segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Espanha - Conclusão

Partimos da cidade de Burgos, ainda na madrugada do dia 26. O trem nos levou à Barcelona, onde ficamos de 26 a 29 de dezembro. Em Barcelona ficamos numa casa salesiana durante todo o tempo em que passamos na cidade. Infelizmente, o frio e a chuva também nos acompanhou durante todo o tempo..., mas não impediu que conhecêssemos algumas das belezas daquela importante cidade espanhola.

Barcelona

Capital da comunidade autônoma de Cataluña, Barcelona é uma cidade do extremo-leste da Espanha, banhada pelo Mar Mediterrâneo, que conta com mais de 1,5 milhão de habitantes. De fundação provavelmente romana, a história da cidade remonta ao século I d.C., mas existem indícios arqueológicos de povos que ali viveram há milhares de anos antes da era cristã. Barcelona é um misto belíssimo de arquitetura antiga e moderna que se harmonizam de maneira extraordinária!

A cidade é bilingue: a língua oficial é o catalão, falado por todas as partes, mas também se ouve o castelhano, sobretudo, em pontos turísticos. O povo, em geral, é muito receptivo! Abaixo, seguem algumas fotos da cidade.


Um dos quarteirões de construções antigas. Mais antigo que esse e de beleza ainda maior é o bairro de arquitetura gótica: vale a pena uma visita!


Arquitetura moderna em Barcelona (fotos acima e abaixo).





Vila Olímpica: a cidade sediou as Olímpiadas de 1992. Na foto, tentando fazer pose de esportista, mas eu sequer conseguia vencer a força do vento que era realmente muito forte! (rs)


O Arco do Triunfo, em Barcelona. Esse é imitação... (rs) O verdadeiro eu veria alguns dias depois...


A famosa Igreja da Sagrada Família, estupenda obra desenhada pelo famoso arquiteto catalão Antoni Gaudí. A obra foi iniciada em 1882 e, embora ainda não concluída, já foi incluída pela UNESCO no sítio do Patrimônio Mundial "Obras de Antoni Gaudí". Ir a Barcelona e não ver a Sagrada Família é como não ir a Barcelona...


O beijo de Judas (acima) e a flagelação de Cristo (abaixo), obras esculpidas na pedra, à entrada da Igreja da Sagrada Família.






Vitrais no interior da Igreja da Sagrada Família (fotos acima e abaixo)






Interior da Igreja de Santa Maria do Mar. Belíssimo templo erguido na Idade Média (sec. XIV)sob uma única influência arquitetônica, é o máximo expoente do gótico catalão. Apesar da presença de muitos turistas, é impressionante como o interior do templo convida à oração... Não fosse o curto tempo, passaria horas ali dentro...


Igreja de Santa Maria do Mar: detalhe das colunas que marcam a construção (acima) e do presbitério (abaixo)




Igreja Santa Maria do Mar: detalhes dos vitrais. Na foto abaixo, um fato inesperado... À direita da entrada principal da Igreja, encontro-me com aquele que me acompanha com carinho paterno: Dom Bosco!

sábado, 21 de fevereiro de 2009

7º Domingo do Tempo Comum - Ano B - 2009

Evangelho (Marcos 2,1-12)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

1Alguns dias depois, Jesus entrou de novo em Cafarnaum. Logo se espalhou a notícia de que ele estava em casa. 2E reuniram-se ali tantas pessoas, que já não havia lugar, nem mesmo diante da porta. E Jesus anunciava-lhes a Palavra. 3Trouxeram-lhe, então, um paralítico, carregado por quatro homens. 4Mas não conseguindo chegar até Jesus, por causa da multidão, abriram então o teto, bem em cima do lugar onde ele se encontrava. Por essa abertura desceram a cama em que o paralítico estava deitado. 5Quando viu a fé daqueles homens, Jesus disse ao paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados”. 6Ora, alguns mestres da Lei, que estavam ali sentados, refletiam em seus corações: 7“Como este homem pode falar assim? Ele está blasfemando; ninguém pode perdoar pecados, a não ser Deus”. 8Jesus percebeu logo o que eles estavam pensando em seu íntimo, e disse: “Por que pensais assim em vossos corações? 9O que é mais fácil: dizer ao paralítico: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te, pega a tua cama e anda?’10Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem, na terra, poder de perdoar pecados, — disse ao paralítico: — 11eu te ordeno: levanta-te, pega tua cama, e vai para tua casa!”12O paralítico então se levantou e, carregando a sua cama, saiu diante de todos. E ficaram todos admirados e louvavam a Deus, dizendo: “Nunca vimos uma coisa assim”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Espanha - Parte 2

Logo pela manhã do dia de Natal, partimos de Santiago de Compostela rumo à cidade de Barcelona. Como deveríamos cruzar todo o norte da Espanha, acabamos fazendo de Burgos, nossa "cidade dormitório". É até uma "ofensa" qualificá-la assim, já que por sua beleza e história, valeria passar alguns dias com calma por ali para conhecê-la bem, mas nós permanecemos por lá apenas durante uma noite, para então prosseguir viagem.

Ao chegar em Burgos, nos deparamos com uma situação inesperada. O trem nos deixou numa estação que havia sido inaugurada fazia cerca de dez dias. A antiga estação era bem no centro da cidade, porém a nova estação era uma moderna construção (linda mesmo!) localizada bem no meio do nada! (rs). Não havia casas por perto, nenhum meio de transporte público ou privado. Ah, também não havia telefone público para qualquer emergência. Bem, o frio era algo próximo ao terrível... (rs) Para além da baixa temperatura (baixa mesmo, abaixo de zero...), o vento forte piorava a sensação térmica. Por sorte, encontramos um casal espanhol que também chegava à cidade e que, já sabendo da situação da nova estação, havia reservado um táxi para buscá-los. Com o nosso "portunhol", conseguimos carona no mesmo táxi. Até que a aventura saiu barata, já que dividimos a corrida... (rs)

Burgos

Município da província de mesmo nome, Burgos é uma bonita cidade localizada ao centro-norte da Espanha. Possui cerca de 175.000 habitantes e, para além da beleza de sua arquitetura (sobretudo aquela inspirada na arte gótica), possui uma importante história: fundada como uma fortaleza no século IX d.C., já no século XI constituía um importante centro que lhe rendeu o título de sede episcopal. Durante a Guerra Civil espanhola, Burgos foi a sede do governo de Franco (ditador espanhol) durante os anos de 1936 a 1939.

Abaixo, seguem algumas fotos que conseguimos tirar no pouco tempo em que estivemos na cidade. A maioria não tem legendas porque também não pudemos tirar informações sobre o local (acreditem: a estação não tinha nada mesmo, só o trem que parava por ali... rs). As fotos que possuem legenda se referem aos locais que possuíam alguma placa com indicação.

A gente se vê!

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.








Centro da Cidade



Sede do governo por ocasião da Guerra Civil Espanhola


Monumento à frente da antiga sede do governo (detalhe).



Nesse palácio, o rei da Espanha recebeu Cristóvão Colombo, aos 23 de abril de 1497, depois que ele retornava de sua viagem ao Novo Mundo (América).

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Espanha - Parte 1

Depois de passado o período intenso de provas, retomo as postagens sobre a viagem que fiz durante os últimos dias de 2008. Já vimos as fotos dos três dias em que estive em Portugal. Agora, convido você que me acompanha pelo blog a "viajar" pela Espanha. Na Espanha, estivemos durante seis dias. Ao longo dessas três próximas postagens, tentarei partilhar um pouco do muito que pude viver naquele belo país.

Santiago de Compostela

Santiago de Compostela é a capital da Galícia, umas das regiões da Espanha e localiza-se na Província de Coruña, na parte noroeste do país. Com cerca de 95.000 habitantes, é mundialmente conhecida em virtude da Catedral de Santiago, construída sobre o túmulo de Tiago Maior, Apóstolo de Cristo (cf. Mt 10, 1-4).

Antes que me perguntem, respondo que infelizmente não fiz nenhum dos caminhos de peregrinação. Confesso ser uma vontade pessoal (quem sabe um dia...), mas não dispunha de tempo e condições para fazê-lo agora. De Fátima (Portugal), seguimos de ônibus para Santiago, onde chegamos aos 23/12 e permanecemos até 25/12.

Tivemos a graça de passar o Santo Natal em Santiago! Graça mesmo! Para além da graça de estar numa data tão importante em lugar tão especial, foi inesquecível também a convivência com os irmãos salesianos que nos receberam tão bem e conosco condividiram momentos de intensa fraternidade!

Na Vigília de Natal, após a Ceia, ainda fui mais uma vez à Catedral junto com um dos irmãos de lá para celebrar a Missa do Galo (às 0h), presidida pelo Arcebispo de Santiago. Dia 25/12, logo pela manhã, tomamos o trem em direção ao nosso próximo destino.

A gente se vê!
Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.


Ruas de Santiago de Compostela (detalhe, acima e abaixo)





A torre da Catedral vai surgindo à medida em que se caminha pelas ruas estreitas do centro histórico.


Entrada de um dos câmpus da Universidade de Santiago de Compostela.



A belíssima Catedral vista de longe.


Uma das torres da Catedral iluminada pelo Sol, no final de tarde.



A frente da Catedral de Santiago


A imagem do Apóstolo acima de um dos edifícios públicos.


Imagem à entrada da Catedral.


Catedral de Santiago (vista da porta principal)

Altar principal da Basílica, construído sobre o túmulo do Apóstolo Tiago.

A cripta com o túmulo do Apóstolo.

Urna com os restos mortais do Apóstolo.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

6º Domingo do Tempo Comum - Ano B - 2009

Evangelho (Marcos 1,40-45)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 40 um leproso chegou perto de Jesus e, de joelhos, pediu: “Se queres, tens o poder de curar-me”. 41 Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero: fica curado!”.42 No mesmo instante a lepra desapareceu e ele ficou curado. 43 Então Jesus o mandou logo embora, 44 falando com firmeza: “Não contes nada disso a ninguém! Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moisés ordenou, como prova para eles!”45 Ele foi e começou a contar e a divulgar muito o fato. Por isso Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade; ficava fora, em lugares desertos. E de toda parte vinham procurá-lo.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!


Para compreendermos bem a força da mensagem do trecho do Evangelho lido nesse 6º Domingo do Tempo Comum, precisamos entender o que significa, ao longo de toda a Sagrada Escritura, a figura de um leproso. Em geral, o leproso era sempre sinal de pecado, da infidelidade a Deus. A lepra era, por isso, um sinal visível das conseqüências do pecado cometido. Tais conseqüências eram de ordem física (ele, na verdade, era doente) e espiritual (era considerado impuro). Por esses mesmos motivos, o leproso era proibido de se aproximar de quem quer que fosse.

Mas aquele que o Evangelho desse domingo nos permite conhecer, movido pela fé, dá um passo além e ultrapassa os preceitos da lei para se aproximar do Senhor. Também Jesus vai além dos preceitos! Isso porque a toda a pessoa era proibido sequer se aproximar de algum leproso, quanto mais o tocar! O Evangelho nos conta que Jesus "cheio de compaixão, estendeu a mão e tocou nele".

Mas o mais importante é o resultado dessa ação cheia de compaixão do Senhor: a cura e purificação do leproso. E o que significava isso? Naquele contexto, significava que Jesus havia perdoado seus pecados, cancelado suas culpas e devolvido toda a dignidade que ele havia perdido. Em outras palavras, a ação de Deus foi capaz de restaurar por completo a vida e pessoa daquele leproso.

Jesus, ainda hoje, continua querendo nos encontrar. Um dos modos mais privilegiados como Ele se aproxima de nós é pela celebração dos Sacramentos. Pelo Sacramento da Reconciliação, mediante a confissão dos nossos pecados, Ele nos toca; e esse verdadeiro abraço de amor é capaz de perdoar e cancelar todas as feridas de nossa "lepra", dos pecados que cometemos. E justamente porque nos perdoa, pelo mesmo Sacramento, o Senhor nos devolve a dignidade que o pecado nos havia feito perder.

Mas não só! Pela celebração do Sacramento da Eucaristia, o Senhor permanece de modo definitivo dentro de nós, restaurando-nos dia após dia, dando-nos a força de que necessitamos para viver uma vida nova!

Não resistamos ao amor de Deus! Não importa o que tenhamos feito no passado! Não importa o que, talvez, estejamos vivendo nesse momento! Deixemos "os preceitos" de lado e demos um passo na fé: nos aproximemos do Senhor, certos de que seu abraço de perdão é, de fato, capaz de devolver o sentido de toda a nossa vida!

Que Deus abençoe sua vida!

Com afeto salesiano,

Pe. Mauricio Miranda.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

5º Domingo do Tempo Comum - Ano B - 2009

Evangelho (Marcos 1,29-39)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 29 Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André. 30 A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus. 31 E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los. 32 À tarde, depois do pôr-do-sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio. 33 A cidade inteira se reuniu em frente da casa. 34 Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios. E não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era. 35 De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. 36 Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. 37 Quando o encontraram, disseram: “Todos estão te procurando”. 38 Jesus respondeu: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim”. 39 E andava por toda a Galiléia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!


Continuamos a avançar no caminho do seguimento de Jesus. Que terá o Senhor a nos ensinar, por meio do Evangelho desse Domingo, a respeito de como ser verdadeiros discípulos no mundo de hoje?

O Evangelho desse 5º Domingo do Tempo Comum é um conjunto de diversos episódios da vida de Jesus que parecem ter a intenção de descrever o seu dia-a-dia: ele deixa a Sinagoga onde pregava (1,21-28); se dirige à casa de Simão e André onde cura a sogra de Simão (1, 29-31); após o pôr-do-sol, recebe e cura uma multidão de doentes, libertando muitos endemoninhados (1,32-34); antes do dia clarear, se dirige a um lugar deserto para orar (1,35); volta do lugar com Simão dirigindo-se a pregar por toda a Galiléia (1,36-39). Essa série de relatos tem dois objetivos muito específicos:

1º) Manifestar a estreita união entre Jesus e seus discípulos. Notem que ao longo dos vários relatos desse Evangelho, Jesus nunca fica sozinho por muito tempo. Ele está sempre rodeado por seus discípulos que parecem acompanhá-lo a todo o tempo e em todo o lugar. É justamente no seguimento atento de seu Mestre que os discípulos vão pouco a pouco descobrindo o mistério de sua pessoa.

Que isso pode significar para nós hoje? Bem, parece clara a resposta. O seguimento de Jesus implica uma decisão amorosa por sua pessoa. Precisamos nos decidir por Ele e acompanhá-lo com a nossa vida. Em outras palavras, significa dizer que precisamos crescer na amizade com Jesus. Isso requer, por exemplo, que melhoremos nossa vida de oração, que busquemos mais vezes a celebração dos Sacramentos (em especial a Eucaristia e a Reconciliação), que cresçamos na leitura cotidiana da Palavra de Deus, todas formas para melhor conhecê-lo.

2º) Exemplificar como deve ser a vida de todo discípulo que deseja se colocar no seguimento de Jesus: uma vida doada a Deus e aos outros. Notem que Jesus se ocupa o tempo inteiro dos outros. Ele é, de fato, uma boa notícia por onde passa!

Que isso pode significar para nós hoje? Significa que quem se coloca no seguimento do Senhor assume um estilo de vida que contraria os princípios desse mundo, onde a maioria coloca os próprios interesses acima das pessoas. Ser discípulo do Senhor nesse mundo implica reconhecer em cada pessoa humana o seu valor incomensurável de Filho de Deus. Mas você pode estar pensando ser impossível viver assim. Impossível, não! Difícil, talvez... Mas o próprio Senhor nos dá o exemplo: sua missão era reflexo de sua profunda comunhão com o Pai, por isso se retirava para orar. Busquemos na oração o rosto do Senhor e a força para reconhecer seu rosto na face de cada pessoa a quem Ele mesmo nos envia.

Com afeto salesiano
Pe. Mauricio Miranda.