domingo, 13 de abril de 2008

Exercícios Espirituais na Polônia - Parte 4

4º dia: Debniki, Castelo Real de Wawel e arredores de Cracóvia

O quarto dia do Retiro foi dedicado ao estudo dos anos de juventude de Karol Woytilla, transcorridos em Cracóvia. Cracóvia, na verdade, foi a grande cidade de sua vida. Ali ele viveu, junto de seu povo, inúmeras dificuldades no tempo da invasão nazista, seja como jovem universitário, seja como seminarista clandestino. Na época do seminário, trabalhava ao longo de todo o dia e arrumava tempo para estudar sem que ninguém soubesse. Ele mesmo contava que, no trabalho, alguns amigos que sabiam de sua situação, permitiam que ele se ausentasse por algum tempo do trabalho para dar conta da leitura dos enormes livros que tinha para ler.

Fato curioso é que nesse tempo de sua juventude, os Salesianos de Dom Bosco tiveram um papel importante em sua formação religiosa e no surgimento de sua vocação. Ele, quando jovem, frequentava a paróquia salesiana de Debniki, um bairro da cidade de Cracóvia. Ele próprio, em seu livro "Dom e Mistério", lançado por ocasião de seus 50 anos de sacerdócio, relata a importância que as pessoas e aquele ambiente tiveram em sua vida (a tradução é minha e não observa nenhum rigor lingüístico):


"Devo ainda falar do período antecedente a minha entrada no seminário. Não posso, de fato, deixar de recordar um ambiente, e nesse lugar, um personagem de quem recebi muito, de verdade. O ambiente foi aquele de minha paróquia intitulada Santo Estanislau Kostka, em Debniki, em Cracóvia. A paróquia era cuidada pelos Padres Salesianos que um dia foram deportados pelos nazistas para o campo de concentração. Ficou apenas um velho pároco e o inspetor da província; todos os outros foram presos em Dachau. Creio que no processo de formação da minha vocação o ambiente salesiano tenha tido um papel importante."


De fato, depois de se tornar Papa João Paulo II, karol Woytilla confessou, certa vez, que foi diante do quadro de Nossa Senhora Auxiliadora, naquela paróquia que, em oração, ele recebeu a graça da vocação sacerdotal. Por isso, em sua última viagem a Polônia, ele fez questão de visitar nossa paróquia. Ainda que não tenha entrado (devido aos problemas de locomoção que já apresentava em idade muito avançada), parou à entrada da Igreja e rezou diante do quadro...

Durante o quarto dia do retiro, pela manhã tivemos oração, pregação e longo tempo para oração pessoal. À tarde, visitamos a paróquia salesiana. As fotos abaixo falam um pouco do local.


Paróquia salesiana de Debniki, Cracóvia (acima e abaixo)




Capela, onde hoje, se encontra o quadro de Nossa Senhora Auxiliadora, diante do qual o jovem Woytilla rezava sempre. À esquerda, está uma perfeita escultura feita por dois seminaristas salesianos da Polônia, em homenagem ao "ilustre paroquiano"...

A imagem de João Paulo II: a riqueza de detalhes é impressionante, parece vivo!

Eis o quadro diante do qual o jovem Woytilla rezava sempre. Depois de se tornar João Paulo II, ele confessou que foi diante dessa imagem que ele, recebeu de Nossa Senhora Auxiliadora, a graça da vocação sacerdotal...

Assim que saímos da paróquia salesiana de Debniki, fomos visitar o Castelo Real de Wawel. E por que visitamos esse local em dia de Retiro? Em primeiro lugar, porque, bem no meio do Castelo encontra-se a Catedral de Cracóvia, local de onde por longos anos, o simpático Cardeal Arcebispo karol Woytilla, governou e animou a Igreja de Cracóvia, até que o Senhor o chamou para ser Pastor da Igreja Universal. Na cripta da Catedral está o altar onde o recém-ordenado Padre Woytilla celebrou sua primeira missa. Outro fator que nos levou a realizar a visita ao Castelo Real é porque, de fato, a visita ao local é obrigatória para quem deseja conhecer a história de Cracóvia e de toda a Polônia.

Não pudemos retirar fotos das dependências do Castelo, mas apenas do saguão de entrada. Posso contar, no entanto, que o interior é belíssimo, bem conservado até os dias de hoje. A visita é uma verdadeira aula de história, já que retrata bem a sociedade polaca da Idade Média. Abaixo segue algumas das fotos que pudemos tirar do local.

Vista do Castelo Real de Wawel

Vista do Castelo Real de Wawel

Vista do Castelo Real de Wawel

Catedral de Cracóvia (o interior também não pode ser fotografado; é belíssimo!...)

Cripta da Catedral: esse foi o altar onde o jovem padre Karol Woytilla celebrou sua primeira missa. Disse certa volta que escolheu esse local para sua primeira missa, pois, de fato, nessa cripta está sepultada toda a história da Polônia. Na foto não é possível ver, mas nos arredores da cripta estão os túmulos de vários personagens importantíssimos para a história polonesa, grandes e homens e mulheres de Deus.

Por fim, depois da visita ao Castelo Real e à Catedral de Cracóvia, visitamos os lugares históricos de Cracóvia relacionados à vida de João Paulo II. Seguem algumas fotos de alguns dos lugares mais interessantes.

A rua mais antiga da Polônia. Ela existe desde o século VIII!

Curia Metropolitana de Cracóvia. Aí trabalha o atual Cardeal arcebispo de Cracóvia e, por muitos anos, sob o regime comunista polônes, trabalhou o Cardeal Karol Woytilla. Todas as vezes que ele visitou, como Papa, sua querida Polônia, se hospedou nesse local. Aparecia e falava ao povo daquela pequena janela, onde, pela foto, se pode ver uma pequena foto sua. Pude assistir à gravação de um filme de uma dessas aparições. Para além de ser um papa polonês (o que sem dúvida alguma causava comoção em todos os presentes na praça diante da Cúria), João Paulo II emocionava pela simples presença e jeito de ser. Eu também me emocionei ao assistir ao filme...

Praça do Mercado, em Cracóvia. Aí está o coração de Cracóvia. A praça é também um dos pontos mais antigos da cidade (séc. VIII) e foi palco de muitos episódios da história desse povo. Na foto, parte de nosso grupo. Só por essa foto se pode imaginar a experiência interessante que se faz por aqui da presença salesiana no mundo. De fato, Dom Bosco e seu carisma penetraram os mais diversos locais do planeta. Para citar alguns, na foto, todos salesianos (tirando a guia! rs), provenientes de Moçambique, Espanha, Índia, Vietnã, Congo, Ruanda, Tailândia, México e Brasil (hehe.. dá pra ver?!)

Praça do Mercado (Detalhe)

Primeira paróquia de Cracóvia; um dos mais belos e maiores símbolos da Praça do Mercado (abaixo, uma foto do interior da Igreja: belíssima!)

A mais antiga universidade de Cracóvia. Aqui, o jovem Karol Woytilla era estudante quando os nazistas invadiram o prédio e o ocuparam. Outro célebre aluno dessa Universidade é Nicolau Copérnico (*1473 +1543)

Placa indicativa da casa da família de Karol Woytilla na Polônia. Ele morava aí quando jovem. Foi aí também, escondido no porão da casa, que ele escapou de ser preso pelos nazistas que invadiram a casa (abaixo, a casa vista de frente).

Ao entrar na cidade de Cracóvia, se pode ver, à esquerda da estrada, no alto do monte, o casarão que, durante a ocupação nazista, serviu como Sede do Partido Nazista.

domingo, 6 de abril de 2008

O Senhor esteja convosco! Ele está no meio de nós!

3º Domingo da Páscoa - Ano A - 2008

Evangelho (Lucas 24, 13-35)
— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, † segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado, chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o reconheceram. Então Jesus perguntou: "O que ides conversando pelo caminho?" Eles pararam, com o rosto triste, e um deles, chamado Cléofas, lhe disse: "Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?" Ele perguntou: "O que foi?" Os discípulos responderam: "O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu". Então Jesus lhes disse: "Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?" E, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele. Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: "Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!" Jesus entrou para ficar com eles. Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. Então um disse ao outro: "Não estava ardendo o nosso coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?" Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros. E estes confirmaram: "Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!" Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão."

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.


Devo começar essa postagem, desculpando-me pela minha ausência nos últimos dois domingos. Como puderam observar nas postagens anteriores, estive impossibilitado de acessar a internet naquelas ocasiões. Nesse 3º Domingo do Tempo Comum retomamos nossa caminhada de reflexão semanal sobre o Evangelho de cada Domingo.

No Domingo de Páscoa, lemos que aqueles que foram ao túmulo na manhã do primeiro dia da semana, o encontraram vazio, com os panos de linho dobrados pelo chão (João 20, 1-9). No 2º Domingo da Páscoa, acompanhamos o relato da aparição de Jesus aos seus díscípulos por duas vezes e da incredulidade de Tomé (João 20,19-31).

Se observarmos bem, veremos que também nesse 3º Domingo de Páscoa o Senhor continua se manifestando aos seus discípulos (Lucas 34, 13-35). E por que? Porque a experiência pascal implica realmente isso: o encontro decisivo que a comunidade cristã reunida faz com o Senhor Ressuscitado. Por isso, hoje, Ele continua querendo se manifestar a nós, no cotidiano de nossas vidas; também nós somos convidados, como comunidade de fiéis reunidos no Nome dele, a nos encontrarmos cotidianamente com Ele. Não é à toa que na Celebração Eucaristica, minimamente por três vezes, o sacerdote diz: "O Senhor esteja convosco" e a assembléia é convidada a responder: "Ele está no meio de nós!" Essa é a certeza que devemos levar no coração: Ele está no meio de nós, não nos abandona, caminha ao nosso lado! É assim que podemos dizer que celebramos a força da Ressurreição do Senhor, quando permitirmos que Ele se manifeste com todo seu amor e poder na vida de nossa comunidade!

1. "... e começou a caminhar com eles." (Lucas 24, 15)

No início do Evangelho desse Domingo, vemos a Igreja ser retratada como de fato ela é: povo de Deus que caminha pelas estradas do mundo. Os discípulos de Emaús caminhavam juntos e eis que, "enquanto caminhavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles." (Lucas 24,15)

O mesmo acontece conosco, hoje. Jesus continua a caminhar conosco. O próprio Papa Bento XVI, na oração do meio-dia (Ângelus) de hoje, disse aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro: "Emaús é o lugar por onde caminha cada cristão".

2. "...estavam como que cegos e não o reconheceram." (Lucas 24, 16)

Interessante observar que os discípulos de Emaús não eram pessoas que nunca haviam ouvido falar do Senhor. Não! Eles eram verdadeiros discípulos. Tanto é verdade que, quando Jesus (que eles não reconheciam naquele momento) lhes pergunta sobre o que iam falando, eles não exitam em lhe responder que falavam de Jesus, "um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo." (Lucas 24, 19). No entanto, ainda não tinham dado o passo mais decisivo na fé, o de participarem efetivamente da Ressurreição de seu Senhor; por isso não o reconheciam naquela situação de suas vidas.

Tenho a nítida impressão de que inúmeras pessoas ainda hojem vivem assim... Há aquelas que não vão à Igreja, mas que dizem crer em Deus, ainda que essa "fé" não faça realmente diferença na vida de nenhuma delas. Há também aquelas que freqüentam a Igreja e que são capazes de falar a respeito daquilo que sabem sobre Jesus, mas, no entanto, é apenas um conhecimento de "ouvir falar" que não atinge as áreas mais profundas de suas vidas. Como não nos recordar daquelas que estão decepcionadas com o Senhor, justamente por não compreenderem que Ele caminha ao lado delas, independente da situação pela qual atravessam; essas últimas, como os discípulos de Emaús, repetem todos os dias "nós esperávamos que Ele fizesse algo, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram e ninguém ouviu falar Dele..." (cf. Lucas 24, 21). A todas essas pessoas, no entanto, falta ainda reconhecer que o Deus vivo nunca as abandona! A ausência da real experiência do Ressuscitado é o grande mal que assola o coração de muita gente de nosso tempo. Eis a primeira certeza de que precisamos, verdadeiramente, tomar posse: Ele está no meio de nós! E isso não é "faz-de-conta", nem força de expressão! É a mais pura e bela realidade, capaz de transformar uma vida inteira!

3. "Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus." (Lucas 24, 31)

Você pode se perguntar, depois dessa nossa breve reflexão: "Mas onde e como posso realizar essa real experiência com o Senhor Vivo?" Essa parece ter sido a mesma pergunta levantada pela comunidade para a qual foi escrito o Evangelho de Lucas, pois a intenção do autor do Evangelho, sobretudo, nesse trecho que agora analisamos, é claramente uma só: ensinar onde é possível reconhecer a presença do Senhor Ressuscitado e entrar em encontro permanente com Ele.

Note que os discípulos reconhecem o Senhor quando Ele parte o pão (cf. Lucas 24, 31), mas imediatamente se recordam também que seus corações ardiam quando quando Ele lhes falava pelo caminho e lhes explicava as Escrituras. (cf. Lucas 24, 32). Se formos bem atentos, veremos que o relato do caminho de Emaús traz consigo dois momentos fundamentais: o primeiro é quando Jesus, "começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele." (Lucas 24, 27) e, um segundo momento, "quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía." (Lucas 24, 30).

Que isso significa? Implica dizer que os discípulos reconhecem o Senhor a partir de duas ações fundamentais: a escuta da Palavra e a fração do Pão. Ora, não são justamente as partes fundamentais que constituem a Celebração Eucarística: Liturgia da Palavra (quando a Palavra de Deus é proclamada e acolhida) e a Liturgia Eucarística (quando o sacerdote, repetindo os gestos de Jesus, toma o pão, abençoa-o e o distribui)?

Essa é a grande mensagem do Evangelho de hoje e também a grande resposta a sua pergunta: é na Celebração Eucarística, de modo privilegiado, que fazemos a experiência do Senhor Ressuscitado! Ainda que, como os discípulos de Emaús, não o vejamos com os olhos físicos, já que Ele "desapareceu da frente deles" (Lucas 24, 31), nós o podemos senti-Lo e acolhê-Lo na fé! Por isso, na Missa, mediante as palavras do sacerdote quando diz: "Eis o mistério da fé!", respondemos com convicção: "Anunciamos a vossa morte, Senhor, e proclamamos a sua Ressurreição! Vinde, Senhor Jesus!"

É justamente quando passamos a compreender essas coisas, que nossa vida passa a ter novo valor e sentido, já que ela passa a ser enxergada à luz de cada Eucaristia. E nesse sentido, as missas passam a ser para nós, não mero dever a cumprir, mas real necessidade para nossa vida!

Querido(a) amigo(a), talvez você esteja distante da Missa há um bom tempo ou não tem encontrado muito sentido em participar dela. Que tal começar fazer valer a pena essas simples palavras que repetimos continuamente: "Sim! É verdade! Ele está no meio de nós!" ? Espero e rezo para que você descubra a força dessas palavras em sua vida!

Com afeto salesiano
P. Mauricio Miranda.


Exercícios Espirituais na Polônia - Parte 3

3º dia: Wadowice e Oswiecim (Auschwitz)

Dia 26/03 foi o dia mais frio de toda semana. Os termômetros chegaram a registrar índices negativos em várias partes do país. Ao amanhecer e abrir a janela do quarto, pela primeira vez na vida, pude ver a neve que cobria tudo! Uma visão fantástica! Um pequeno presente de Deus...


O terceiro e o quarto dias do Retiro foram dedicados à reflexão sobre os anos da juventude e da idade adulta de João Paulo II até o momento de sua nomeação como Papa. Agora, vamos falar das coisas que vivemos no terceiro dia, talvez um dos mais "impactantes" de toda essa caminhada espiritual.

Logo depois das orações da manhã, ouvimos uma pregação sobre a vida de Karol Woytilla, enquanto cidadão polaco. De fato, na Polônia, ele nasceu, cresceu e passou a maior parte de sua vida, antes de ser chamado a servir a Igreja como Sucessor de Pedro. Para entender sua história, personalidade e espiritualidade, é necessário compreender minimamente o contexto social e político de seu tempo. Por isso também nesse dia, à tarde, ao longo do trajeto que percorremos de ônibus, assistimos a dois documentários sobre sua vida durante a Segunda Guerra Mundial, quando a Polônia estava sob domínio nazista e, depois, os anos passados sob o governo comunista. O primeiro lugar que conhecemos foi Wadowice, cidade natal de João Paulo II e, depois, visitamos os campos de concentração nazistas de Auschwitz.

Impossível relatar aqui a riqueza que significou esse dia para mim e para todos os que realizaram esse Retiro Espiritual. Tentarei, em breves palavras, relatar um pouco como as coisas aconteceram.

Wadowice

Famosa sobretudo por ser a cidade natal de João Paulo II, Wadowice fica cerca de 48 km de Cracóvia e conta com pouco mais de 35.000 habitantes. Situada na região da Pequena Polônia, é, hoje, o centro administrativo do Distrito de Wadowice. A cidade é muito acolhedora, mas não apresenta nada de diferenciado, a não ser a casa natal de João Paulo II que, hoje, é museu que abriga objetos de seu uso pessoal. Além da casa onde nasceu, visitamos à Igreja Paroquial não muito distante dali, onde Karol Woytilla recebeu o Sacramento do Batismo. A pia batismal conserva-se intacta e, diante dela, já como João Paulo II, em uma de suas visitas à Polônia, ele fez questão de rezar.

Vista de Wadowice


Casal onde nasceu Karol Woytilla (João Paulo II)


Entrada do Museu dedicado a João Paulo II


O caminho à Igreja Paroquial


Igreja Paroquial onde Karol Woytilla foi batizado.

Monumento dedicado ao mais famoso paroquiano do local...



Interior da Igreja

Pia batismal onde Karol Woytilla recebeu o Sacramento do Batismo


Oswiecim

Ao sairmos de Wadowice, fomos em direção a Oswiecim (60 km de Cracóvia). A cidade possui uma história quase milenar, tendo surgido no início do século XII. Em 1940, foi invadida e conquistada pelos nazistas que construíram ali os famosos campos de concentração. "Auschwits" é a versão alemã do nome polaco "Oswiecim". Hoje, a cidade, que conta com cerca de 40.000 habitantes, conserva seu nome em polaco, mas abriga em seu território, a amarga lembrança do maior campo de concentração da Segunda Guerra Mundial, responsável pela morte de mais de um milhão de pessoas.

Antes de visitarmos o Campos de Concentração, paramos na casa salesiana presente naquela cidade. Um fato curioso é que a obra salesiana dali foi a única escola que permaneceu em funcionamento durante a ocupação nazista. Os salesianos conseguiram permissão para continuar suas atividades apenas com uma escola profissional. Na Casa Salesiana de Oswiecim, nós celebramos a Eucaristia, almoçamos e depois partimos para a visita ao Campo de Concentração de Auschwitz.

Obra Salesiana de Oswiecim

Eucaristia celebrada pelo grupo de salesianos em Retiro


O campo de Auschwitz

Entre maio de 1940 e janeiro de 1945, cerca de 1.100.000 pessoas, em grande parte judeus, morreram em Auschwitz. O Campo de Concentração de Auschwitz foi construído nas dependências dos quartéis do exército polonês. Para atender à demanda de prisioneiros de guerra enviados àquele lugar, foram construídos também numerosos "campos satélites", de cujo complexo, Auschwitz era o centro administrativo. Dentre esses "campos satélites" visitamos o Auschwitz II - Birkenau (situado próximo à localidade de Brzezinka). Este campo é famoso por ter abrigado, no auge de sua atividade, seis câmeras a gás e quatro fornos crematórios...

Não é preciso dizer que a sensação de quem visita um lugar como esse é uma das piores já experimentadas na vida. Ali se tem certo contato de até onde chega o egoísmo e a barbárie humanos. No silêncio absoluto que reina em todos os lugares de Auschwitz é possível escutar milhões de gritos humanos vitimas daquele genocídio. Infelizmente, aquilo que se pode ver em Auschwitz (as fotos abaixo não são nem 10%) não são peças de museu como se fossem coisas do passado. Podemos imaginar as coisas que acontecem nos interiores de "campos de concentração" que ainda hoje se erguem nas regiões castigadas por guerras... São atrocidades que o mundo não vê, mas acontece, exatamente como na época de Auschwitz. O apelo de Auschwitz permanece eloquente. Ele continua sendo um monumento vivo à paz! Dali, a única palavra que sai do coração, vai em direção a Deus, para dizer tão somente: "Misericórdia de nós, Senhor!"



Porta de entrada do Campo de Auschwitz. Ao alto se podia ler "o trabalho renderá a liberdade". Não passava de uma propaganda enganosa, já que as pessoas que atravessavam esse portão, nunca mais voltariam a sair por ele...

Alojamentos do campo (fotos acima e abaixo)onde os prisioneiros eram colocados. Em alguns desse prédios funciona o museu de Auschwitz. Outros, no entanto, são conservados tal e qual o eram na época do massacre.







Cela onde morreu São Maximiliano Maria Kolbe, padre polonês, canonizado por João Paulo II; deu sua vida no lugar de um condenado à morte por que este era um pai de família. Nesse mesmo campo de concentração, morreram personalidades como Santa Edith Stein.



Fornos crematórios reconstituídos. Depois de serem mortos nas duchas de ácido ou nas câmaras de gás, as pessoas eram incineradas em fornos como esses. Sabe-se que as mulheres e crianças que chegavam ao campo eram mortos no mesmo instante; apenas os homens que podiam aguentar o duro ritmo de trabalho escravo, sobreviviam por mais tempo.

Placa na entrada do Campo de Concentração de Birkenau.

Entrada do Campo de Birkenau. Os prisioneiros eram trazidos por trem que os deixava dentro do campo. Dali, separavam-se os homens de suas mulheres e filhos. Os primeiros, como dissemos anteriormente, eram levados para os alojamentos, os demais, todos imediatamente mortos. Apenas algumas crianças sobreviviam para serem submetidas à experiências "científicas" desumanas.


Imagens à entrada do campo da chegada dos prisioneiros.

A quantidade de alojamentos de Birkenau nos dá a idéia da multidão de pessoas que por ali passaram...




Espaço interno de um dos alojamentos. Os prisioneiros dormiam amontoados como animais nesses comprtimentos, sem nenhum tipo de aquecimento. Quando visitávamos esse lugar, a temperatura chegou a -2ºC. No entanto, fomos informados que, no inverno rigoroso, a temperatura do lugar chega a -20ºC. Por esse motivo, os que não morriam pelo esforço do trabalho, acabavam morrendo doentes, geralmente, vítimas por epidemias descontroladas que acometiam esses alojamentos...

Espaço reservado como banheiro pelos prisioneiros. Como se vê, não havia higiene alguma, o que ocasionava mais doenças epidêmicas, responsáveis pela morte de outras milhares de pessoas.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Exercícios Espirituais na Polônia - Parte 2

2º dia: Yasna Gora (Czestochowa)


Como disse, anteriormente, o Retiro Espiritual teve início dia 24/03, às 20h. Nesse instante, em todo o Retiro Espiritual, fazemos uma oração solene de abertura e ouvimos a primeira pregação que tem por objetivo nos preparar para os momentos que viveremos e para a dinâmica de todo o Retiro. Após esse momento, cultiva-se o silêncio até a manhã do dia seguinte.

O dia 25/03 foi dedicado à Nossa Senhora. Iniciamos nossa revisão de vida, contemplando o exemplo da Mãe de Jesus, como modelo de consagração a Deus e de serviço generoso ao próximo. Ela é, de fato, Mãe dos Filhos de Dom Bosco. De fato, todo salesiano tem uma história especial com a Virgem... Como sacerdotes, também temos uma relação muito particular com ela... Nós, salesianos em Retiro, confiamos toda a nossa vocação à ela, pedindo-lhe a graça de uma fidelidade cada vez mais intensa e amorosa ao Senhor.

Como o Retiro acontecia nas terras de João Paulo II, refletimos, ao longo de toda a manhã, motivados pela pregação no início do dia, sobre a devoção que Karol Woytila tinha por Nossa Senhora e como essa devoção moldou sua própria espiritualidade. De fato, é algo impressionante o amor que ele nutria pela Virgem desde o início de sua vida. O mundo, no entanto, veio a conhecer a grandeza de tal amor, ao longos dos anos de seu Pontificado.

Na parte da tarde, visitamos o Santuário de Nossa Senhora de Czestochowa, devoção muito popular em toda a Polônia. João Paulo II, ainda como jovem e ao longo de toda a sua vida, muitas vezes se dirigiu àquele Santuário para ali rezar. Nas linhas abaixo, apresento-lhes o local e lhes descrevo o primeiro momento mais intenso que vivi ao longo desse Retiro.

Czestochowa

Czestochowa é uma cidade polaca, localizada na região da Slesia, a 200 km da capital Varsóvia e a 100 km de Cracóvia. Tem pouco mais de 250.000 habitantes e é famosa por abrigar o Santuário da Virgem de Czestochowa. O Santuário é, sem dúvida, um dos mais importantes centros de culto católico do mundo. Recebe, anualmente, cerca de quatro milhões de peregrinos de todas as partes. A razão de tanta importância está num quadro que apresenta a Virgem com o Menino Jesus em seus braços, de tradição medieval bizantina.

Há uma tradição lendária que afirma que o próprio São Lucas evangelista teria sido o autor do quadro. Segundo críticos de arte, a pintura, provavelmente, é uma obra de arte que surgiu entre os séculos VI e IX. O que se pode, no entanto, com segurança afirmar, é que o quadro da imagem milagrosa e a devoção que se criou em torno da gravura por ele representada é antiquíssima e marcou profundamente a história e a vida de toda a nação polonesa.

Minha experiência em Czestochowa

Um primeiro sinal de Deus que observei ao chegar em Czestochowa foi a quantidade impressionante de jovens que compõem a massa de peregrinos. Sem medo de errar, posso afirmar que, naquele dia, os jovens formavam a maioria dos que visitavam o lugar. Estavam por toda a parte! Ao entrar na Basílica, uma nova supresa: era comum ver vários desses jovens rezando por longos minutos, de joelhos, com piedade admirável! Ao longo de toda a visita, pudemos, inclusive, conversar com um grupo muito simpático de jovens da Polônia.

Como salesiano, agradeci a Deus por poder avistar tantos jovens aos pés da Virgem. Foram para mim, em todo o momento em que passei por ali, modelo de amor alegre e expontâneo à Nossa Senhora, ao mesmo tempo que, sinal eloqüente de Deus que me continuava a me falar ao coração: cuida da juventude...

No entanto, o momento mais especial de toda a peregrinação foi a Celebração Eucarística. Nosso grupo retirante conseguiu a permissão de celebrar a Eucaristia na pequena capela onde se encontra o quadro miraculoso da Virgem. Tal capela fica à direita da grande Basílica dedicada à Assunção de Maria.

Celebrar a Eucaristia na pequena capela já foi uma graça admirável de Deus! No entanto, quero ainda lhes relatar aquilo que considerei um presente, muito particular, ainda maior. Todos nós, padres, nos preparávamos para a Missa, na Sacristia da Capela. Senti, no coração, um sentimento muito interessante. Creio que você já deve ter passado por momentos em que se sentiu muito pequenininho, indigno de estar vivendo um momento tão especial... Era assim que me sentia... Por isso, afastei-me do grupo e, no canto da Sacristia, conversava, minutos antes de iniciar a Missa, com Nossa Senhora, confidenciando-lhe as coisas do coração. Por causa disso, fui o útimo padre a entrar em procissão e, por certo, deveria ocupar o último posto bem ao fundo da capela. No entanto, quando cheguei na última fileira dos bancos, não havia mais lugar e, não tendo por onde sair (de fato, a capela pequena estava lotada... Éramos um grupo de 50 padres!), retornei ao presbitério pensando participar da Missa de dentro da Sacristia. Foi quando um funcionário do local trouxe-me uma cadeira e me fez sentar bem abaixo do quadro de Nossa Senhora, com o rosto voltado para Ela...

Aquilo que para alguns pode ter parecido uma coisa do acaso, para mim calou fundo. Celebrei a Santa Missa, literalmente, aos pés de Nossa Senhora! Não pude controlar minha emoção... De meu coração, só saía a palavra "obrigado"... Não sabia como agradecer um gesto tão simples de carinho... Não entendia o porquê, mas agradecia imensamente aquela graça...

Naqueles preciosos momentos, em que passei aos pés dela, me recordei de tanta gente querida do Brasil... Foi impressionante como vieram à minha lembrança muitos nomes, muito rostos de pessoas que se recomendam às minhas orações ou por quem meu coração pedia para rezar. Pedi que a bondosa Virgem abençoasse a todos, sem exceção!

Confio no amor fecundo de Mãe que dispensa tantos milagres a seus filhos por meio daquele simples quadro, diante do qual, ofereci todos os meus amigos e conhecidos. Por isso, convido você, leitor, a interromper sua leitura agora e a receber a bênção do "colo de Mãe" que eu trouxe daquele lugar tão especial...

Acredito que ela quer te abençoar, a você que lê essas palavras com atenção. Tenho absoluta certeza de que nossa querida Mãe está a seu lado agora, onde você estiver e em que situação estiver. Convido-lhe a rezarmos juntos com Ela, agora. Oremos.

Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita
sois vós, entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre Jesus. Santa
Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte.
Amém.

Desça sobre você, sua vida e intenções, a bênção de Deus todo-poderoso:
Pai e + Filho e Espírito Santo. Amém!



Nossa Senhora de Czestochowa, rogai por nós! (Eis o quadro milagroso)

Entrada Principal do Santuário


A torre da Basílica

A Igreja fica no alto de uma belíssima colina. A imagem de João Paulo, um de seus mais famosos peregrinos, está no alto, abençoando todos aqueles que chegam (fotos acima e abaixo).



Grupo de salesianos que celebrou a Missa na Capela de Nossa Senhora.


A Basílica, dedicada à Assunção de Nossa Senhora, vista por dentro.



A pequena capela onde o quadro da Virgem é venerado.

Missa na Capela de Nossa Senhora. Eu, no canto direito inferior da foto.

Exercícios Espirituais na Polônia - Parte 1

Depois de voltar dos trabalhos de Páscoa, aproveitando o período de recesso escolar, prossegui viagem para a Polônia, onde participei dos Exercícios Espirituais, durante os dias 23 a 30 de março passado.

Você pode se perguntar o que são tais Exercícios Espirituais. Convém explicar antes de prosseguirmos. Exercícios ou Retiro Espiritual é uma prática muito antiga em toda a Igreja, da qual participa todo o tipo de pessoa interessada em aprofundar seu relacionamento com Deus. Há diversas formas de realizá-lo. Nós, salesianos, os fazemos uma vez por mês e, anualmente, dedicamos sete dias inteiros para esta prática. Para nós, ela quer ser um momento de renovação interior, período em que paramos para pensar a própria vida, vocação e ministério à luz da Misericórdia do Senhor e, que portanto, pela força da mesma Misericórdia, renovamos nosso compromisso pessoal de entrega total e radical ao Senhor. É, portanto, para nós, um momento de profunda conversão pessoal e comunitária.

Os estudantes salesianos que moram na Universidade Salesiana de Roma formam um contingente de mais de 200 pessoas. Por isso, dividem-se em três grupos na época de tais Exercícios. Meu grupo, por exemplo, era formado por cerca de 50 padres salesianos, o que torna os gastos com viagens mais baratos, conpensando a locomoção para lugares um pouco mais distantes.

E por que a Polônia? No último dia 02 de abril, a Igreja recordou o terceiro aniversário da morte de João Paulo II. O Papa Bento XVI, em missa presidida na Praça de São Pedro, salientou a importância da figura de seu predecessor para a Igreja e para toda a humanidade. A ida a Polônia teve por objetivo aprofundar o conhecimento sobre e pessoa de João Paulo II e sua fisionomia espiritual. Foram dias de grande enriquecimento, à medida em que compreendíamos como esse Servo de Deus soube responder às exigências de nosso tempo, guiando toda a Igreja ao terceiro milênio da era cristã. Tentarei aqui, comunicar um pouco de toda a graça vivida naqueles dias, em terras polacas.

1º dia: Katowice e Cracóvia

Partimos pela manhã de Roma com destino ao aeroporto de Katowice (Polônia). A viagem de avião é de apenas duas horas, mas acabamos passando a manhã inteira em meio aos atrasos nos aeroportos (sim, por aqui também acontecem essas coisas...).

Katowice

Capital da Província de Slesia, Katowice localiza-se ao sul da Polônia. Fundada no século XIX, sob domínio russo, ganhou o status de cidade em 1865. Hoje, é a cidade principal da área industrial da zona superior da Slesia e dos distritos da área metropolitana, contando com pouco mais de 300.000 habitantes.

Conheci muito pouco dessa cidade. Assim que chegamos no aeroporto, tomamos o ônibus com destino a Cracóvia, onde iniciaríamos o Retiro Espiritual. Pareceu-me um lugar muito bonito com ótima infra-estrutura.

Ao descer do avião, notei que começava a neviscar. Percebi que seriam dias de frio intenso... E, de fato, o foram... Os termômetros chegaram a abaixo de zero, mas para os poloneses, tudo muito normal... Diziam, inclusive, que eram dias "agradáveis". Mais para frente, direi o por quê tinham razão... (hehe)

Cracóvia (Kraków)

Cracovia é uma das mais importantes cidades da Polônia. Localiza-se no sul do país, às margens do Rio Vístula e aos pés da colina de Wawel. Uma das mais antigas cidades polacas, foi fundada por volta do ano 700 (sec. VIII), sendo capital da Polônia entre os anos de 1320 e 1596. O Centro Histórico de Cracóvia foi inscrito pela UNESCO, em 1978, na lista dos Patrimônios da Humanidade.

Hoje, com quase 800.000 habitantes, é um grande centro comercial e industrial, além de importante pólo ferroviário. É, pode-se dizer, o principal centro cultural, artístico e universitário de toda a Polônia. Cidade de estudantes e ponto turístico, chega a receber cerca de 7.000.000 de visitantes por ano.

Cracóvia, é de fato, uma cidade belíssima! O que mais chama a atenção dos visitantes é sua limpeza e organização, além é claro, da simpatia dos habitantes. Pareceu-me muito segura também. É o tipo de cidade que marca para sempre as lembranças de quem a conhece.

No primeiro dia na Polônia, ao chegarmos à Cracóvia, tivemos tempo apenas de ajeitar as coisas e de andar um pouco pelo centro da cidade. Iniciamos os Exercícios Espirituais às 20h. Abaixo, seguem algumas poucas fotos do centro apenas. Depois, voltarei a falar de Cracóvia, já que seu mais importante Cardeal tornou-se, aos 16 de Outubro de 1978, João Paulo II...





Casa Salesiana de Cracóvia: Seminário de Filosofia e Teologia (Local do Retiro Espiritual)



Capela do Seminário (fotos acima e abaixo)





Rio Vístula ("corta" a cidade de Cracóvia)


Rio Vistula (Detalhes de Deus...)


Centro da cidade (acima e abaixo): há uma frota de ônibus bem antigos, estilo "bondes".

Centro da cidade

Tem que saber inglês. Se depender do polônes, você está perdido... rs

Cracóvia (detalhe)

Cracóvia (Detalhe)


Cracóvia (Detalhe)

Cracóvia (Detalhe)



Entardecer (Detalhes de Deus...)

Com afeto salesiano
P. Mauricio Miranda.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Ele renasceu em nós! Feliz Páscoa!


Queridos amigos

Feliz e Santo Tempo Pascal a todos! Que bom reencontrá-los por aqui! Espero que tenham vivido intensamente a Páscoa do Senhor! Rezei por todos, de verdade!

Desculpem-me a falta de comunicação ao longo desses últimos quinze dias. Estive fora de Roma e impossibilitado de acessar a internet. Assim que retornei dos trabalhos de Páscoa, parti imediatamente para um Retiro Espiritual. Voltei apenas na noite desse último domingo e as aulas começaram "a todo o vapor", ontem pela manhã.

Tenho tanta coisa no coração para contar...! Devagar, vou escrevendo tudo aquilo que Deus me proporcionou nesses quinze dias abençoados. Hoje, para começar, devo lhes contar como foram os dias do Tríduo Pascal. Não são poucos aqueles que me pediram notícias.

Disse-lhes, anteriormente, que passaria o Tríduo Pascal na cidade de Cassino. Na verdade, fui um pouco mais longe, num povoado conhecido por San Vittore del Lazio, bem próximo à Cassino.

Quero lhes falar um pouco sobre o local e, sobretudo, sobre minha experiência naqueles dias. Não tenho fotos dessa vez... Mas por um motivo muito justo: trabalhei o tempo inteiro, não havendo tempo de conhecer o lugar. E, saibam, que foi a melhor coisa que poderia ter feito! Bem, mas antes de lhes contar a experiência, quero lhes apresentar um pouco a região. Vamos lá?

Itália - Região do Lázio

Recordo-me que, da última vez, lhes disse que a Itália era divida em vinte regiões e lhes apresentei a de Campânia, onde se situam cidades famosas como Nápoles e Sorrento. Hoje quero lhes falar de outra região italiana, um pouco mais próxima: a Região do Lázio.

O Lázio é a região onde eu, atualmente, moro e estudo. Fica bem no centro da Itália e abriga cerca de quase seis milhões de pessoas. Sua principal cidade é a famosa Roma e, em seu território, está o Estado do Vaticano. Lázio é formada por cinco províncias (que correspondem, aproximadamente, ao que chamamos de 'estados'): Frosinone, Latina, Rieti, Roma e Viterbo. Desta região da Itália, voltaremos a falar muitas vezes porque possui muitas cidades interessantes, muito próximas de Roma e, portanto, fáceis para conhecer. À medida que forem surgindo oportunidades para mim, vou lhes apresentando os lugares que Deus me permitir conhecer.


Província de Frosinone

É formada por cerca de 90 comunes (que correspondem às nossas cidades), dentre os quais, vale a pena ressaltar a cidade de Cassino, onde pode se encontrar a famosa Abadia de Montecassino (fundada pelo próprio São Bento), palco de uma das batalhas da Segunda Guerra Mundial. Dessa província como disse, pude conhecer um pouco das cidades de Cassino e San Vittoreo del Lazio. Pretendo, no entanto, retornar a Cassino para conhecer a famosa Abadia. Assim que o fizer, voltaremos a falar dessa cidade por aqui...


São Vítor do Lázio (em italiano, San Vittore del Lazio)

Tenho chegado à conclusão que as verdadeiras belezas da Itália e, infelizmente, aquelas que a maior parte dos turistas não vê, estão escondidas em suas pequenas e desconhecidas cidades.

San Vittore del Lazio é uma cidadezinha de cerca de quase 3000 habitantes, belíssima e muito acolhedora. Nos três dias em que passei por lá, dormi nos aposentos da paróquia, na parte superior do prédio. Da janela de meu quarto era possível ver quase toda a cidade (já que a Paróquia fica na parte mais alta). Outra visão belíssima que eu tinha era a do monte, ao pé do qual a cidade cresceu.

A cidade foi fundada no século IX em torno de uma igreja construída pelos beneditinos de Montecassino. Li que por séculos foi um grande centro produtivo de objetos em argila, em bronze e madeira. Hoje, embora ainda existam atividades artesanais, a maioria da população vive do trabalho em grandes indústrias próximas ao local.


"Minha" Páscoa em San Vittore del Lazio

Como disse, realmente trabalhei ao longo dos três dias em que por ali passei. Praticamente, ministrei o Sacramento da Reconciliação o tempo inteiro. Creio que tenha atendido mais de duzentos penitentes.

Foram diversas pessoas, de diversas idades, que o Senhor me apresentou. Quantos jovens! Que bênção ouvi-los e, poder ser, apesar de meus limites, sinal da misericórdia de Deus na vida de cada um deles.

Devo testemunhar, embora não possa partilhar nada do que se passou dentro do confessionário, que eu testemunhei verdadeiras maravilhas da ação de Deus; coisa simples, mas muito marcantes... Meu cansaço era recompensado cada vez que observava o rosto daqueles que se alegravam diante da novidade de Deus ali experimentada.

Outra coisa interessante para mim foi ouvir as pessoas, em italiano, e me esforçar para lhes falar na mesma língua. A cada pessoa perguntava se era possível entender o que lhe falava e a resposta, para minha alegria, era sempre: "sim, padre, compreendo muito bem o que o senhor está me dizendo".

No Domingo de Páscoa, pude presidir a Missa da Ressurreição, logo na primeira hora do dia. Pela primeira vez, na Itália, fiz a homilia ao povo. Quem me conhece bem pode imaginar quanta falta me fazia a possibilidade de explicar a Palavra de Deus, de fazê-la chegar aos corações... Claro que a fiz num italiano muito mal falado e que o povo teve que ter, naturalmente, paciência durante os dez minutos em que falei..., mas era possível ver, também nesse momento, as cabeças que "balançavam" em sinal afirmativo, dizendo concordar com aquilo que ouviam.

Por isso tudo posso dizer que vivenciei com intensidade a Páscoa do Senhor. Ao ser sinal de sua misericórdia a cada uma daquelas pessoas, pude experimentar sua misericórdia por mim, pela minha vida, pude senti-lo mais vivo que nunca... Creio que essa é a experiência que fazem todos aqueles que procuram ser misericordiosos, afinal, "felizes os misercordiosos porque alcançarão misericórdia!" (Mt 5,7). É a misericórdia que faz de nós homens e mulheres realmente novos... Bem, não posso fazer outra coisa que louvar a Deus por tudo isso! Existem outras coisas bonitas a dizer, mas como lhes falei, essas ficam guardadas no "coração de padre" que tento deixar Deus formar em mim a cada dia de minha vida.

Agradeço-lhes a oração constante que senti me acompanhar ao longo de toda minha estadia naquela cidade. Se posso lhes pedir algo a mais, peço que se lembrem de pedir a Deus, em algum momento de suas orações, pelos jovens daquele lugar: são realmente especiais...!


Continuando...

Como lhes disse no início, cheguei de volta à Roma, no Domingo de Páscoa, à noite. E, após uma noite rápida de sono, parti, às 4h da manhã, para iniciar uma semana de Retiro Espiritual. Passei esses dias na Polônia, mas essa grande graça de Deus, eu devo contar na próxima postagem, tudo bem?


Com afeto salesiano
P. Mauricio Miranda.