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sábado, 21 de novembro de 2009

Solenidade de Cristo, Rei do Universo - Ano B - 2009

Evangelho (João 18,33b-37)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós!
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 33b Pilatos chamou Jesus e perguntou-lhe: “Tu és o rei dos judeus?” 34 Jesus respondeu: “Estás dizendo isto por ti mesmo ou outros te disseram isto de mim?” 35 Pilatos falou: “Por acaso sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?” 36 Jesus respondeu: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui”. 37 Pilatos disse a Jesus: “Então tu és rei?” Jesus respondeu: “Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a Vós, Senhor!

Caros amigos, estamos iniciando a última semana desse ano litúrgico. É a Solenidade de Cristo, Rei do Universo. A Igreja renova a certeza de que a Jesus foi entregue todo "o poder, glória e realeza" (Cf. Dn 7, 14a). E, embora seu reinado ainda seja desconhecido desse mundo, ele se manifestará plenamente no final dos tempos, quando Ele virá "com as nuvens e todos os olhos o verão" (Cf. Ap 1, 7a).

Diante da pergunta de Pilatos sobre se ele era realmente rei, Jesus responde que seu reino não é deste mundo (cf. Jo 18, 36). E por que? Porque seu reino é pautado na Verdade e aberto a todos os que procuram acolhê-la em sua vida.

Hoje, somos convidados a proclamar o reinado do Senhor. Submeter toda a nossa existência ao seu poder, deixando-nos guiar por seu amor. Concretamente, isso nos levará a realizar um compromisso - um verdadeiro pacto - com a Verdade. Somos impelidos pelo poder de nosso Rei a, em primeiro lugar, banir de nossa vida toda a forma de mentira. E, por fim, sustentados por seu amor, a assumir a vivência da Verdade em todas as suas conseqüências: seja no terrível instante em que defendê-la implicará pender com ela da Cruz, mas também no glorioso momento em que, ressurgiremos com ela para com ela reinar por toda a eternidade! Sim, amém!

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

sábado, 14 de novembro de 2009

33º Domingo do Tempo Comum - Ano B - 2009

Evangelho (Marcos 13,24-32)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós!
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: 24“Naqueles dias, depois da grande tribulação, o sol vai se escurecer, e a lua não brilhará mais, 25 as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas. 26 Então vereis o Filho do Homem vindo nas nuvens com grande poder e glória. 27 Ele enviará os anjos aos quatro cantos da terra e reunirá os eleitos de Deus, de uma extremidade à outra da terra. 28 Aprendei, pois, da figueira esta parábola: quando seus ramos ficam verdes e as folhas começam a brotar, sabeis que o verão está perto. 29 Assim também, quando virdes acontecer essas coisas, ficai sabendo que o Filho do Homem está próximo, às portas. 30 Em verdade vos digo, esta geração não passará até que tudo isto aconteça. 31 O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. 32 Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a Vós, Senhor!



Estamos chegando ao final de um ano litúrgico, com a Festa de Cristo Rei, a ser celebrada no domingo que vem, ao mesmo tempo em que, nos preparamos para iniciar um novo ano, com a celebração do Tempo do Advento do Senhor. Esse período da vida da Igreja é muito privilegiado para celebrarmos a grande esperança cristã: "Este Jesus que vos foi arrebatado para o céu, voltará do mesmo modo como o vistes partir" (At 1, 11b).

Apesar da linguagem apocalíptica — própria de textos como o que escutamos na Primeira Leitura (cf. Dn 12, 1-3) e no trecho do Evangelho da Santa Missa desse Domingo — tratar esse tão esperado momento como se estivesse muito próximo a se cumprir, ninguém sabe exatamente quando estas coisas se realizarão (cf. Mc 13, 32; At 1, 7). Na verdade, tal linguagem tem a única intenção de nos ensinar como é chamado a viver aquele que aguarda (e anseia!) esse grande Dia.

No Evangelho desse Domingo, o Senhor nos convida a considerarmos a figura transitória desse mundo. De fato, tudo nesse mundo passa...! Ora, se é assim, por que colocarmos nossa esperança em coisas que perecem? Por que fazer consistir o sentido de nossa vida em coisas que hoje valem, mas que amanhã não valem mais? Somos chamados a edificar nossa existência no Senhor, única realidade que permanece para sempre (cf. Mc 13, 31)! Isso não significa dizer um "não" absoluto a tudo o que é desse mundo, mas não lhe dar um valor superior ao que realmente possui...

Com a vinda do Senhor, este mundo se transformará, dando lugar a "novos céus e uma nova terra" (cf. 2 Pd 3,13), onde "toda a lágrima será enxugada de seus olhos" e onde "já não haverá morte, não haverá mais luto, nem clamor, nem sofrimento, pois o mundo antigo desapareceu." (Ap 21, 4).

Diante de uma promessa assim tão feliz, como pode um cristão ter medo esse Dia? Antes, seu coração deve se encher de alegria e esperança e, por meio de atos concretos, seguir clamando: "Assim seja. Vem, Senhor Jesus!" (Ap 22, 20b).

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

sábado, 17 de outubro de 2009

29º Domingo do Tempo Comum - Ano B - 2009

Evangelho (Marcos 10,35-45)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 35 Tiago e João, filhos de Zebedeu, foram a Jesus e lhe disseram: “Mestre, queremos que faças por nós o que vamos pedir”. 36 Ele perguntou: “O que quereis que eu vos faça?”37 Eles responderam: “Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda, quando estiveres na tua glória!”38 Jesus então lhes disse: “Vós não sabeis o que pedis. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber? Podeis ser batizados com o batismo com que vou ser batizado?”39 Eles responderam: “Podemos”. E ele lhes disse: “Vós bebereis o cálice que eu devo beber, e sereis batizados com o batismo com que eu devo ser batizado. 40 Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. É para aqueles a quem foi reservado”. 41 Quando os outros dez discípulos ouviram isso, indignaram-se com Tiago e João. 42 Jesus os chamou e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. 43 Mas, entre vós, não deve ser assim; quem quiser ser grande, seja vosso servo; 44 e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos. 45 Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


Para nossa reflexão, partiremos da figura do sumo-sacerdote, abordada na segunda leitura da Santa Missa (cf. Hb 4, 14-16) desse 29º Domingo do Tempo Comum. No judaísmo antigo, o sacerdote havia a importante função de mediador entre Deus e o seu povo, exercida de maneira especial nos sacrifícios oferecidos ao Senhor. Nessa função de mediação, ao Sumo-sacerdote, era reservado um lugar de honra ainda maior que se distinguia pela proximidade que ele possuía com o Eterno Deus.

De fato, apenas o Sumo-sacerdote entrava no lugar chamado de Santo dos Santos, onde permanecia a arca da Aliança, e de onde Deus falava com os homens. Somente uma vez ao ano, no chamado Dia do Grande Perdão (cf. Lv 16), é que o Sumo-sacerdote podia se aproximar desse lugar santíssimo da manifestação de Deus e, apresentando o sacrifício do sangue de animais, conseguir o perdão de Deus, tão necessário aos pecados do povo.

Na carta aos Hebreus, Jesus nos é apresentado como o Sumo-sacerdote da nova e eterna aliança. E por que? Porque, depois dele, não foi mais preciso oferecer sangue de animais em holocausto. Isso porque ele, oferecendo-se a si mesmo, derramou o próprio sangue para o perdão dos pecados do povo. Se o antigo Sumo-sacerdote somente se aproximava do lugar sagrado do Santo dos Santos, com a intenção de obter o perdão pela oferta do sangue de animais, Jesus, entra diretamente nos céus, nas moradas de Deus (cf. Hb 4, 14), uma vez que derrama seu sangue em oferta de amor. Pelo sacrifício da Cruz, Jesus manifesta sua mais profunda intimidade com aquele lugar (cf. Lc 15,38), podendo ele mesmo ser chamado de o Santo dos Santos!

Agora nos resta perguntar como nós podemos participar dessa intimidade com Deus. O pedido de Tiago e João traduz esse tipo de preocupação: gozar de intimidade com o Senhor. E a resposta, nós a encontramos já na primeira leitura (cf. Is 53, 10-11), mas sobretudo no evangelho, quando Jesus afirma que: " quem quiser ser grande, seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos. Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos” (Mc 10, 43-44). Em outras palavras, significa procurar, sob todos os aspectos, associar a nossa vida ao santo Sacríficio do Senhor, conformar tudo quanto vivemos ao mistério de sua morte e ressurreição.

Participemos de coração da Santa Eucaristia!
Estamos diante do Trono da Graça! (cf. Hb 4,16)
E deixemos que a Graça nos ajude a traduzir em vida tudo quanto celebramos!

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

sábado, 10 de outubro de 2009

28º Domingo do Tempo Comum - Ano B - 2009

Evangelho (Marcos 10,17-30)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 17 quando Jesus saiu a caminhar, veio alguém correndo, ajoelhou-se diante dele e perguntou: “Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?”18 Jesus disse: “Por que me chamas de bom? Só Deus é bom, e mais ninguém. 19 Tu conheces os mandamentos: não matarás; não cometerás adultério; não roubarás; não levantarás falso testemunho; não prejudicarás ninguém; honra teu pai e tua mãe”. 20 Ele respondeu: “Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude”. 21 Jesus olhou para ele com amor, e disse: “Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!” 22 Mas, quando ele ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico. 23 Jesus então olhou ao redor e disse aos discípulos: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!” 24 Os discípulos se admiravam com estas palavras, mas ele disse de novo: “Meus filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! 25 É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!” 26 Eles ficaram muito espantados ao ouvirem isso, e perguntavam uns aos outros: “Então, quem pode ser salvo?” 27 Jesus olhou para eles e disse: “Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível”. 28 Pedro então começou a dizer-lhe: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. 29 Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, 30 receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.



Celebramos o 28º Domingo do Tempo Comum. Ao centro da mensagem que acabamos de ouvir, retirada do Evangelho de São Marcos, está a gratuidade da salvação. Sim! Deus nos salva de maneira gratuita, sem o nosso merecimento. Ele quis nos salvar pelo simples fato de nos amar! (cf. 10, 27).

Porém, à iniciativa de Deus, cabe uma resposta humana. A pergunta mencionada no versículo 17 deve ser entendida a partir da preocupação de como colaborar com Deus em seu projeto de salvação, ou seja, de como corresponder à iniciativa amorosa de Deus. A primeira resposta de Jesus vai em direção à observância dos mandamentos. De fato, quem ama a Deus, observa seus mandamentos. Porém, o interlocutor parece querer ir mais longe. Por isso, Jesus lhe ensina que unido ao princípio do amor a Deus está o do amor ao próximo. Corresponder à iniciativa de Deus implica nossa decisão por amá-lo acima de todas as coisas e ao próximos como nós mesmos! (cf. Mt 22, 34-40).

Seremos salvos pelo amor! Sim! Em primeiro lugar, porque o Amor, pendente da cruz, nos salvou! E, depois, porque, em resposta a tão grande amor, nos decidimos em amá-Lo, traduzindo nossa vida inteira em amor! Sim, é o amor que salva o mundo!

Deus te abençoe!

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

domingo, 27 de setembro de 2009

26º Domingo do Tempo Comum - Ano B - 2009

Evangelho (Marcos 9,38-43.45.47-48)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo São Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 38 João disse a Jesus: “Mestre, vimos um homem expulsar demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, porque ele não nos segue”. 39 Jesus disse: “Não o proibais, pois ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim. 40 Quem não é contra nós é a nosso favor. 41 Em verdade eu vos digo: quem vos der a beber um copo de água, porque sois de Cristo, não ficará sem receber a sua recompensa. 42 E, se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço. 43 Se tua mão te leva a pecar, corta-a! É melhor entrar na Vida sem uma das mãos, do que, tendo as duas, ir para o inferno, para o fogo que nunca se apaga. 45 Se teu pé te leva a pecar, corta-o! É melhor entrar na Vida sem um dos pés, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno. 47 Se teu olho te leva a pecar, arranca-o! É melhor entrar no Reino de Deus com um olho só, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno, 48 onde o 'verme não morre, e o fogo não se apaga'”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a Vós, Senhor!



Jesus se encontra em plena atividade missionária fora da região da Galiléia (cf. Mc 7,24 - 10,52). É a grande demonstração da ação do Reino que avança! O trecho que acabamos de ler faz parte desse grande momento do ministério de Jesus e traz consigo uma série de recomendações aos discípulos.

Os discípulos são convidados a acolherem o que contribui para o avanço do Reino e a eliminar aquilo que atrapalha seu crescimento. É assim que vemos de maneira análoga ao que acontece entre Josué e Moisés (cf. Nm 11,28), João que denuncia a Jesus o fato de haver pessoas fazendo o bem em seu nome, mas que não pertenciam a seu grupo. Diante dessa observação, Jesus ensina os discípulos que o Reino de Deus não obedece à lógica humana e que Deus se utiliza de todos os homens de boa vontade para levar avante seu plano de salvação.

Por outro lado, também os ensina que tudo aquilo que atrapalha o avanço do Reino deve ser evitado e lançado fora. Para tanto, Jesus, por meio de exemplos fortes, compara a vida da Igreja à de um corpo: se existe algum membro que coloca em sério perigo a vida de todo o organismo, este deve ser lançado à parte.

Da mesma maneira que para a saúde física, devemos buscar o equilíbrio entre o que nos favorece e aquilo que nos atrapalha, assim acontece na vida da Igreja: agregar o que contribui e renunciar a tudo o que desagrega.

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

sábado, 12 de setembro de 2009

24º Domingo do Tempo Comum - Ano B - 2009

Evangelho (Marcos 8,27-35)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo São Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 27 Jesus partiu com seus discípulos para os povoados de Cesareia de Filipe. No caminho perguntou aos discípulos: “Quem dizem os homens que eu sou?”28 Eles responderam: “Alguns dizem que tu és João Batista; outros que és Elias; outros, ainda, que és um dos profetas”. 29 Então ele perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “Tu és o Messias”. 30 Jesus proibiu-lhes severamente de falar a alguém a respeito. 31 Em seguida, começou a ensiná-los, dizendo que o Filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei; devia ser morto, e ressuscitar depois de três dias. 32 Ele dizia isso abertamente. Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo. 33 Jesus voltou-se, olhou para os discípulos e repreendeu a Pedro, dizendo: “Vai para longe de mim, Satanás! Tu não pensas como Deus, e sim como os homens”. 34 Então chamou a multidão com seus discípulos e disse: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. 35 Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a Vós, Senhor!



Estamos num momento fundamental da missão de Jesus relatada pelo evangelista: hora em que os discípulos são chamados a confessarem publicamente a sua fé. A pergunta é dirigida de modo direto a eles pelo próprio Senhor: "E vós, quem dizeis que eu sou?" (v. 29)

A confissão de Pedro lhe revela ainda mais a respeito da própria fé. E é exatamente assim que acontece conosco. Quando nos colocamos no seguimento de Jesus, Ele mesmo vai nos ensinando o que significa segui-lo, ou seja, quais as conseqüências que o sim dado por amor a sua pessoa implica.

Por isso diante da confissão de Pedro, Jesus lhe ensina que crer nEle significava assumi-lo em todos os sentidos: o seu modo de ser, de pensar, de falar, enfim, a maneira como entregava sua vida pela salvação de muitos. Em outras palavras, Jesus vai revelando a Pedro que confessar a fé em seu nome significa adentrar o mistério de sua Cruz. E é exatamente isso que deixa o Apóstolo escandalizado!

Ao tentar negar a realidade da cruz na própria vida ou atenuar a sua força, Pedro é repreendido pelo Senhor: "vai para longe de mim, Satanás, pois não pensas como Deus, e sim como os homens" (v. 34).

O seguimento do Senhor implica o mistério de sua paixão e morte, ao qual somos diariamente chamados a associar a nossa vida: "Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga" (v. 35).

Peçamos ao Senhor a graça de empregarmos nossa vida por amor a Ele. A Eucaristia, momento em que Ele mesmo renova o sacrifício pelo qual se entregou por nós, continua sendo o momento por excelência de nos colocarmos em seu seguimento.

Queremos segui-lo até o último instante de nossa vida!
Deus abençoe a sua entrega!

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Seguir Jesus requer nadar contra a maré!

Caro amigo,

No último dia 23 de agosto, o Santo Padre dirigiu, como de costume, algumas palavras aos peregrinos presentes na Praça de São Pedro. Comentando o Evangelho da Missa daquele domingo, afirmou que seguir Jesus "enche o coração de alegria e dá sentido pleno à nossa existência, mas inclui dificuldades e renúncias porque com muita frequência se deve ir contra a corrente".

Penso que esta seja a grande graça que precisamos aprender a pedir a Deus em nosso dias. De modo especial, os jovens precisam ser agraciados com a coragem de testemunhar seu amor pelo Senhor, mesmo em situações onde isso implique ser "diferente" dos demais! Abaixo, segue o texto com as palavras de Bento XVI, na íntegra.

Com afeto salesiano,
P. Mauricio Miranda.


Palácio Apostólico de Castel Gandolfo
Domingo, 23 de Agosto de 2009

Queridos irmãos e irmãs!

Como podeis ver, a mão foi libertada do gesso, mas ainda está um pouco preguiçosa; deve estar ainda por algum tempo numa "escola de paciência", mas vamos em frente!

Sabeis que há alguns domingos a liturgia propõe à nossa reflexão o capítulo 6 do Evangelho de João, no qual Jesus se apresenta como o "pão vivo que desceu do céu" e acrescenta: "Se alguém comer deste pão viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a minha carne pela vida do mundo" (Jo 6, 51). Aos judeus que discutem asperamente entre si, perguntando-se: "Como pode Ele dar-nos a comer a Sua carne?" (v. 52) — e o mundo continua a discutir — Jesus reafirma em todos os tempos: "Se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o Meu sangue não tereis a vida em vós" (v. 53); motivo também para nós de refletir se compreendemos realmente esta mensagem. Hoje, 21º domingo do tempo comum, meditamos a parte conclusiva deste capítulo, no qual o quarto Evangelista descreve a reação do povo e dos próprios discípulos, escandalizados com as palavras do Senhor, a ponto que muitos, depois de o terem seguido até então, exclamam: "Duras são estas palavras! Quem pode escutá-las?" (v. 60). A partir de então "muitos dos Seus discípulos retiraram-se e já não andavam com Ele" (v. 66), e acontece sempre de novo a mesma coisa, em diversos períodos da história. Poderíamos esperar que Jesus procure maneiras para se fazer compreender melhor, mas Ele não abranda as suas afirmações, aliás dirige-se diretamente aos Doze, dizendo: "Também vós quereis retirar-vos?" (v. 67).

Esta pergunta provocatória não se destina só aos ouvintes de então, mas atinge os crentes e os homens de todas as épocas. Também hoje muitos permanecem "escandalizados" diante do paradoxo da fé cristã. Os ensinamentos de Jesus parecem "duros", demasiado difíceis de aceitar e de pôr em prática. Então há quem rejeita e abandona Cristo; há quem procura "adaptar" a sua palavra às modas dos tempos desvirtuando o seu sentido e valor. "Também vós quereis retirar-vos?". Esta preocupante provocação ressoa no nosso coração e espera de cada um uma resposta pessoal; trata-se de uma pergunta feita a cada um de nós. Jesus não se contenta com uma pertença superficial e formal, não lhe é suficiente uma primeira e entusiasta adesão; ao contrário, é necessário participar toda a vida "no seu pensar e no seu querer". Segui-l'O enche o coração de alegria e dá sentido pleno à nossa existência, mas inclui dificuldades e renúncias porque com muita frequência se deve ir contra a corrente.

"Também vós quereis retirar-vos?". Pedro responde à pergunta de Jesus em nome dos Apóstolos, dos crentes de todos os séculos: "Senhor, para quem havemos nós de ir? Tu tens palavras de vida eterna; e nós acreditamos e sabemos que és o Santo de Deus" (v. 68-69). Queridos irmãos e irmãs, também nós podemos e queremos repetir a resposta de Pedro neste momento, conscientes da nossa fragilidade humana, dos nossos problemas e dificuldades, mas confiantes no poder do Espírito Santo, que se exprime e se manifesta na comunhão com Jesus. A fé é dom de Deus ao homem e é, ao mesmo tempo, entrega livre e total do homem a Deus; a fé é escuta dócil da palavra do Senhor, que é "farol" para os nossos passos e "luz" para o nosso caminho (cf. Sl 119, 105). Se abrirmos com confiança o coração a Cristo, se nos deixarmos conquistar por Ele, podemos experimentar também nós, como por exemplo o santo Cura d'Ars, que "a nossa única felicidade nesta terra é amar Deus e saber que Ele nos ama". Peçamos à Virgem Maria que mantenha sempre despertada em nós esta fé impregnada de amor, que a tornou, humilde jovem de Nazaré, Mãe de Deus e mãe e modelo de todos os crentes.

Bento XVI

sábado, 5 de setembro de 2009

23º Domingo do Tempo Comum - Ano B - 2009

Evangelho (Mc 7,31-37)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 31 Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole. 32 Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. 33 Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. 34 Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!”35 Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. 36 Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. 37 Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a Vós, Senhor!



A proclamação desse trecho da vida do Senhor parece estar diretamente ligada ao que ouvimos na primeira leitura da Santa Missa (Is 35, 4-7a). Realmente, essa é a intenção do evangelista: apresentar Jesus como o Messias prometido a Israel. Enquanto, na profecia de Isaías, lemos que "se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos..." (Is 35,5), acompanhamos a realização dessas palavras na pessoa de Jesus. De fato, ele é a "Palavra que se fez carne e veio habitar entre nós" (Jo 1,14).

Porém, não é apenas disso que o evangelista deseja nos convencer. Ao nos falar da ação do Messias em nosso meio, o evangelista deseja suscitar em nós uma autêntica resposta. Só saberemos responder adequadamente ao Senhor, quando compreendermos o que Ele quer de nós. E é exatamente isso que o trecho do Evangelho procura nos explicar.

Ao se encontrar com o surdo, Jesus colocou os dedos em seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele; por fim, olhando para o céu, suspirou e disse: "Efatá!", que quer dizer: "Abre-te!" (cf. Mc 7, 33-34)

A ação do Senhor em nós deseja nos libertar de tudo o que nos impede de ouvi-lo e de anunciá-lo. O "Efatá" é uma verdadeira libertação das amarras que nos impossibilitam de ouvir a Palavra e deixá-la frutificar em nós! Mas não só! Ao mesmo tempo em que nos liberta, Jesus nos envia a anunciá-lo. É com sua saliva que ele toca a língua do surdo; nesse gesto, Jesus comunica algo de si àquele homem. E é justamente por meio do que ele comunica (a Palavra), que o surdo passa a ouvir e [conseqüentemente] a falar...

Para concluir, vale a pena notar que antes de dizer "Éfata", o Senhor, ao olhar para o céu, suspira. Como não nos recordarmos do sopro de Deus (cf. Gn 2,7) que o Criador insufla nas narinas da criatura pela qual ela adquire a vida, imagem que a Tradição sempre atribui à pessoa do Espírito do Senhor? Pois bem. É pela ação do Espírito Santo que somos libertos de nossas amarras! É pelo mesmo Espírito que nos encontramos com a Palavra de Deus que veio nos visitar (cf. Jo 1,14)! Por fim, é por ação do Divino Sopro que somos enviados em missão!

Vem, Espírito Santo!
Inflama nosso coração! Envia-nos!

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

domingo, 30 de agosto de 2009

22º Domingo do Tempo Comum - Ano B - 2009

Evangelho (Marcos 7,1-8.14-15.21-23)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 1 os fariseus e alguns mestres da Lei vieram de Jerusalém e se reuniram em torno de Jesus. 2 Eles viam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as terem lavado. 3 Com efeito, os fariseus e todos os judeus só comem depois de lavar bem as mãos, seguindo a tradição recebida dos antigos. 4 Ao voltar da praça, eles não comem sem tomar banho. E seguem muitos outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre. 5 Os fariseus e os mestres da Lei perguntaram então a Jesus: “Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?”6 Jesus respondeu: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. 7 De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos’. 8 Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”. 14 Em seguida, Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: “Escutai, todos, e compreendei: 15 o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. 21 Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, 22 adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. 23 Todas estas coisas más saem de dentro, e são elas que tornam impuro o homem”.

— Palavra da Salvação!
— Glória a Vós, Senhor!

sábado, 22 de agosto de 2009

21º Domingo do Tempo Comum - Ano B - 2009

Evangelho (Jo 6, 60-69)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 60 muitos dos discípulos de Jesus, que o escutaram, disseram: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?”61 Sabendo que seus discípulos estavam murmurando por causa disso mesmo, Jesus perguntou: “Isto vos escandaliza? 62 E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes? 63 O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são espírito e vida. 64 Mas entre vós há alguns que não crêem”. Jesus sabia, desde o início, quem eram os que não tinham fé e quem havia de entregá-lo. 65 E acrescentou: “É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim, a não ser que lhe seja concedido pelo Pai”. 66 A partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele. 67 Então, Jesus disse aos doze: “Vós também vos quereis ir embora?”68 Simão Pedro respondeu: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. 69 Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”.

— Palavra da Salvação!
— Glória a Vós, Senhor!



Nesse 21º Domingo do Tempo Comum, acompanhamos a conclusão do longo discurso sobre o Pão da Vida (Jo 6, 1-71). O trecho denuncia que muitos dos discípulos do Senhor se escandalizaram com aquilo que dele haviam acabado de ouvir: "a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele" (Jo 6, 55-56)

A razão do escândalo vem do fato dos discípulos compreenderem que, ao separar "carne" e "sangue", Jesus estava se referindo a um verdadeiro sacrifício! E, de modo mais explícito, se referia ao sacrifício de si mesmo! De fato, Jesus falava do sacrifício redentor da Cruz! Mas não só. O que de fato, aterroriza os discípulos a ponto de querer abandoná-lo é o fato de Jesus afirmar que a condição para permanecer em comunhão com Ele era "comer e o beber de seu Corpo e Sangue", ou seja, aderir com a própria vida ao mesmo sacrifício, sacrificar-se com Ele...

Nesse instante, a missão de Jesus alcança seu momento mais decisivo: o seguimento de Jesus implica um amor tão radical por Ele que nos impele a nos assemelharmos a Ele, sobretudo, na entrega da própria vida por amor! Por isso mesmo, Jesus se volta aos Doze e lhes pergunta: "vós também vos quereis ir embora?" (Jo 6, 67). De fato, negar as exigências que o sacrifício da Cruz traz à vida do discípulo é, em outras palavras, negar o próprio Senhor.

Diante da realidade da Cruz, Pedro não exitou e exclamou: "A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna." (Jo 6, 68). E, realmente, foi derramando a sua vida em sacrifício, como o fez seu Senhor, que Pedro morreu...

Jesus segue fazendo a mesma pergunta a cada um de nós: "vós também vos quereis ir embora?". (Jo 6,67) Que a Eucaristia que celebramos nos dê a coragem de, a cada dia, responder sempre com a audácia de Pedro: "Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus." (Jo 6,69)

Com afeto salesiano,

Pe. Mauricio Miranda.

sábado, 8 de agosto de 2009

19º Domingo do Tempo Comum - Ano B - 2009

Evangelho (João 6,41-51)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 41 os judeus começaram a murmurar a respeito de Jesus, porque havia dito: “Eu sou o pão que desceu do céu”. 42 Eles comentavam: “Não é este Jesus o filho de José? Não conhecemos seu pai e sua mãe? Como pode então dizer que desceu do céu?”43 Jesus respondeu: “Não murmureis entre vós. 44 Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. 45 Está escrito nos profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o Pai, e por ele foi instruído, vem a mim. 46 Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47 Em verdade, em verdade vos digo, quem crê, possui a vida eterna. 48 Eu sou o pão da vida. 49 Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50 Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. 51Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a Vós, Senhor!



O trecho do Evangelho que lemos no domingo passado (Jo 6, 24-35) serve como uma grande introdução ao discurso sobre o "Pão da Vida" que se estende por todo o capítulo sexto do Evangelho de São João. Tal discurso é articulado em duas grandes partes: a primeira (v. 41-50) que relaciona a expressão "pão da vida" à Palavra de Deus que se fez carne e veio habitar no meio de nós (cf. Jo 1,14); a segunda (v. 51-58) que relaciona a mesma expressão ao corpo e sangue de Cristo dados em alimento para a vida do mundo.

Jesus é o pão da vida que alimenta o mundo por meio de seu ensinamento (Palavra de Deus) e por meio da entrega de seu corpo e Sangue (Eucaristia). Por isso, na verdade, todo o discurso sobre o "Pão da Vida" parece estar articulado para nos demonstrar que a Santa Missa (Rito da Palavra + Rito da Eucaristia) é o local privilegiado por meio do qual Deus nos alimenta.

Vamos nos deter, de modo especial nesse 19º Domingo, sobre a primeira parte desse discurso. Num primeiro momento, Jesus afirma que "ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai" (Jo 6, 44). Ora, o Pai nos atrai, falando diretamente ao nosso coração, por meio de sua Palavra! Num segundo momento, Jesus continua dizendo que "todo aquele que escutou o Pai e por Ele foi instruído, vem a mim" (Jo 6, 45). Ora, isso significa dizer que todo aquele que escuta a Palavra do Pai e é ensinado por ela, chega até Jesus. Que verdade fundamental podemos concluir desses dois importantes versículos? Jesus é a Palavra de Deus! Vamos reler os dois versículos a partir dessa informação? Vamos lá: ninguém pode conhecer Jesus, se o Pai que o enviou não o dá a conhecer (cf. Jo 6, 44) e todo aquele que escutou a Palavra do Pai e foi por ela instruído reconhece Jesus nessa Palavra (cf. Jo 6, 45)!

Jesus é a Palavra de Deus! A atitude fundamental de todo o discípulo diante de tão grande revelação, é acolhê-la na fé. A fé em Jesus é a nossa garantia da ressurreição e da vida eterna. Por isso o próprio Senhor afirma: "Em verdade, em verdade eu vos digo, quem crê, possui a vida eterna. Eu sou o pão da vida." (Jo 6, 47-48). A fé é o dom que nos possibilita reconhecer Jesus na Palavra e na Eucaristia. Não foi essa a experiência dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-33)?

Cada Santa Missa celebrada é um encontro real com Jesus, Pão da Vida! Quando descobrimos essa maravilhosa verdade, nenhuma missa é igual a outra. Cada uma é um momento único e irrepetível de conformação de vida ao mistério que celebramos!

Vamos celebrar? Reconheçamos o Pão da Vida na Palavra de Deus!

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

sábado, 1 de agosto de 2009

18º Domingo do Tempo Comum - Ano B - 2009


Evangelho (Joaõ 6, 24-35)


— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 24 quando a multidão viu que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, subiram às barcas e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum. 25 Quando o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: “Rabi, quando chegaste aqui?”26 Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. 27 Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo”. 28 Então perguntaram: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?”29 Jesus respondeu: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou”. 30 Eles perguntaram: “Que sinal realizas, para que possamos ver e crer em ti? Que obra fazes? 31 Nossos pais comeram o maná no deserto, como está na Escritura: ‘Pão do céu deu-lhes a comer’”. 32 Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu. É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. 33 Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”. 34 Então pediram: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. 35 Jesus lhes disse: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a Vós, Senhor!



Com o evangelho do domingo passado (Jo 6, 1-15), a Igreja abriu uma importante reflexão a respeito do mistério da pessoa do Senhor Jesus, que deve perpassar cinco domingos (exceto o 20º do Tempo Comum que, por cair no dia 16 de agosto, cederá lugar à Solenidade da Assunção de Nossa Senhora); trata-se do discurso sobre o pão da vida (cf. Jo 6).

Para compreendermos o trecho lido nesse 18º Domingo, precisamos partir dos últimos versículos do lido no domingo passado: "Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: "Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo. Mas quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte." (Jo 6, 14-15).

O povo de Israel esperava a realização da promessa de Deus que lhes havia anunciado o envio de um profeta como Moisés (cf. Dt 18, 15.18); para eles, o Messias esperado era o novo Moisés em meio ao povo. Jesus procura retomar a esperança messiânica para se apresentar como o pleno cumprimento da promessa: ali estava alguém que não era apenas como Moisés, mas era muito maior que ele...! O tema é desenvolvido ao longo de todo o Evangelho de João. Eis alguns poucos exemplos, logo nos primeiros quatro capítulos:

1. Se Moisés era o profeta (Dt 18, 15.18) que, por excelência, falava em nome de Deus, Jesus era o próprio Deus que se fez carne e veio habitar ente nós (cf. Jo 1, 14);

2. Se a Lei foi dada por meio de Moisés (cf. Ex 31,18), a graça nos foi dada por meio de Jesus (cf. Jo 1, 17);

3. Se Moisés falava com Deus como um homem conversa com um amigo seu (cf. Ex 33,11), Jesus, o Filho Unigênito, está no seio do Pai e, por isso, o deu a conhecer (cf. Jo 1, 18).

4. E assim por diante, já que "como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que seja levantado o Filho do Homem, a fim de que todo aquele que crer tenha nele a vida eterna." (Jo 3, 14).

É assim que chegamos ao paralelo estabelecido entre a primeira leitura e o Evangelho da Santa Missa desse 18º domingo (Ex 16, 2-4.12-15 e Jo 6,24-35). Diante da recordação do maná que saciou a multidão faminta no deserto, Jesus ensina que "não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu. É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá a vida ao mundo." (Jo 6, 32-33). [Para outro paralelo muito interessante, compare Ex 17, 1-7 e Jo 4, 7-10!]

Por fim, reconhecendo o verdadeiro Pão da vida, o povo que o havia procurado em busca do pão material que os tinha anteriormente (cf. Jo 6, 12. 24) suplica a Jesus: "Senhor, dá-nos sempre desse pão." E Jesus responde: "Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede" (Jo 6, 34-35).

Precisamos redescobrir isso a cada vez que nos aproximamos da Eucaristia!

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

sábado, 25 de julho de 2009

17º Domingo do Tempo Comum - Ano B - 2009

Evangelho (João 6,1-15)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 1 Jesus foi para o outro lado do mar da Galileia, também chamado de Tiberíades. 2 Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes. 3 Jesus subiu ao monte e sentou-se aí, com os seus discípulos. 4 Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. 5 Levantando o olhos e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: “Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?” 6 Disse isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer. 7 Filipe respondeu: “Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um”. 8 Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, disse: 9 “Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isto para tanta gente?” 10 Jesus disse: “Fazei sentar as pessoas”. Havia muita relva naquele lugar, e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens. 11 Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes. 12 Quando todos ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: “Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca!” 13 Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido. 14 Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: “Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo”. 15 Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte.

— Palavra da Salvação.
— Glória a Vós, Senhor!



O trecho do Evangelho que acabamos de ouvir do Senhor é de uma atualidade incomparável! Para melhor ser compreendido, deve ser lido em conjunto com as demais leituras da Santa Missa desse 17º Domingo do Tempo Comum (2 Reis 4, 42-44; Sl 144; Ef 4, 1-6).

O mundo inteiro assiste a uma crise financeira sem precedentes que revela de modo cada vez mais explícito as conseqüências de uma lógica que domina as relações interpessoais: a do egoísmo daqueles que, pensando apenas em si, procuram tirar vantagens de todas as situações. Na verdade, o egoísmo humano atinge não somente a esfera financeira (apesar dessa ser a mais comentada nos últimos tempos...), mas todas as dimensões da vida humana.

O salmista proclama a providência de Deus que "sacia todo ser vivo com fartura" (Sl 144, 16). Porém, em toda a obra que Ele faz, Deus prefere contar com a colaboração humana. É assim que, com os "pães dos primeiros frutos da terra" (2 Reis 4, 42), oferecidos pelo homem de Baal-Salisa a Eliseu, mais de cem pessoas são saciadas. A obra é de Deus, mas o Senhor quis contar com o fruto do trabalho humano.

Jesus retoma esse ensinamento para levá-lo à plenitude. No trecho do Evangelho que lemos, não é mais um homem que oferece as primícias de seu trabalho. Deus, com a oferta de um menino que trazia consigo alguns pães e poucos peixes, sacia uma multidão de mais de cinco mil homens, sem contar as mulheres e crianças! É tão expressiva a figura do menino que, aparentemente, não tinha nada a oferecer, quanto a dos doze cestos que sobraram, em alusão às doze tribos de Israel!

Deus continua querendo contar comigo e com você! Ofereçamos a Ele o melhor de nossas vidas, em todos os aspectos, e testemunhemos as maravilhas que Ele opera em favor de todos quando aprendemos a ser generosos!

Deus abençoe a sua entrega!

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

sábado, 11 de julho de 2009

15º Domingo do Tempo Comum - Ano B - 2009

Evangelho (Mc 6, 7-13)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!


Naquele tempo, 7 Jesus chamou os doze, e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros. 8 Recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. 9 Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas. 10 E Jesus disse ainda: “Quando entrardes numa casa, ficai ali até vossa partida. 11 Se em algum lugar não vos receberem, nem quiserem vos escutar, quando sairdes, sacudi a poeira dos pés, como testemunho contra eles!” 12 Então os doze partiram e pregaram que todos se convertessem. 13 Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.



Não temos dúvida. O Senhor tem investido em nós! Sentimos que estamos sendo preparados, formados na escola dos discípulos de Jesus. A cada domingo, percebemos que a Palavra de Deus vai formando em nós um coração mais santo, mais disponível ao Senhor e, por isso, desejoso de levar o Evangelho a todas as pessoas. Para chegarmos a tal conclusão, basta nos deter na liturgia dos últimos dois domingos: depois de nos apresentar os Apóstolos Pedro e Paulo (28/06), colunas da Igreja do Senhor, como modelos autênticos de discípulos e anunciadores do Evangelho, o próprio Senhor nos ensina o que é ser profeta, sem esconder as dificuldades dessa importante missão (05/07).

No Evangelho desse domingo (12/07), Ele finalmente nos envia para pregarmos a conversão a todas as pessoas (cf. Mc 6,12), operando o bem por onde passarmos (cf. Mc 6, 13). Às vezes, nos sentimos despreparados para tanto, porém na segunda leitura dessa Santa Missa, o apóstolo Paulo procura nos convencer do quanto possuímos para oferecer (cf. Ef 1, 3-14). Diz o ditado popular que ninguém é tão pobre que não tenha algo a oferecer. Pois bem. Ao ler este trecho aos Efésios, vamos sendo convencidos de que temos muito a dar, quando reconhecemos o muito que Deus realizou e realiza em nós!

Evangelizar não é tarefa impossível. É preciso lançar-se nas mãos de Deus (cf. Am 7, 12-15) que nos chama, envia e vai nos apresentando ocasiões para evangelizar. E são tantas...! Há sempre algo de Deus que podemos dizer na roda com os amigos, nas conversas pela internet, na convivência familiar ou no relacionamento profissional. Se não temos a oportunidade de anunciá-lo de modo explícito, vamos fazendo de maneira indireta, aos poucos, porém nunca deixando passar uma única oportunidade de sermos sinais de Deus na vida de muitos. A obra é de Deus! Nós somos apenas pessoas que queremos tornar conhecido aquele a quem amamos e de quem experimentamos tanto amor!

Qual será a sua maneira de contribuir com a evangelização nessa semana? Faça um plano, estabeleça metas; simples, mas precisas. Sinta o poder de Deus que age por meio de sua vida e alcança a vida de tantos outros! Deus abençoe sua iniciativa!

Com afeto salesiano,
P. Mauricio Miranda.

domingo, 7 de junho de 2009

Solenidade da Santíssima Trindade - Ano B - 2009

Evangelho (Mt 28, 16-20)

- O Senhor esteja convosco!
- Ele está no meio de nós!
- Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
- Glória a Vós, Senhor!

Naquele tempo, 16 os onze discípulos foram para a Galiléia, ao monte que jesu lhes tinha indicado. 17 Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele. Ainda assim alguns duvidaram. 18 Então Jesus aproximou-se e falou: "Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. 19 Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 20 e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo".

- Palavra da Salvação!
- Glória a Vós, Senhor!



O trecho do Evangelho que lemos na Solenidade da Santíssima Trindade é retirado dos últimos versículos do Evangelho de Mateus. Isso porque a liturgia desse domingo, com a leitura da conclusão desse Evangelho, quer explicitar o ponto mais alto da revelação que Deus fez de si mesmo à humanidade: nesses importantes versículos Deus se apresenta como Pai, Filho e Espírito Santo!

De modo especial, nesse domingo, o Apóstolo Paulo é quem nos explica qual o caminho escolhido por Deus para se revelar a nós. Mas não só! Além de nos dizer como Deus revela o mistério de sua vida a nós, o Apóstolo nos ensina qual deve ser o caminho para participarmos de tal mistério. Prestemos atenção às palavras que Paulo dirige à Igreja: "recebestes um Espírito de filhos adotivos, no qual todos nós clamamos: Abbá, ó Pai!" (Rm 8, 15b).

Quando nos recorda que recebemos o Espírito do Filho que nos leva a reconhecer o Pai, o Apóstolo, em primeiro lugar, esclarece o caminho que Deus escolheu para se revelar a nós: todo o bem desce do Pai, por meio do Filho, no Espírito Santo. E a nossa resposta? Tomando as mesmas palavras do Apóstolo, aprendemos que ela requer que façamos exatamente o caminho inverso: penetramos o mistério de Deus, partindo do Espírito, pelo Filho até o Pai.

Levando em consideração o caminho que Deus faz e aquele que somos chamados a fazer para responder a sua iniciativa, percebemos que o Espírito Santo é o grande "elo" entre o mistério de Deus e a vida do homem. É pelo Espírito Santo que entramos no mistério de Deus Trino (não é por acaso que antes da Solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja celebra a vinda do Espírito em Pentecostes)!

De fato, não existe qualquer comunicação de Deus com os homens a não ser no Espírito Santo, assim como não é possível nenhuma experiência autêntica de Deus e das coisas de Deus, a não ser no mesmo Espírito.

Por isso, para participarmos da vida de Deus, seguimos pedindo como na semana passada: Vem, Espírito Santo!

Com afeto salesiano,
P. Mauricio Miranda.

sábado, 30 de maio de 2009

Solenidade de Pentecostes - Ano B - 2009

Evangelho (João 20, 19-23)

- O Senhor esteja convosco!
- Ele está no meio de nós!
- Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
- Glória a Vós, Senhor!

19 Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: "A paz esteja convosco". 20 Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21 Novamente, Jesus disse: "A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio". 22 E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: "Recebei o Espírito Santo. 23 A quem perdoardes os pecados, eles lhe serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhe serão retidos".

- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!



Ao longo do tempo pascal, recordamos várias vezes que esse importante período litúrgico se ergue sobre dois alicerces: a experiência do Senhor ressuscitado e o testemunho que somos chamados a dar dela com a nossa própria vida. Lembramos também que isso significa que na medida em que aprofundamos o nosso relacionamento com Jesus, vamos aprendendo a ampliar o anúncio do amor que brota desse encontro.

A promessa feita no dia da Ascenção - "mas recebereis uma força, a força do Espírito Santo que virá sobre vós e sereis minhas testemunhas (...) até as extremidades da terra." (At 1,8) - é cumprida no dia de Pentecostes. Desse modo, a liturgia dessa última semana que vivemos (7ª da Páscoa), entre as solenidades da Ascensão e a de Pentecostes, deixa clara a estreita relação entre o anúncio do Evangelho e o dom do Espírito derramado sobre a Igreja. Em 1986, João Paulo II já nos ensinava em sua carta encíclica, escrita para a Solenidade de Pentecostes daquele ano: "O Espírito Santo vem 'graças' à partida de Cristo". E depois continuava: "Graças à cruz, operadora de Redenção, vem o Espírito Santo, pelo poder de todo o mistério pascal de Jesus Cristo; e vem para permanecer com os Apóstolos desde o dia de Pentecostes, para permanecer com a Igreja e na Igreja e, mediante ela, no mundo" (Dominum et vivificant, 14).

Isso significa que é o Espírito Santo quem nos impulsiona para anunciar o Evangelho! Quando falamos de Deus às pessoas de nossa casa, de nosso trabalho ou escola, de nossa comunidade ou bairro, enfim, quando anunciamos a alegria do Evangelho a toda e qualquer pessoa, é o próprio Espírito quem o faz em nós! Mas não só! É Ele também que nos dá a força de anunciar quando as nossas poucas forças nos faltam! Mas não só ainda! É Ele quem nos ensina o que falar, é quem nos motiva a abrir a boca, é quem fala em nós, é quem faz a Palavra chegar ao coração de quem ouve, é quem age no coração que recebeu a Palavra... Ele é o protagonista de tudo!

Eis a força do Espírito Santo! Precisamos apenas nos abrir a essa extrema potência de Deus que quer agir em nós e por meio de nós! Por isso temos a necessidade de pedir pelo Espírito de modo incessante, todos os dias de nossa vida. Devemos reconhecer que a Igreja nunca necessitou do Espírito como nos dias em que vivemos! A cada dia da história, Ele se torna ainda mais necessário, ainda mais fundamental para fazer o Evangelho chegar a todos os cantos do mundo! A você que lê essa mensagem, eu lhe convido a pedi-Lo sem medo sobre sua vida! Peça-O com fervor de coração! Ele é tudo o que precisamos, é tudo o que a Igreja necessita!

Quero concluir retornando àquela carta encíclica de João Paulo II, no Pentecostes de 1986. Naquela ocasião, o Papa nos lembrava que "no meio dos problemas, das desilusões e das esperanças, das deserções e dos retornos desta nossa época, a Igreja continua fiel ao mistério de seu nascimento. Se é um fato histórico que a Igreja saiu do Cenáculo de Pentecostes, também se pode dizer que, em certo sentido, ela nunca abandonou aquele santo lugar. Espiritualmente, o acontecimento de Pentecostes não pertence só ao passado: a Igreja está sempre no Cenáculo porque o traz no seu coração" (Dominum et vivificant, 66). Continuemos a anunciar Jesus, o Senhor, na força do Espírito Santo, até o dia em que Ele retorne de maneira definitiva!

Eu o peço de modo incensante!
Peça você também! Peçamo-lo juntos!
Vem, vem, vem...

Com afeto salesiano,
P. Mauricio Miranda.

sábado, 16 de maio de 2009

6º Domingo da Páscoa - Ano B - 2009

Evangelho (João 15, 9-17)

- O Senhor esteja convosco!
- Ele está no meio de nós!
- Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
- Glória a Vós, Senhor!

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 9 "Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. 10 Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11 Eu vos disse isso para que minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena. 12 Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. 13 Ninguém tem amor maior do que aquele que dá su vida pelos amigos. 14 Vós sois meus amigos se fizerdes o que vos mando. 15 Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. 16 Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu quem vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que então pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. 17 Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros".

- Palavra da Salvação!
- Glória a Vós, Senhor!


Nesse 6º Domingo da Páscoa, vale recordar o que dissemos na postagem anterior: "toda a liturgia do tempo pascal parece estar fundamentada sob dois alicerces: a experiência do Senhor ressuscitado e o testemunho que somos chamados a dar dele". Na semana passada, vimos que ao mesmo tempo em que o Senhor nos convidava a permanecer nele (cf. Jo 15, 4), também nos enviava em missão para dar frutos ao mundo (cf. Jo 15,8). Nesse domingo, continuamos a meditação desse importante capítulo do Evangelho de São João.

Quais são os frutos que somos chamados a dar?

A resposta a essa pergunta, a encontramos no trecho que lemos nesse domingo: "amai-vos uns aos outros" (Jo 15, 17). O fruto que somos chamados a dar ao mundo é o testemunho do amor que de Deus experimentamos.

Vamos falar primeiro da experiência que fazemos desse amor. O próprio Jesus nos explica a intensidade dessa relação: "já não vos chamo servos... Eu vos chamo amigos porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai." (Jo 15, 15) Essas palavras do Senhor são realmente maravilhosas! O servo obedece pelo simples fato de ser servo, sem nem menos perguntar o sentido das ordens que recebe. Já o amigo, não... O amigo obedece porque compreende o sentido do que lhe pede o outro amigo e porque se decide livremente por amá-lo! É assim que o Senhor descreve a relação que Ele estabelece com seus discípulos. Fomos escolhidos por amor (cf. Jo 15, 16) e chamados, na liberdade, a responder com amor. Em outras palavras, significa dizer que o modo mais justo de responder à imensidão do amor de Deus, é tornando toda a nossa vida uma resposta de amor! Por isso o amor é o único fruto que podemos dar se estivermos realmente ligados ao Deus que é amor (cf. 1 Jo 4, 16).

Agora sim podemos falar sobre o testemunho que devemos dar dessa experiência de amor com o Ressuscitado. Nesse ponto, a primeira coisa que a liturgia desse domingo nos fala é que o nosso testemunho se destina a todos, sem exceção; por isso lemos na primeira leitura (cf. At 10, 25-26;34-35;44-48) que o Espírito do Senhor desceu sobre os pagãos, indicando que o anúncio do evangelho deve chegar a todos os cantos da terra! Por isso também, o salmista nos convida a reconhecer que "O Senhor fez conhecer a salvação e revelou sua justiça às nações" (Sl 97).

Ainda nesse ponto, há uma outra coisa importante para dizer. Infelizmente, em nossos dias, o amor é muitas vezes reduzido a apenas um sentimento. Mas o amor é muito mais que um sentimento ou uma sensação de bem-estar! É uma decisão que nos leva para além daquilo que podemos sentir... O amor é "dar a vida pelos outros" (cf. Jo 15, 13). Dar a vida por alguém nem sempre é "agradável" ou "prazeroso", mas é justamente aí que se pode falar de verdadeiro amor.

Peçamos essa especial graça a Deus: de experimentar seu amor em nós e de testemunhá-lo, mesmo nas adversidades. Como irmãos que olham com coragem e reconhecimento para a cruz de seu Senhor, nós pedimos: Senhor, dá-nos a coragem suprema do amor!

Deus abençoe sua vida!

Com afeto salesiano,
P. Mauricio Miranda.

sábado, 9 de maio de 2009

5º Domingo da Páscoa - Ano B - 2009


Evangelho (João 15, 1-8)


- O Senhor esteja convosco!
- Ele está no meio de nós!
- Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
- Glória a vós, Senhor!


Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: 1 Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. 2 Todo ramo que em mim não dá fruto, ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa para que dê mais fruto ainda. 3 Vós estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. 4 Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto se não permanecerdes em mim. 5 Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. 6 Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos serão recolhidos, lançados ao fogo e queimados. 7 Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. 8 Nisto meu Pai é glorificado: que deis muitos frutos e vos torneis meus discípulos.

- Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!


Todo a liturgia do Tempo Pascal parece estar fundamentada sobre dois alicerces: a experiência do Senhor ressuscitado e o testemunho que somos chamados a dar dela. Isso quer dizer que à medida em que vamos aprofundando nosso relacionamento com Jesus, aprendemos a melhor anunciar, com a nossa própria vida, o amor que brota desse encontro.

Nesse 5º Domingo da Páscoa, o Ressuscitado se apresenta a nós como a "verdadeira videira" (Jo 15,1). Talvez aqueles que nasceram nas grandes cidades nunca tenham visto uma videira, mas a plantação de uvas é uma coisa muito comum às pessoas do campo, assim como o era para o povo de Israel. Tanto é verdade que ao longo do Antigo Testamento o povo de Israel por muitas vezes é comparado a uma videira (cf. Is 5, 1-7; Jr 2, 21; Ez 15, 1-8; 19, 10-14 entre outras). Nessas passagens, tal comparação serve para indicar o amor e a eleição de Deus (nesse caso, o "agricultor") para com o seu povo. Uma vez plantado e protegido por Deus, Israel é chamado a produzir frutos. Por isso, assim como acontece no mundo da agricultura, na medida em que a plantação não corresponde à expectativa, ela não serve para nada, senão para ser jogada fora. Pode parecer um pouco dura a conclusão, mas ela é bem verdadeira. Pense você: precisamos de muitas laranjas e plantamos uma muda de laranjeira que não dá frutos; para que ela nos serviria...?

"Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor" (Jo 15, 1).

Nessa afirmação, Jesus retoma a comparação já bem conhecida pelo povo para dar um passo além, aprofundando o seu sentido. Aqui, o povo que antes era a videira inteira, é chamado apenas como "ramo" dessa plantação, cujo "tronco" (a parte que a sustenta) é Jesus, o Filho de Deus!

Em outras palavras, o que está sendo dito é que toda a Igreja - o povo que o Pai amou e escolheu - tem a sua razão de ser somente em Jesus. Por isso o Senhor afirma: "... como o ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto se não permanecerdes em mim" (Jo 15,4).

Mas alguém pode se perguntar "por que devo dar frutos"? A resposta parece ser simples: porque você nasceu para isso! Todos fomos criados para gerar vida. Além disso, o mundo precisa de frutos! E, nesse caso, os frutos significam o testemunho que somos chamados a dar com o nosso estilo de vida. Isso porque aquele que vive "ligado" a Jesus, é chamado a agir segundo a novidade trazida por Ele!

Daqui se compreende a aparente "dureza" das palavras do Senhor quando nos adverte que "quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo que secará" (Jo 15,6). Em outras palavras, significa dizer que se nós não vivemos segundo a novidade de Jesus, na verdade, não o conhecemos e não pertencemos a Ele! Se o ramo não está ligado à plantação, ou seja, se ele não tem a seiva da vinha correndo pelo seu corpo, na verdade, ele não faz parte dela... O contrário também é verdadeiro: "Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado" (Jo 15, 7).

Hoje renovamos a adesão de nossa vida à novidade de Jesus!
Comuniquemos a "seiva da vida" do Ressuscitado! O mundo precisa desse fruto!
Feliz Páscoa a você, meu amigo!

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

domingo, 8 de março de 2009

2º Domingo da Quaresma - Ano B - 2009


Evangelho (Marcos 9,2-10)


— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!


Naquele tempo, 2 Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e os levou sozinhos a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E transfigurou-se diante deles. 3 Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar. 4 Apareceram-lhe Elias e Moisés, e estavam conversando com Jesus. 5 Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. 6 Pedro não sabia o que dizer, pois estavam todos com muito medo. 7 Então desceu uma nuvem e os encobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!” 8 E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles. 9 Ao descerem da montanha, Jesus ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem tivesse ressuscitado dos mortos. 10 Eles observaram esta ordem, mas comentavam entre si o que queria dizer “ressuscitar dos mortos”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a Vós, Senhor!



Celebramos o 2º Domingo da Quaresma. Essas duas primeiras semanas são um tempo privilegiado para compreendermos cada vez melhor o sentido desse tempo litúrgico de modo a vivê-lo com o máximo proveito possível. Ao mesmo tempo em que avançamos no reconhecimento e na luta contra nossos pecados, também vamos sendo preparados para as narrativas da paixão do Senhor (as duas primeiras leituras da missa desse domingo são um exemplo disso). E por que? Porque na verdade, pela sua paixão, morte e ressurreição, o Senhor já venceu o pecado em sua raiz. Hoje, somos chamados a continuar vencendo-o em nós, numa luta que não travamos sozinhos, mas que vencemos à medida em que nos associamos ao Senhor Vitorioso.

É essa a intenção do Senhor ao levar ao se transfigurar diante de seus discípulos. É interessante notar que esses são os mesmos discípulos que meses depois, estarão com o Senhor no Getsêmani, acompanhando toda sua agonia e que, depois, junto aos demais, o verão sendo entregue à morte. Importante é entender que somente com a visão da glória do Senhor é que os discípulos foram preparados para "suportar" todo o horror que ainda o veriam enfrentar. À medida em que vão reconhecendo Jesus como Senhor e Deus, os discípulos vão sendo capacitados para ler toda sua trajetória de dor e sofrimento à luz de sua glória!

Nós, discípulos do Senhor no mundo de hoje, fazemos o mesmo caminho. Na luta contra o pecado e suas conseqüências (sejam aquelas pessoais, mas também as que atingem toda a humanidade), devemos ter muito presente a glória do Senhor Vencedor do pecado e da morte. Em outras palavras, é preciso reconhecer que a luta que travamos contra o Mal já foi vencida de uma vez por todas pela cruz e ressurreição do Senhor! O modo como nós continuamos a vencê-la é associando, dia após dia, nossa vida a este grande mistério, permitindo que Jesus continue vencendo em nós!

Quando começamos a enxergar o sofrimento em nossa vida à luz do mistério do Senhor - paixão, morte e ressurreição - tudo começa a ganhar um novo contorno. Até mesmo a alegria que vivemos, quando lida sob essa mesma perspectiva, se torna ainda mais alegre.

Se você prestar bastante atenção, verá que é isso que o sacerdote pede, em silêncio, por todos, quando ao preparar o cálice com vinho na apresentação das oferendas da Santa Missa, ele então reza: "Pelo mistério dessa água e desse vinho, possamos participar da divindade do Vosso Filho que se dignou assumir a nossa humanidade". No momento em que faz essa oração, o sacerdote põe uma pequenina gota d'agua no cálice cheio de vinho. Pois bem. Essa gota sou eu! Essa gota é você! Essa gota é toda a humanidade que está sendo mergulhada nas ofertas que se tornarão, por ação do Espírito Santo, no Corpo e Sangue do Senhor. Tudo aquilo é um sinal do que acontece de verdade quando nos associamos ao Senhor. Não há outro melhor caminho: nos associar ao mistério de Jesus, mergulharmos profundamente em seu amor manifesto na cruz que libertou o mundo de todo o pecado!

Continuemos nosso caminho rumo a Deus!
Santa Quaresma a você!
Deus abençoe sua vida!

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.





"Pelo mistério dessa água e dessevinho, possamos participar da divindade do vosso Filho que se dignou assumir a nossa humanidade." (Missal Romano)

sábado, 28 de fevereiro de 2009

1º Domingo da Quaresma - Ano B - 2009

Evangelho (Mc 1, 12-15)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, o Espírito levou Jesus para o deserto. E ele ficou no deserto durante quarenta dias, e ali foi tentado por Satanás. Vivia entre os animais selvagens, e os anjos o serviam. Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galiléia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: "O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!"

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!



O trecho do Evangelho que lemos nesse 1º Domingo da Quaresma ilustra muito bem o espírito desse tempo litúrgico que estamos vivendo. A mensagem central do espírito quaresmal está na necessidade de conversão (cf. Mc 1, 15) que nasce da experiência que realizamos do amor de Deus por nós. Em outras palavras, podemos afirmar que à medida em que mergulhamos no amor de Deus, vamos tomando consciência de nossa fragilidade e do pecado que nos separa dele; daí nossa necessidade de arrependimento e de conversão.

Ao pecador arrependido e desejoso de conversão, Jesus anuncia uma alegre notícia: a proximidade do Reino de Deus. Nesse caso, a palavra "proximidade" deve ser compreendida no sentido de "está ao alcance de". Em outras palavras, Jesus nos revela que o Reino de Deus está secretamente anunciado na pessoa dele e por meio de suas obras. Por isso, converter-se significa acreditar no Evangelho. O Evangelho é Jesus Cristo!

A Igreja se une a cada ano, mediante os quarenta dias da Quaresma, ao mistério de Jesus no deserto. Cristo venceu o Tentador por nós (cf. Hb 4,15) e, hoje, deseja nos tornar vencedores com Ele. Eis uma outra alegre notícia: não estamos sós na luta contra o pecado! Cristo nos ajuda a lutar e a vencer o pecado, à medida em que nos associamos à sua Pessoa. E o modo mais eficaz de nos associarmos a Ele, é o recebendo em seus santos Sacramentos, de modo especial, a Reconciliação e a Eucaristia!

Em Cristo, desejo uma santa e frutuosa Quaresma para você!

Deus abençoe sua vida!
Com afeto salesiano,
P. Mauricio Miranda.