confirmação), sem os quais, como o nome sugere, não se pode dizer que o fiel foi devidamente iniciado na fé cristã. A Confirmação aprofunda e consolida a graça batismal e "tem como efeito unir aqueles que o receberam, mais intimamente à Igreja, às suas origens apostólicas e à sua missão de dar testemunho de Cristo" (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1313).

Ora, se o Sacramento da Confirmação "tem como efeito unir aquele que o recebe mais intimamente à Igreja", é o Bispo - que fazendo as vezes de Cristo, Pastor da Igreja, e desempenhando suas funções - a pessoa mais indicada para presidir tal Sacramento.
Além disso, se o mesmo Sacramento "tem como efeito unir aquele que o recebe (...) às origens apostólicas (da Igreja)", é o Bispo - como legítimo sucessor dos Apóstolos - a pessoa que evidencia a apostolicidade da Igreja no momento da celebração.
Por fim, se o Sacramento da Confirmação "tem como efeito unir aquele que o recebe (...) à missão (da Igreja) de dar o testemunho de Cristo", é o Bispo - enquanto pastor daquela Igreja local, em união com toda Igreja universal - aquele que, por excelência, envia, em nome de Cristo, o fiel confirmado em missão "até os confins da terra" (Cf. At 1,8).
Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009
O Inferno existe?
Se Deus é perdão, porque existe inferno?
Michelle, 25 anos
Cara Michelle,
Obrigado pela visita ao blog e pela pergunta!
De fato, sua pergunta é muito importante. Isso porque a falta de entendimento do assunto, infelizmente, leva muitos à negação da existência do inferno, realidade claramente afirmada pelos ensinamentos da Igreja.
Na Sagrada Escritura, encontramos muitas referências ao Inferno. Na verdade, ele vem indicado por várias palavras. Não é possível estudá-las todas aqui, mas para exemplificar, podemos falar da utilização de uma delas: Geena.
Geena era o nome de um antigo vale de Jerusalém (cf. Js 15,8), de onde se tem notícias de terem sido praticados holocaustos de crianças (cf. 2Cr 28,3; 33,6); profanado por Josias (cf. 2Rs 23,10), é provavel que tenha se transformado em lugar de lixo público, tornando-se na Bíblia, símbolo de impureza e maldição (cf. Jr 7,31; 19,6; 32,35). No entanto, o que nos interessa é o fato de que o Novo Testamento sempre utiliza a palavra Geena, não mais como um espaço geográfico, mas sim como um estado de maldição eterna (cf. Mt 5,22.29; 13,42.50; Mc 9,43-48; Ap 14,10).
A Igreja sempre ensinou que o Inferno está reservado aos que se recusam obstinadamente, por livre opção, até o fim de suas vidas a crer e converter-se. Ele é, enfim, como define o Catecismo da Igreja Católica, "um estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados" (CaIC 1033).
O mesmo Catecismo afirma que "Deus não predestina ninguém ao inferno; para isso é preciso uma aversão voluntária a Deus (um pecado mortal) e persistir nela até o fim" (CaIC 1037). Na verdade, todo o ensino da Igreja se baseia na misericórdia de Deus que quer "que ninguém se perca, mas que todos venham a converter-se" (2 Pd 3,9). Porém, as afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja acerca do Inferno são um chamado à responsabilidade com a qual o homem deve usar de sua liberdade em vista de seu destino eterno" (CaIC 1036).
Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.
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sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Seguir Jesus requer nadar contra a maré!
Caro amigo,
No último dia 23 de agosto, o Santo Padre dirigiu, como de costume, algumas palavras aos peregrinos presentes na Praça de São Pedro. Comentando o Evangelho da Missa daquele domingo, afirmou que seguir Jesus "enche o coração de alegria e dá sentido pleno à nossa existência, mas inclui dificuldades e renúncias porque com muita frequência se deve ir contra a corrente".
Penso que esta seja a grande graça que precisamos aprender a pedir a Deus em nosso dias. De modo especial, os jovens precisam ser agraciados com a coragem de testemunhar seu amor pelo Senhor, mesmo em situações onde isso implique ser "diferente" dos demais! Abaixo, segue o texto com as palavras de Bento XVI, na íntegra.
Com afeto salesiano,
P. Mauricio Miranda.

Palácio Apostólico de Castel Gandolfo
Domingo, 23 de Agosto de 2009
Queridos irmãos e irmãs!
Como podeis ver, a mão foi libertada do gesso, mas ainda está um pouco preguiçosa; deve estar ainda por algum tempo numa "escola de paciência", mas vamos em frente!
Sabeis que há alguns domingos a liturgia propõe à nossa reflexão o capítulo 6 do Evangelho de João, no qual Jesus se apresenta como o "pão vivo que desceu do céu" e acrescenta: "Se alguém comer deste pão viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a minha carne pela vida do mundo" (Jo 6, 51). Aos judeus que discutem asperamente entre si, perguntando-se: "Como pode Ele dar-nos a comer a Sua carne?" (v. 52) — e o mundo continua a discutir — Jesus reafirma em todos os tempos: "Se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o Meu sangue não tereis a vida em vós" (v. 53); motivo também para nós de refletir se compreendemos realmente esta mensagem. Hoje, 21º domingo do tempo comum, meditamos a parte conclusiva deste capítulo, no qual o quarto Evangelista descreve a reação do povo e dos próprios discípulos, escandalizados com as palavras do Senhor, a ponto que muitos, depois de o terem seguido até então, exclamam: "Duras são estas palavras! Quem pode escutá-las?" (v. 60). A partir de então "muitos dos Seus discípulos retiraram-se e já não andavam com Ele" (v. 66), e acontece sempre de novo a mesma coisa, em diversos períodos da história. Poderíamos esperar que Jesus procure maneiras para se fazer compreender melhor, mas Ele não abranda as suas afirmações, aliás dirige-se diretamente aos Doze, dizendo: "Também vós quereis retirar-vos?" (v. 67).
Esta pergunta provocatória não se destina só aos ouvintes de então, mas atinge os crentes e os homens de todas as épocas. Também hoje muitos permanecem "escandalizados" diante do paradoxo da fé cristã. Os ensinamentos de Jesus parecem "duros", demasiado difíceis de aceitar e de pôr em prática. Então há quem rejeita e abandona Cristo; há quem procura "adaptar" a sua palavra às modas dos tempos desvirtuando o seu sentido e valor. "Também vós quereis retirar-vos?". Esta preocupante provocação ressoa no nosso coração e espera de cada um uma resposta pessoal; trata-se de uma pergunta feita a cada um de nós. Jesus não se contenta com uma pertença superficial e formal, não lhe é suficiente uma primeira e entusiasta adesão; ao contrário, é necessário participar toda a vida "no seu pensar e no seu querer". Segui-l'O enche o coração de alegria e dá sentido pleno à nossa existência, mas inclui dificuldades e renúncias porque com muita frequência se deve ir contra a corrente.
"Também vós quereis retirar-vos?". Pedro responde à pergunta de Jesus em nome dos Apóstolos, dos crentes de todos os séculos: "Senhor, para quem havemos nós de ir? Tu tens palavras de vida eterna; e nós acreditamos e sabemos que és o Santo de Deus" (v. 68-69). Queridos irmãos e irmãs, também nós podemos e queremos repetir a resposta de Pedro neste momento, conscientes da nossa fragilidade humana, dos nossos problemas e dificuldades, mas confiantes no poder do Espírito Santo, que se exprime e se manifesta na comunhão com Jesus. A fé é dom de Deus ao homem e é, ao mesmo tempo, entrega livre e total do homem a Deus; a fé é escuta dócil da palavra do Senhor, que é "farol" para os nossos passos e "luz" para o nosso caminho (cf. Sl 119, 105). Se abrirmos com confiança o coração a Cristo, se nos deixarmos conquistar por Ele, podemos experimentar também nós, como por exemplo o santo Cura d'Ars, que "a nossa única felicidade nesta terra é amar Deus e saber que Ele nos ama". Peçamos à Virgem Maria que mantenha sempre despertada em nós esta fé impregnada de amor, que a tornou, humilde jovem de Nazaré, Mãe de Deus e mãe e modelo de todos os crentes.
Bento XVI
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Setembro: Mês da Bíblia
Na mesma semana em que recebi o convite para escrever este artigo, atendi um jovem que me perguntava sobre quais os passos para ler a Bíblia com maior proveito. Enquanto dialogávamos, percebi no coração dele o mesmo desejo do salmista quando exclama: “Senhor, é a vossa face que eu procuro!” (Sl 26, 8). Conversamos por um bom tempo e, daquele bate-papo, nasceu esse artigo.
Diante daquela pergunta não hesitei em dar ao jovem uma primeira boa notícia: antes mesmo que nos colocássemos a sua procura, Deus já havia decidido vir ao nosso encontro para nos revelar o seu grande mistério de amor.
Deus se revela por meio da Palavra
Como Deus vem ao nosso encontro? Essa foi a segunda pergunta que o jovem me fez. Mas a resposta, ao mesmo tempo que lógica, lhe pareceu um tanto estranha. Eu lhe disse que Deus sempre fez o “uso da palavra” para falar conosco.
Antes mesmo que existíssemos já era assim. Foi pela palavra que Ele criou o mundo: “Deus disse: ‘Faça-se a luz!’ E a luz foi feita” (Gn 1, 3). Também foi pela palavra que nós passamos a existir: “Depois Deus disse: ‘Façamos o ser humano a nossa imagem e semelhança...” (Gn 1,26). É pela palavra que Ele se revela ao povo de Israel, de cima do Monte Horeb: “Convoca o povo para junto de mim, a fim de ouvirem as minhas palavras...” De fato, o próprio Moisés depois testemunha o ocorrido: “O Senhor falou-vos do meio do fogo; ouvistes o som das palavras, mas não vistes figura alguma. Era apenas uma voz” (Dt 4,10.12).
A palavra de Deus é uma palavra de Amor. Deus é Amor! (cf. 1 Jo 4,8). Quando se revela a nós, Deus assim o faz para nos atrair a Ele, para nos fazer participar de seu amor. Por isso a revelação de Deus ao longo da história, nós a chamamos de História da Salvação. É salvo todo aquele que acolhe a Palavra de Deus. Foi então que anunciei ao jovem uma boa notícia ainda maior!
A Palavra de Deus veio morar entre nós!
A História da Salvação alcança seu ponto mais alto com a vinda de Jesus. O desejo de Deus de nos atrair a Ele se realiza plena e concretamente quando sua Palavra se une a nossa natureza humana. Jesus Cristo é a Palavra de Deus que se fez carne.
Foi então que, pensativo, o jovem se recordou do que está escrito no início do Evangelho de São João: “No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; o Verbo era Deus... E o Verbo se fez carne e veio habitar no meio de nós.” (Jo 1,1.14)
De fato, toda a vida de Cristo foi uma realização da Palavra: seus silêncios, suas pregações, seus gestos, suas orações, seu amor incondicional pelo ser humano, sua entrega na cruz para a salvação do mundo, sua Ressurreição... Tudo nele é Palavra por excelência porque comunica ao coração do homem as coisas do coração de Deus! Ele é o pleno cumprimento da Revelação de Deus.
A Sagrada Escritura
Embora não seja a única forma pela qual Deus se revela ao longo da história, a Bíblia representa um grande momento desse longo percurso; ela é o grande “testemunho”, em forma escrita, da Palavra de Deus. Como expressão escrita dessa Palavra, a Sagrada Escritura a contém e a manifesta em toda a sua eficácia (cf. 2 Tm 3,16). Por isso, a Bíblia é um caminho imprescindível para aquele que procura a face do Senhor.
A Sagrada Escritura é Escritura porque compreende um conjunto de textos, fruto de diversas releituras de fé que o povo de Israel foi realizando de sua própria história com Deus. Mas ela é, antes de tudo, Sagrada porque suas diversas redações foram sempre inspiradas por Deus. É a inspiração de Deus que faz de tais textos Palavra de Deus: a Palavra de Deus escrita.
No longo e complexo processo de redação dos livros sagrados, o povo de Deus sempre foi assistido pelo Espírito Santo. É o Espírito do Senhor quem inspirou os diversos autores a escreverem tudo e somente aquilo que Deus desejava comunicar por escrito. É também o Espírito quem confiou a Palavra de Deus escrita à Igreja para ser guardada, autenticamente interpretada, vivida e anunciada ao mundo inteiro. Daqui nascem as duas primeiras atitudes fundamentais para quem deseja ler a Bíblia com proveito: pedir a assistência do Espírito Santo e lê-la em comunhão com toda a Igreja.
Pedir a assistência do Espírito Santo
Uma vez que, como dissemos, é o Espírito quem guia o povo de Deus na justa interpretação daquilo que Ele mesmo inspirou que fosse escrito e entregou à Igreja para que fosse vivido e anunciado, é à luz de sua presença e ação que devemos contemplar a Sagrada Escritura.
Precisamos pedir o auxílio do Espírito na leitura e no estudo da Sagrada Escritura, já que é Ele quem nos ensina todas as coisas (cf. Jo 14,26) e nos leva à plenitude da verdade (cf. Jo 16,13); no esforço por traduzir a Palavra escrita em atos de vida porque Ele é a força que faz de nós testemunhas de Deus (cf. At 1,8); no momento de anunciá-la a todos porque é Ele quem fala em nós e por meio de nós (cf. Mc 13, 10-11).
Ler a Bíblia em comunhão com a Igreja
Exatamente porque o Espírito assiste à Igreja de Deus desde o momento de sua fundação, o segundo critério fundamental é ler a Sagrada Escritura sempre em comunhão com a Igreja. De fato, a tradição da Igreja dispõe de um grande tesouro que nos auxilia em muito a compreender, testemunhar e anunciar aquilo que lemos.
Nesse sentido, lugar privilegiado para o encontro com a Sagrada Escritura é a liturgia da Igreja. Nas celebrações litúrgicas, a Palavra escrita é uma das formas pela qual Deus vem ao nosso encontro para salvar-nos. Por isso é ali que, de modo especial, o fiel experimenta a ação transformadora da Palavra em sua vida e recebe a força para anunciá-la.
Fala, Senhor!
Bem, mas você pode estar se perguntando sobre como terminou a conversa com aquele jovem. Ela não terminou. Na verdade, jamais terminará! A Sagrada Escritura é uma fonte inesgotável. Continuamos, ele e eu, a procurar a face do Senhor. E nessa procura, aprendemos com a Sagrada Escritura, todos os dias, dizer a Deus: “Fala, Senhor! O teu servo escuta!” (1 Sm 3, 10) E a cada vez que lhe pedimos, Ele nos fala.
Com afeto salesiano,
Diante daquela pergunta não hesitei em dar ao jovem uma primeira boa notícia: antes mesmo que nos colocássemos a sua procura, Deus já havia decidido vir ao nosso encontro para nos revelar o seu grande mistério de amor.
Deus se revela por meio da Palavra
Como Deus vem ao nosso encontro? Essa foi a segunda pergunta que o jovem me fez. Mas a resposta, ao mesmo tempo que lógica, lhe pareceu um tanto estranha. Eu lhe disse que Deus sempre fez o “uso da palavra” para falar conosco.
Antes mesmo que existíssemos já era assim. Foi pela palavra que Ele criou o mundo: “Deus disse: ‘Faça-se a luz!’ E a luz foi feita” (Gn 1, 3). Também foi pela palavra que nós passamos a existir: “Depois Deus disse: ‘Façamos o ser humano a nossa imagem e semelhança...” (Gn 1,26). É pela palavra que Ele se revela ao povo de Israel, de cima do Monte Horeb: “Convoca o povo para junto de mim, a fim de ouvirem as minhas palavras...” De fato, o próprio Moisés depois testemunha o ocorrido: “O Senhor falou-vos do meio do fogo; ouvistes o som das palavras, mas não vistes figura alguma. Era apenas uma voz” (Dt 4,10.12).
A palavra de Deus é uma palavra de Amor. Deus é Amor! (cf. 1 Jo 4,8). Quando se revela a nós, Deus assim o faz para nos atrair a Ele, para nos fazer participar de seu amor. Por isso a revelação de Deus ao longo da história, nós a chamamos de História da Salvação. É salvo todo aquele que acolhe a Palavra de Deus. Foi então que anunciei ao jovem uma boa notícia ainda maior!
A Palavra de Deus veio morar entre nós!
A História da Salvação alcança seu ponto mais alto com a vinda de Jesus. O desejo de Deus de nos atrair a Ele se realiza plena e concretamente quando sua Palavra se une a nossa natureza humana. Jesus Cristo é a Palavra de Deus que se fez carne.
Foi então que, pensativo, o jovem se recordou do que está escrito no início do Evangelho de São João: “No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; o Verbo era Deus... E o Verbo se fez carne e veio habitar no meio de nós.” (Jo 1,1.14)
De fato, toda a vida de Cristo foi uma realização da Palavra: seus silêncios, suas pregações, seus gestos, suas orações, seu amor incondicional pelo ser humano, sua entrega na cruz para a salvação do mundo, sua Ressurreição... Tudo nele é Palavra por excelência porque comunica ao coração do homem as coisas do coração de Deus! Ele é o pleno cumprimento da Revelação de Deus.
A Sagrada Escritura
Embora não seja a única forma pela qual Deus se revela ao longo da história, a Bíblia representa um grande momento desse longo percurso; ela é o grande “testemunho”, em forma escrita, da Palavra de Deus. Como expressão escrita dessa Palavra, a Sagrada Escritura a contém e a manifesta em toda a sua eficácia (cf. 2 Tm 3,16). Por isso, a Bíblia é um caminho imprescindível para aquele que procura a face do Senhor.
A Sagrada Escritura é Escritura porque compreende um conjunto de textos, fruto de diversas releituras de fé que o povo de Israel foi realizando de sua própria história com Deus. Mas ela é, antes de tudo, Sagrada porque suas diversas redações foram sempre inspiradas por Deus. É a inspiração de Deus que faz de tais textos Palavra de Deus: a Palavra de Deus escrita.
No longo e complexo processo de redação dos livros sagrados, o povo de Deus sempre foi assistido pelo Espírito Santo. É o Espírito do Senhor quem inspirou os diversos autores a escreverem tudo e somente aquilo que Deus desejava comunicar por escrito. É também o Espírito quem confiou a Palavra de Deus escrita à Igreja para ser guardada, autenticamente interpretada, vivida e anunciada ao mundo inteiro. Daqui nascem as duas primeiras atitudes fundamentais para quem deseja ler a Bíblia com proveito: pedir a assistência do Espírito Santo e lê-la em comunhão com toda a Igreja.
Pedir a assistência do Espírito Santo
Uma vez que, como dissemos, é o Espírito quem guia o povo de Deus na justa interpretação daquilo que Ele mesmo inspirou que fosse escrito e entregou à Igreja para que fosse vivido e anunciado, é à luz de sua presença e ação que devemos contemplar a Sagrada Escritura.
Precisamos pedir o auxílio do Espírito na leitura e no estudo da Sagrada Escritura, já que é Ele quem nos ensina todas as coisas (cf. Jo 14,26) e nos leva à plenitude da verdade (cf. Jo 16,13); no esforço por traduzir a Palavra escrita em atos de vida porque Ele é a força que faz de nós testemunhas de Deus (cf. At 1,8); no momento de anunciá-la a todos porque é Ele quem fala em nós e por meio de nós (cf. Mc 13, 10-11).
Ler a Bíblia em comunhão com a Igreja
Exatamente porque o Espírito assiste à Igreja de Deus desde o momento de sua fundação, o segundo critério fundamental é ler a Sagrada Escritura sempre em comunhão com a Igreja. De fato, a tradição da Igreja dispõe de um grande tesouro que nos auxilia em muito a compreender, testemunhar e anunciar aquilo que lemos.
Nesse sentido, lugar privilegiado para o encontro com a Sagrada Escritura é a liturgia da Igreja. Nas celebrações litúrgicas, a Palavra escrita é uma das formas pela qual Deus vem ao nosso encontro para salvar-nos. Por isso é ali que, de modo especial, o fiel experimenta a ação transformadora da Palavra em sua vida e recebe a força para anunciá-la.
Fala, Senhor!
Bem, mas você pode estar se perguntando sobre como terminou a conversa com aquele jovem. Ela não terminou. Na verdade, jamais terminará! A Sagrada Escritura é uma fonte inesgotável. Continuamos, ele e eu, a procurar a face do Senhor. E nessa procura, aprendemos com a Sagrada Escritura, todos os dias, dizer a Deus: “Fala, Senhor! O teu servo escuta!” (1 Sm 3, 10) E a cada vez que lhe pedimos, Ele nos fala.
Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Sacramento da Reconciliação
Sou catequista e uma das perguntas mais freqüentes que meus catequisandos me fazem é do por quê devem se confessar. Como explicar melhor? (Luzia, 20 anos, São Paulo, SP)
Olá, Luzia!
Obrigado pela visita ao blog e pela pergunta!
Em primeiro lugar, devemos receber com alegria esse tipo de questionamento, sobretudo vindo de catequisandos! A questão revela a busca de sentido na prática da confissão. Somente quando se compreende o sentido do que se celebra, é possível entender a ligação vital que existe entre doutrina, celebração e vida!
Penso que um primeiro desafio para você, catequista, é levá-los a compreender a doutrina básica sobre os Sacramentos. O Catecismo da Igreja Católica (parágrafos 1113-1130) poderá lhe ajudar a entender melhor o assunto. Geralmente, quando se compreende bem a função dos Sacramentos no plano divino da Salvação, não se pergunta mais sobre a importância e necessidade deles...
Mesmo assim, algumas questões de aprofundamento podem surgir. No caso, do Sacramento da Reconciliação, uma das questões que mais aparece é: "por que devo me confessar com um padre?" Expressões como "eu me confesso só com Deus" revelam não somente a falta de clareza sobre a natureza dos sacramentos em geral como também, nesse caso, a falta de aprofundamento do Sacramento em questão.
No caso do exemplo acima, é importante dizer que o pecado não é somente uma falta contra Deus, capaz de romper, dependendo da gravidade, a comunhão com Ele. Toda a forma de mal possui também um alcance social. No caso do pecado, ele também é uma ruptura da comunhão com a Igreja, o povo de Deus. Durante seu ministério, ao perdoar os pecados, Jesus esclarecia o duplo efeito desse sacramento: o reestabelecimento da comunhão com Deus e a reintegração dos pecadores à comunhão com o povo de Deus. Por isso, o sacerdote, naquele momento, é ministro de Deus na administração do perdão divino, mas também representante de toda a comunidade eclesial, atingida de alguma forma pelo pecado cometido.
A partir disso, penso que um passo interessante é estudar com eles a celebração do Sacramento, procurando compreendê-la em todas as suas expressões. Creio que com isso conseguirão perceber que a graça que ali opera os ajuda a traduzir em atos de vida a experiência do amor Daquele que os perdoa.
Grande abraço!
Deus abençoe a tua missão de catequista!
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P. Mauricio Miranda.
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quarta-feira, 10 de junho de 2009
A virtude da prudência

Quem de nós já não iniciou o dia achando que não ia dar conta de tudo o que deveria fazer? Ou quem de nós alguma vez não concordou com a tese de que o dia deveria ter mesmo mais que 24 horas? De fato, parece que estamos mergulhados numa rotina que nos obriga a realizar o maior número de coisas num espaço cada vez mais curto de tempo.
Claro que tudo isso tem um preço. Para além dos males ligados a saúde - coisa que as publicações do gênero não se cansam de ilustrar - esse estilo de vida pode nos roubar a capacidade de refletir diante das decisões que somos chamados a tomar no dia-a-dia. De fato, a prudência é uma das virtudes mais ausente em nossos dias.
Todas as nossas ações devem estar orientadas para o bem. A prudência é aquela virtude que nos leva a discernir e escolher os meios mais adequados para realizar o bem. Um exemplo? Se para me sentir bem no dia seguinte, devo dormir cerca de oito horas por dia, a prudência é a virtude que me faz desligar o computador e ir dormir na hora certa... Outro exemplo? Se devo preservar a vida das pessoas enquanto dirijo meu carro, a prudência é a virtude que me impede de beber antes de guiar... Poderíamos dar outros inúmeros exemplos, desde os mais "banais" aos realmente importantes. O fato é que, na maioria das vezes, a falta de prudência é uma das principais causas dos males que nos afetam e que nos impedem de ser feliz.
Bem, temos o dia de hoje para nos exercitar!
Eu quero começar já! Espero que você também!
Com afeto salesiano,
P. Mauricio Miranda.
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