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domingo, 23 de janeiro de 2011

"Reminiscências... de uma Amélia anarquista"

Hoje, chegou em minhas mãos, no final da Santa Missa das 10h30, um livreto, presente da Sra. Helena Tieghi, paroquiana da Dom Bosco do Alto da Lapa. Trata-se de uma auto-biografia de sua mãe, Dona Amélia Fedel Tieghi, já falecida: "Reminiscências... de uma Amélia anarquista".

Diante desse gênero, confesso não me haver animado a lê-lo prontamente. Mas o fato de ser algo tão próximo à vida de alguém que muito contribui com a comunidade, o peguei logo depois do almoço para folheá-lo. Não o larguei antes que o tivesse lido por completo!

De redação leve e simples, o livro é um verdadeiro presente. Dona Amélia conseguiu ali retratar o cenário muito interessante do bairro da Lapa e da cidade de São Paulo dos inícios do século XX. Para além disso, as coisas que escreveu nos levam a pensar na brevidade e fugacidade da vida, fatos que nos convidam a vivê-la com intensidade e responsabilidade. E, de fato, foi com muita intensidade que me parece ter ela passado por este mundo.

Quero agradecer a querida amiga Helena - a quem conheço - pelo presente (depois, o farei pessoalmente!), mas sobretudo, agradecer Dona Amélia - a quem não tive a graça de conhecer -; sua vida e estilo ensinaram boas coisas a esse jovem padre, nessa tarde de domingo. É exatamente de pessoas assim que o mundo tanto necessita. Deus abençoe as tantas Amélias das quais o mundo, felizmente, ainda dispõe. São presentes...

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Deus te alcançou! - Parte 1

Começamos essa pequena série de postagens com uma alegre notícia: Deus se deu a conhecer! Sim, isso mesmo! Por um misterioso desígnio de amor, embora habite em uma luz inacessível (cf. 1Tm 6,16), Deus revela o mistério de sua pessoa a todo o ser humano, doando-se a todos e a cada um.

E Deus assim o faz porque quer nos tornar capazes de conhecê-lo, amá-lo e de responder às suas iniciativas de amor, de um modo muito maior e mais perfeito do que seríamos capazes pelas nossas próprias forças.

E como Deus se revela aos seres humanos? Bem, na verdade, Ele se comunica de modo gradual, numa pedagogia que favoreça seu acolhimento por parte de todo o ser humano. Dessa forma, Deus se revelou por etapas ao longo de toda a história, cuja plenitude se encontra na revelação de Jesus Cristo, o Filho de Deus que se fez ser humano e veio habitar no meio de nós (cf. Jo 1,14).



De fato, "Deus quis, na sua bondade e sabedoria, se revelar a si mesmo e manifestar o mistério de sua vontade: os homens têm acesso ao Pai e se tornam participantes da natureza divina por meio de Cristo, Verbo Encarnado, no Espírito Santo" (Dei Verbum, 2)

A partir da próxima postagem, analisaremos as etapas desse processo amoroso que encontra, em Jesus, seu momento mais sublime.

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Audiência Geral com o Papa [18.11.2009]

Bento XVI
Audiência Geral - Sala Paulo VI (Vaticano)
Quarta-feira, 11 de novembro de 2009



Queridos irmãos e irmãs!

Na catequese da semana passada, eu apresentei alguns aspectos da teologia medieval. Mas a fé cristã, profundamente enraizada nos homens e mulheres daqueles tempos, não deu origem somente a obras-primas da literatura teológica, do pensamento e da fé. Também inspirou uma das maiores criações artísticas da civilização universal: as catedrais, a verdadeira glória da Idade Média cristã. De fato, por quase três séculos, a partir do início do século XI, se testemunhou na Europa um extraordinário fervor artístico. Um antigo cronista descreve o entusiasmo e o trabalho árduo da época: “Aconteceu que em todo o mundo, especialmente na Itália e na Gália, se começou a reconstruir as igrejas, apesar de que muitas, ainda estando em bom estado, não tivessem necessidade de restauração. Era como uma disputa entre um povo e outro; ninguém acreditava que o mundo, sacudindo os trapos velhos, quisesse se revestir por inteiro do manto branco de novas igrejas. Enfim, quase todas as igrejas catedrais, um grande número de igrejas monásticas, e mesmo algumas capelas do interior foram então restauradas pelos fiéis” (Rodolfo, o glaubro, Historiarum 3,4).

Vários fatores contribuíram para este ressurgimento da arquitetura religiosa. Em primeiro lugar, as condições históricas mais favoráveis, tais como uma maior segurança política, acompanhada de um aumento constante da população e do desenvolvimento progressivo das cidades, do comércio e da riqueza. Além disso, os arquitetos identificaram soluções técnicas mais aprimoradas para aumentar o tamanho dos prédios, garantindo-lhes, ao mesmo tempo, a imponência e a majestade. Mas foi principalmente devido ao ardor e ao zelo espiritual do monaquismo em plena expansão que foram elevados igrejas e mosteiros, onde a liturgia podia ser celebrada com dignidade e solenidade e os fiéis podiam fazer uma pausa para a oração, atraídos pela veneração das relíquias de santos, razão das incessantes peregrinações. Assim nasceram as igrejas e catedrais romanas, caracterizadas pela largueza no comprimento dos corredores, para acomodar os numerosos fiéis; grandes igrejas, com paredes espessas, arcos de pedra e de linhas simples e essenciais. Uma novidade é a introdução das esculturas. Sendo as igrejas romanas, o lugar da oração monástica e do culto dos fiéis, os escultores, ao invés de se preocuparem com a perfeição técnica, se importavam de modo especial com a finalidade educativa de suas obras. Já que deviam inspirar nas almas fortes impressões, sentimentos que capazes de encorajá-las a abandonar o vício, o mal e a praticar a virtude, o bem, o tema recorrente era a representação de Cristo como o juiz universal, cercado pelos personagens do Apocalipse. Normalmente são os portais de igrejas romanas que oferecem esta ilustração para enfatizar que Cristo é a porta que leva ao céu. Os fiéis, cruzando o limiar do edifício sagrado, entram num tempo e num espaço diferentes daqueles da vida cotidiana. Acima da porta da igreja, estão os fiéis em Cristo, soberano, justo e misericordioso, representavam o antegozo da bem-aventurança eterna que os fiéis em Cristo podiam sentir na celebração da liturgia e em atos de piedade realizados no interior do edifício sagrado.

Nos séculos XII e XIII, a começar do norte da França, se difundiu outro tipo de arquitetura na construção de edifícios sagrados, o gótico, com duas novidades em relação ao romano, ou seja, o impulso vertical e o brilho. As catedrais góticas demonstravam uma síntese de fé e arte harmoniosamente expressa por meio da linguagem universal e fascinante da beleza, que ainda hoje impressiona. Graças à introdução dos grandes arcos que repousam sobre fortes pilares, foi possível aumentar significativamente a altura dos edifícios. O impulso em direção ao alto queria convidar à oração e era, ele mesmo, uma oração.

A catedral gótica procurava, dessa forma, traduzir em suas linhas arquitetônicas, o anseio das almas para Deus. Além disso, com as novas soluções técnicas adotadas, as paredes externas podiam ser perfuradas e decoradas com vitrais. Em outras palavras, as janelas se tornavam grandes imagens luminosas, bem próprias para educar o povo na fé. Nelas - cena por cena – eram narradas a vida de um santo, uma parábola ou outras passagens bíblicas. Dos vitrais saíam uma cascata de luz que se derramava sobre os fiéis para lhes contar a história da salvação e para envolvê-los nessa história.

Outro mérito das catedrais góticas é o fato de que da construção e decoração, tão diferente, mas harmoniosa, participou toda a comunidade cristã e civil: humildes e poderosos, analfabetos e doutores, porque nesta casa comum todos eram instruídos na fé. A escultura gótica fez das catedrais uma “Bíblia em pedra”, representada por episódios do Evangelho e ilustrando os conteúdos do ano litúrgico, do Natal à glorificação do Senhor. Naqueles séculos, além disso, se difundia cada vez mais a percepção da humanidade do Senhor e os sofrimentos de sua paixão vinham retratados de forma realista: o Cristo sofredor (Christus patiens) tornou-se uma imagem querida por todos e própria para inspirar compaixão e arrependimento dos pecados.

Os fiéis que lotavam as catedrais góticas também gostavam de encontrar expressões artísticas dos santos, modelos de vida cristã e intercessores junto a Deus. E não faltaram manifestações “seculares” de sua existência; apareciam, aqui e ali, representações vindas dos campos, das ciências e das artes. Tudo era orientado e oferecido a Deus no lugar onde se celebrava a liturgia. Podemos compreender melhor o significado que vinha atribuído a uma catedral gótica, considerando o texto gravado no portão central da Saint-Denis, em Paris: “Peregrino, quem quer louvar a beleza dessa porta, não se deixe deslumbrar por seu ouro, nem por sua magnificência, mas sim por seu duro trabalho. Aqui reluz uma obra famosa, mas queira Deus que esta famosa obra que reluz faça brilhar os espíritos, para que com a verdade que ilumina se encaminhem à verdadeira luz, onde Cristo é a verdadeira porta”.

Queridos irmãos e irmãs, gostaria ainda de destacar dois elementos do estilo romano e gótico, úteis também para nós. O primeiro: as obras-primas da Europa dos séculos passados são incompreensíveis se não se levar em conta a alma religiosa que as inspiraram. Um artista que sempre afirmou o encontro entre a estética e a fé, Marc Chagall, escreveu que “por séculos, os pintores molhavam seus pincéis naquele alfabeto colorido que era a Bíblia.” Quando a fé, especialmente celebrada na liturgia, encontra a arte, se cria uma profunda sintonia, para que ambos possam e queiram falar de Deus, tornando visível o invisível. Gostaria de compartilhar isso no encontro com os artistas em 21 de novembro, repetindo para eles aquela proposta de amizade entre a espiritualidade cristã e a arte, ansiada pelos meus venerados predecessores, especialmente os Servos de Deus Paulo VI e João Paulo II. O segundo elemento: a força do estilo romano e o esplendor das catedrais góticas nos lembram que a via pulchritudinis, o caminho da beleza, é um caminho privilegiado e fascinante para aproximar-nos do mistério de Deus. Que é a beleza, que os escritores, poetas, músicos, artistas contemplaram e traduziram em sua língua, senão o reflexo do esplendor do Verbo eterno feito carne? Agostinho diz: “Interroga a beleza da terra, interroga a beleza do mar, interroga a beleza do ar difuso e suave. Interroga a beleza do céu, interroga a ordem das estrelas, interroga o sol, que ilumina o dia com seu esplendor; interroga a lua, que com o seu brilho, suaviza a escuridão da noite. Consulta os animais que se movem nas águas, que caminham pela terra, que voam pelo ar: almas que se escondem, corpos que se mostram; guias visíveis e invisíveis. Interroga-os! Todos responderão: Olha para nós, somos belos! São conhecidos por causa de sua beleza. Esta beleza mutável, quem a criou, se não a Beleza imutável?” (Sermo CCXLI, 2: PL 38, 1134).

Queridos irmãos e irmãs, o Senhor nos ajude a reencontrar o caminho da beleza como uma das vias, talvez a mais atraente e fascinante, para conseguir encontrar e amar a Deus.

(tradução livre, exclusiva para esse blog)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Encontro a sós [Ziza Fernandes]

Bem nos teus braços quero estar
Me refazer diante das pedras lançadas
Não quis errar, nem acertar
Eu quis somente te encontrar nas portas que eu bati

A cada dia que eu viver
Eu vou tentar reconhecer a estrada certa
Tua verdade quero amar
Pagar o preço por pensar e ser sincera

Foi devagar que eu te vi
Num vulto meu eu te perdi
Te procurei, me distraí comigo mesma

Já não é mais o meu lugar
Hoje já sei por onde andar
Eu vou buscando devagar teus passos na longa estrada

Mas se eu me achar sem ver a Ti
Não me levará a nada
Se eu me perder sem ser em Ti
Não me valerá de nada


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Aspirei o teu perfume e te desejei



"Tarde te amei, Beleza tão antiga e tão nova,

tarde demais eu te amei...!

Tu estavas dentro de mim e eu te buscava do lado de fora.
Eu, disforme, buscava as belas formas das tuas criaturas.
Estavas comigo, mas eu não estava contigo.

Mantinham-me amarrado, longe de ti, as tuas criaturas
que, se não fossem sustentadas por ti, deixariam de existir.

Tu me chamaste e teu grito rompeu minha surdez.
Brilhaste e resplandeceste diante de mim,
e a tua luz dissipou minha cegueira.

Exalaste a tua fragância, aspirei o teu perfume e te desejei.
Saboreei-te, e agora tenho fome e sede de ti.
Tocaste-me e agora estou ardendo no desejo de tua paz."

(Santo Agostinho)


sábado, 14 de novembro de 2009

Conforto...

Ontem, antes de dormir, abri as Escrituras. Deparei-me com palavras de uma doçura tão grande que não poderia deixar de partilhá-las com você. Não sei onde está nesse exato momento, muito menos o que tem enfrentado em sua vida, mas sei que Deus quer visitá-lo por meio de sua Palavra, da mesma forma como me visitou ontem. Foi, aliás, essa convicção que me trouxe aqui tão cedo para lhe desejar um bom dia...

Deus te abençoe!

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.



__________________________

Livro da Sabedoria

18,14 Quando um tranqüilo silêncio envolvia todas as coisas e a noite chegava ao meio de seu curso, 15 a tua palavra onipotente, vinda do alto do céu, do seu trono real, precipitou-se, como guerreiro impiedoso, no meio de uma terra condenada ao extermínio; como espada afiada, levava teu decreto irrevogável; 16 defendendo-se, encheu tudo de morte e, mesmo estando sobre a terra, ela atingia o céu.

19,6 Então, a criação inteira, obediente às tuas ordens, foi de novo remodelada em cada espécie de seres, para que teus filhos fossem preservados de todo perigo.

7 Apareceu a nuvem para dar sombra ao acampamento, e a terra enxuta surgiu onde antes era água: o mar Vermelho tornou-se caminho desimpedido, e as ondas violentas se transformaram em campo verdejante, 8 por onde passaram, como um só povo, os que eram protegidos por tua mão, contemplando coisas assombrosas. 9 Como cavalos soltos na pastagem e como cordeiros, correndo aos saltos, glorificaram-te a ti, Senhor, seu libertador.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Audiência Geral com o Papa [04.11.2009]

Caros amigos,

Nessa manhã, em audiência geral aos peregrinos no Vaticano, o Papa Bento XVI continuou sua série de catequeses. Hoje, dando prosseguimento à história do desenvolvimento da teologia, o Papa tratou de uma disputa ocorrida no século XII. Embora longo, tenho certeza de que, o texto tem muito a ensinar para a Igreja dos dias de hoje. Abaixo, segue o discurso do Papa, na íntegra.

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.


Bento XVI
Audiência Geral - Praça de São Pedro
Quarta-feira, 04 de novembro de 2009


Queridos irmãos e irmãs,

Na última catequese, apresentei as características principais da teologia monástica e da teologia escolástica do século XII, que poderemos de certo modo chamar "teologia do coração" e "teologia da razão". Entre os representantes de uma e de outra corrente teologia se desenvolveu um debate amplo e, muitas vezes, inflamado, simbolicamente representado pela controvérsia entre São Bernardo de Claraval e Abelardo.

Para compreender o confronto entre esses dois grandes mestres, é necessário recordar que a teologia é a procura de uma compreensão racional, na medida do possível, dos mistérios da Revelação cristã acolhidos pela fé - fides quaerens intellectum - a busca da inteligibilidade da fé, para usar uma expressão tradicional, concisa e precisa. Ora, enquanto São Bernardo, típico representante da teologia monástica, coloca o acento na primeira parte da definição, isto é, na fé, Abelardo, que é um escolástico, insiste sobre a segunda parte, ou seja, o intellectus, a compreensão por meio da razão. Para Bernardo, a fé em si mesma é dotada de uma certeza interior fundada no testemunho das Escrituras e nos ensinamentos dos Padres da Igreja. A fé é também reforçada pelo testemunho dos santos e pela inspiração do Espírito Santo na alma de cada um dos fiéis. Em caso de dúvidas e ambiguidades, ela é protegida e iluminada pelo exercício do Magistério da Igreja. Assim, Bernardo encontra dificuldades em concordar com Abelardo e, mais ainda, com todos os que submetiam a verdade da fé ao exame crítico da razão; um exame que comportava, na opinião dele, um grave perigo, o intelectualismo, a relativização da verdade, o questionamento das verdades da fé. Nesse modo de agir, Bernardo via uma audácia que beirava a crueldade, fruto do orgulho da inteligência humana, que pensa poder "capturar" o mistério de Deus. Em sua carta, entristecido, escreve assim: "A mente humana toma conta de tudo, não deixando mais nada à fé. Enfrenta aquilo que está acima de si mesma, examina aquilo que lhe é superior, invade o mundo de Deus, altera os mistérios da fé, em vez de iluminá-los; aquilo que é fechado e obscuro, não o abre, mas o esvazia, e o que não é viável por si mesmo, o desconsidera e se recusa a crer nele"

Para Bernardo, a teologia tem um único objetivo: promover a experiência íntima e viva de Deus. A teologia é, portanto, um auxílio para amar sempre mais e melhor o Senhor... Nesse caminho, existem diversos graus que Bernardo descreve com detalhes até o ponto mais alto, quando a alma do fiel se inebria nos vértices do amor. A alma humana pode alcançar ainda na terra aquela união mística com o Verbo Divino, união que Bernardo descreve como as "núpcias espirituais". O Verbo Divino a visita, elimina suas últimas resistências, a ilumina, a inflama e a transforma. Em tal união mística, a alma goza de uma grande serenidade e doçura, e canta a seu esposo um hino de alegria. Como eu recordei na catequese dedicada à vida de São Bernardo (21.10.2009), a teologia para ele só pode se alimentar da oração contemplativa, em outras palavras da união afetiva do coração e da mente com Deus.

Abelardo, que é precisamente aquele que introduziu o termo "teologia" no sentido que nós o entendemos hoje, se põe em uma perspectiva diversa. Nascido na Bretanha, na França, este famoso professor do século XII, era dotado de uma inteligência vivíssima e a sua vocação era o estudo. Ele primeiro se ocupou com a filosofia e depois aplicou os resultados obtidos com essa disciplina à teologia, da qual foi mestre na cidade mais culta daquela época, Paris, e depois nos mosteiros onde morou. Ele foi um orador brilhante: suas palestras foram seguidas por uma multidão de alunos. De espírito religioso, mas com uma personalidade inquieta, a sua vida foi cheia de supresas: contestou seus professores, teve um filho com uma mulher culta e inteligente, Eloísa. Muitas vezes se meteu em polêmica com seus colegas teólogos, sofreu também condenações eclesiásticas, mas morreu em plena comunhão com a Igreja, a cuja autoridade ele se submeteu com espírito de fé. São Bernardo mesmo contribuiu para algumas condenações de algumas doutrinas de Abelardo no sínodo provincial de Sens, no ano de 1140, e também pediu a intervenção do papa Inocêncio II. O abade de Claraval contestava, como já dissemos, o método demais intelectualista de Abelardo que, ao seu parecer, reduzia a fé a uma mera opinião a respeito da verdade revelada. Os temores de Bernardo não eram infundados e eram condivididos por outros pensadores daquele tempo. Na verdade, o uso excessivo da filosofia enfraqueceu a doutrina trinitária de Abelardo e, dessa forma, a sua idéia de Deus. No campo moral, seus ensinamentos eram cheios de ambiguidade: ele insistiu em considerar a intenção do indivíduo como a única fonte para descrever a bondade ou a maldade dos atos morais, desconsiderando o significado objetivo e o valor moral das ações: um subjetivismo perigoso. Este é, como sabemos, um tema de grande atualidade para a nossa época, em que a cultura é muitas vezes marcada por uma tendência crescente do relativismo ético: somente o eu decide aquilo que é bom para si. Não podemos nos esquecer, porém, os grandes méritos de Abelardo que, tinha muitos discípulos e contribuiu de modo muito significativo para o desenvolvimento da teologia escolástica, destinada a expressar-se de modo mais maduro e seguro no século seguinte. Também não devemos subestimar algumas de suas idéias como, por exemplo, quando ele diz que tradições religiosas não-cristãs, estão preparadas para acolher a Cristo, o Verbo Divino.

O que podemos aprender nós, hoje, do confronto, de tons frequentemente fortes, entre Bernardo e Abelardo e, em geral, entre a teologia monástica e aquela escolástica? Primeiro de tudo, creio que nos mostra a utilidade e a necessidade de uma saudável discussão teológica na Igreja, especialmente quando os assuntos discutidos não foram definidos pelo Magistério que, por sua vez, continua sendo uma referência incontornável. São Bernardo, mas também Abelardo, sempre reconheceram sem exitação a autoridade. Além disso, as condenações que Abelardo sofreu nos recorda que deve haver um equilíbrio entre o que chamamos de princípios arquitetônicos dados a nós pela Revelação e que conservam, portanto, sempre uma prioritária importância, e aquelas interpretações sugeridas pela filosofia, ou seja, pela razão, e que têm um papel importante, mas instrumental. Quando este equilíbrio entre a arquitetura e os instrumentos de interpretação é esquecido, a reflexão teológica corre o risco de ser afetada por erros e é, então, que do Magistério se espera aquele necessário serviço à verdade que lhe caracteriza. Além disso, é bom salientar que dentre os motivos que levaram Bernardo a "tomar partido" contra Abelardo e solicitar a intervenção do Magistério, estava aquele de salvar os fiéis simples e humildes, que devem ser defendidos quando correm o risco de serem confundidos ou desviados por opiniões muito pessoais e por argumentos teológicos duvidosos, que podem comprometer a sua fé.

Gostaria de recordar, enfim, que o confronto teológico entre Bernardo e Abelardo terminou com uma plena reconciliação entre os dois, por meio da mediação de um de seus amigos, o abade de Cluny, Pedro, o venerável, de quem falei em uma das catequeses anteriores (14.10.2009). Abelardo mostrou humildade em reconhecer seus erros e Bernardo usou de grande bondade. Prevaleceu em ambos o que deve realmente estar no centro, quando nasce uma controvérsia teológica: salvar a fé da Igreja e fazer triunfar a verdade na caridade. Que esta seja, ainda hoje, a virtude com a qual se discute na Igreja, tendo sempre como meta a busca da verdade.


(tradução livre, exclusiva para esse blog)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Uma carícia de Deus...

Na tarde de anteontem, ao participar da oração com minha comunidade, me deparei com a récita de um salmo que, confesso, já a fiz muitas outras vezes. Porém, naquele momento, a graça de Deus me permitiu olhar para aquelas palavras com novos olhos, permitiu que a Palavra de Deus fosse semeada de maneira nova em meu coração.

A oração do salmista me convencia ainda mais do imenso amor de Deus. Voltei a rezá-lo por diversas vezes sozinho, depois daquele momento de graça! Convido você que visita esse blog a rezá-lo também. Independente de onde você esteja nesse momento, desejo que Deus lhe visite de maneira nova. Que Ele próprio lhe convença do quanto você é amado e de que esse amor é capaz de mudar a sua vida!

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.


Salmo 138, 13-18.23-24

Foste tu que criaste minhas entranhas;
tu me abrigavas no seio materno.
Reconheço que sou uma verdadeira maravilha,
tuas obras são prodigiosas:
sim, reconheço-o claramente.

Meus ossos não te permaneceram ocultos
quando eu fui feito em segredo,
tecido na profundidade da terra.
Ainda sem forma e os teus olhos me viram.
No teu livro, estavam descritos
aqueles dias em que foram formados
quando ainda nenhum deles existia.

Ó Deus, como são difíceis para mim os teus projetos,
como é grande o número deles!
Gostaria de contá-los, mas são mais numerosos que a areia.
Quando penso que terminaram, estão ainda contigo.

Ó Deus, sonda-me e conhece o meu coração;
prova-me e conhece meus pensamentos.
Vê, portanto, se estou trilhando um caminho de mentiras
e conduze-me pelas estradas da vida.

domingo, 11 de outubro de 2009

Seguir Jesus requer nadar contra a maré! - Parte 2

Caro amigo,

Nesse domingo (11/10), o Papa Bento XVI voltou a falar que seguir Jesus requer saber nadar contra a maré. Exatamente há um mês atrás ele utilizava a mesma expressão aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro (cf. também postagem do dia 11/09). Dessa vez, o discurso se dirigiu aos fiéis reunidos para a canonização de cinco novos santos para a Igreja.

Penso que esta seja a grande graça que precisamos aprender a pedir a Deus em nosso dias. De modo especial, os jovens precisam ser agraciados com a coragem de testemunhar seu amor pelo Senhor, mesmo em situações onde isso implique ser "diferente" dos demais!

Abaixo, segue notícia extraída de um site da internet. Apesar do site não ser de origem confessional, muito me alegrou o modo como noticiaram o evento.

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.



Papa Bento XVI canoniza cinco novos santos

CIDADE DO VATICANO, 11 OUT (ANSA) - O papa Bento XVI canonizou neste domingo cinco novos santos católicos em uma cerimônia realizada na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

São eles o polonês Zygmunt Szczesny Felinski, fundador da Congregação das Irmãs Franciscanas da Família de Maria; a francesa Marie de la Croix, criadora da Congregação das Irmãzinhas dos Pobres; o padre belga Jozef Damian de Veuster, que dedicou sua vida à assistência de pessoas com hanseníase no Havaí; e os espanhóis Rafael Arnaiz Baron, religioso da ordem trapista, considerado um dos grandes místicos do século XX, e Francisco Coll y Guitart, fundador da Congregação das Irmãs Dominicanas da Anunciação de Nossa Senhora.

A Eucaristia foi celebrada por nove arcebispos, 14 bispos e 20 sacerdotes. Bento XVI mencionou os exemplos de vida de todos os beatos, dando ênfase a seus feitos em favor do próximo e pelo amor a Deus. A perfeição dos santos, disse o Papa, "na lógica da fé às vezes humanamente incompreensível, não consiste em colocar a si mesmo no centro, mas em optar por andar contra a corrente, vivendo segundo o Evangelho". "Estas pessoas mantiveram um sincero desejo de alcançar a vida eterna conduzindo uma honesta e virtuosa vida terrena", complementou.

Cerca de 50 mil fiéis acompanharam a missa, que foi assistida também por autoridades dos países de origem dos novos santos. Estiveram presentes o rei belga, Alberto II, e a rainha Paola, o presidente da Polônia, Lech Kaczynski, o primeiro-ministro francês, François Fillon, e o chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos. Em nome do governo dos Estados Unidos, nação à qual pertence o Havaí, participaram o embaixador junto à Santa Sé, Miguel Umberto Diaz, e o senador havaiano Daniel Kahikina Akaka.

Após a cerimônia, já durante o Angelus, Bento XVI saudou a presença de um grupo de pessoas que sobreviveram aos ataques de Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. O Papa orou para que "o mundo nunca mais assista a semelhantes destruições massivas de vidas humanas inocentes".

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

10.000 acessos!

Estamos em festa!

Hoje, nosso blog atingiu a marca de 10.000 acessos ao longo do ano de 2009.

Desde sua criação, foram mais de 15.000. Lentamente, ele vai entrando nos mais diferentes lugares, desde residências às inúmeras lan houses espalhadas aos quatro cantos; vai sendo conhecido sob os mais variados pretextos, desde os visitantes assíduos àqueles que entram por simples acaso... O que importa é que, de uma forma ou de outra, ninguém acessa essas páginas sem levar algo de novo. Temos a absoluta certeza de que Deus se utiliza desse pequeno instrumento para chegar ao coração de muitos!

Esse blog é mantido em obediência Àquele que deseja encontrar você para lhe transformar a partir de dentro! Seja bem-vindo! Divulgue-o e evangelize!

Deus abençoe sua vida!
Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Audiência Geral com o Papa [16.09.2009]

Caros amigos,

Nessa manhã, em audiência geral aos peregrinos no Vaticano, o Papa Bento XVI continuou sua série de catequeses, nas quais tem apresentado figuras muito importantes da história da Igreja. Hoje foi a vez de Simão, o Novo Teólogo. Creio que seja muito opotuno, nos nossos dias, o que nos ensina esse importante monge do século XI. Por isso, abaixo, segue o discurso do Papa, na íntegra.

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

Bento XVI
Audiência Geral - Sala Paulo VI
Quarta-feira, 16 de setembro de 2009




Simão, o Teólogo

Caros irmãos e irmãs,

Hoje refletiremos sobre a figura de um monge oriental, Simão o Novo Teológo, cujos escritos exerceram uma grande influência na teologia e na espiritualidade do Oriente, em particular no tocante à experiência da união mística com Deus. Simão o Novo Teólogo nasceu em 949 em Galatai, na Paflagônia (Ásia Menor), de nobre família. Ainda jovem, se transferiu para Constantinopla para estudar e entrar para o serviço do Imperador. Porém, se sentiu pouco atraído pela carreira civil que se abria aos seus olhos e, sob influência de iluminações que havia experimentado anteriormente, passou a procurar uma pessoa que o orientasse no momento cheio de dúvidas e de perplexidade que vivia e que o ajudasse a progredir no caminho da união com Deus. Encontrou esta guia espiritual em Simão, o Pio (Eulabes), um simples monge do mosteiro de Studios, em Constantinopla, que lhe deu para ler o tratado Lei Espiritual de Marco, o Monge. Naquele texto, Simão o Novo Teólogo encontrou um ensinamento que muito o impressionou: "Se procuras a cura espiritual, seja atento à tua consciência. Tudo isso que ela te diz, faça e encontrarás aquilo que te é útil". Daquele momento em diante - conta ele mesmo - nunca mais se recolheu sem se perguntar à consciência se havia algo de que o censurar.

Simão entrou para o mosteiro de Studios, onde, porém, suas experiências místicas e a sua extraordinária devoção a seu Pai espiritual lhe causaram dificuldades. Transferiu-se para o pequeno convento de São Mamede, sempre em Constantinopla, do qual, depois de três anos, se torna o superior, o abade. Ali, viveu uma intensa união espiritual com Cristo, fato que lhe conferiu grande autoridade. É interessante notar que lhe foi dado o apelido de "Novo Teólogo", apesar da tradição reservar o título de "Teólogo" a duas personalidades: ao evangelista João e a Gregório de Nazianzo. Sofreu incompreensões e o exílio, mas foi reabilitado pelo Patriarca de Constantinopla, Sérgio II.

Simão o Novo Teólogo passou a última fase de sua existência no mosteiro de Santa Marina, onde escreveu grande parte de suas obras, tornando-se sempre mais célebre pelos seus ensinamentos e por seus milagres. Morreu aos 12 de março de 1022.

O mais conhecido de seus discípulos, Niceta Stetatos, que recolheu e copiou os escritos de Simão, lhes preparou uma edição póstuma, redigindo em seguida uma biografia. A obra de Simão compreende nove volumes (divididos em Capítulos Teológicos, Gnósticos e Práticos), três volumes de Catequese endereçados aos monges, dois volumes de Tratados Teológicos e Éticos e um volume de Hinos. Não devemos esquecer de suas numerosas cartas. Todas essas obras encontram um lugar de relevo na tradição monástica oriental até os nossos dias.

Simão concentra sua reflexão na presença do Espírito Santo nos batizados e na consciência que eles devem ter de tal realidade espiritual. A vida cristã - ele afirma - é comunhão íntima e pessoal com Deus, a graça divina ilumina o coração do fiel e o conduz à visão mística do Senhor. Nesse sentido, Simão o Novo Teólogo insiste no fato de que o verdadeiro conhecimento de Deus não vem dos livros, mas da experiência interior, da vida espiritual. O conhecimento de Deus nasce do caminho de purificação interior que tem início com a conversão do coração, graças à força da fé e do amor; passa por um profundo arrependimento e dor sincera pelos próprios pecados, para chegar à união com Cristo, fonte de alegria e de paz, invadida pela luz da sua presença em nós. Para Simão, tal experiência da graça divina não constitui um dom excepcional para alguns místicos, mas é fruto do Batismo na existência de todo o fiel que se impenha seriamente.

Um ponto sobre o qual refletir, caros irmãos e irmãs! Este santo monge oriental convoca todos a uma atenção à vida espiritual, à presença escondida de Deus em nós, à sinceridade da consciência e à purificação, à conversão do coração, assim realmente o Espírito Santo se torna presente em nós e nos guia. Se, de fato, com razão nos preocupamos em cuidar de nosso crescimento físico, humano e intelectual, é ainda mais importante não esquecer do crescimento interior que consiste no conhecimento de Deus, no verdadeiro conhecimento, não apenas tomado dos livros, mas do interior, da comunhão com Deus, para experimentar sua ajuda em cada momento e em toda a circusntância. No fundo, é isso que Simão descreve quando narra a própria experiência mística. Já quando jovem, antes de entrar no mosteiro, enquanto prolongava suas orações em casa, invocando o auxílio de Deus para lutar contra as tentações, viu seu quarto encher de luz. Quando, depois, entrou no mosteiro, lhe ofereceram os livros espirituais para a instrução, mas a leitura deles não lhe trazia a paz que procurava. Se sentia - ele conta - como um pobre passarinho sem asas. Aceitou com humildade aquela situação, sem revoltar-se, e então começaram a se multiplicar de novo as visões de luz. Querendo assegurar-se da autenticidade delas, Simão pediu diretamente a Cristo: 'Senhor, és tu mesmo de verdade que estás aqui?". Sentiu ressoar no coração a resposta afirmativa que o consolou plenamente. "Foi aquela, Senhor - esscreveu logo em seguida - a primeira vez que me julgaste, filho pródigo, digno de escutar a tua voz". No entanto, nem aquela revelação o deixou totalmente em paz. Ele se perguntava, ao invés, se mesmo aquela experiência não poderia ser considerada uma ilusão. Um dia, finalmente, aconteceu um fato fundamental para a sua experiência mística. Ele começou a se sentir como um "pobre que ama os irmãos". Via ao seu redor tantos inimigos que queriam feri-lo e lhe fazer o mal, mas isso provocava nele um intenso amor por todos. Como explicar aquilo? Evidentemente, não podia vir dele mesmo um amor assim, mas deveria vir de uma outra fonte. Simão entendeu que vinha de Cristo presente nele e tudo ficou claro: teve a prova segura de que a fonte do amor nele era a presença de Cristo e que ter em si o amor que vai além de minhas intenções pessoais indica que a fonte do amor está em mim. Assim, se por um lado podemos dizer que sem uma certa abertura ao amor, Cristo não entra em nós, por outro lado, Cristo se torna fonte de amor em nós e nos transforma. Caros amigos, esta experiência como nunca continua sendo importante para nós, hoje, para encontrarmos os critérios que nos indicam se estamos realmente próximos de Deus, se Deus está vivo em nós. O amor de Deus cresce em nós se permanecemos unidos a Ele pela oração e na escuta de sua palavra, com a abertura de coração. Somente o amor de Deus nos faz abrir o coração aos outros e nos torna sensíveis às suas necessidades, fazendo-nos considerar todos como irmãos e irmãs, convidando-nos a responder ao ódio com amor e à ofensa com o perdão.

Refletindo sobre a figura de Simão o Novo Teólogo, podemos salientar um outro elemento de sua espiritualidade. No caminho de vida ascética por ele proposto e vivido, a grande atenção e concentração do monge na experiência interior confere ao Pai espiritual do mosteiro uma importância essencial. O mesmo jovem Simão, como dissemos, tinha encontrado um diretor espiritual que o ajudou muito, pelo qual conservou grandíssima estima, a ponto de reservar-lhe, mesmo depois da morte, uma veneração também pública. Eu gostaria de dizer que pemanece válido para todos - sacerdotes, pessoas consagradas e leigos, e especialmente para os jovens - o convite a recorrer aos conselhos de um bom Pai espiritual, capaz de acompanhar cada um no conhecimento profundo de si mesmo e conduzi-lo à união com o Senhor, de modo que sua existência se conforme sempre mais ao Evangelho. Para ir em direção ao Senhor temos sempre necessidade de ajuda, de diálogo. Não podemos fazê-lo somente com as nossas reflexões. Eis o sentido eclesial de nossa fé.

Concluindo, podemos sintetizar assim o ensinamento e a experiência mística de Simão o Novo Teólogo: na sua incessante busca de Deus, apesar das dificuldades que encontrou e nas críticas das quais foi objeto, ele, no final das contas, se deixou guiar pelo amor. Soube viver ele mesmo e ensinar aos seus monges que o essencial para cada discípulo de Jesus é crescer no amor e assim crescer no conhecimento do próprio Cristo, para poder afirmar com São Paulo: "Não sou mais eu quem vivo, é Cristo que vive em mim". (Gl 2,20)

(tradução livre, exclusivamente para esse blog)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Seguir Jesus requer nadar contra a maré!

Caro amigo,

No último dia 23 de agosto, o Santo Padre dirigiu, como de costume, algumas palavras aos peregrinos presentes na Praça de São Pedro. Comentando o Evangelho da Missa daquele domingo, afirmou que seguir Jesus "enche o coração de alegria e dá sentido pleno à nossa existência, mas inclui dificuldades e renúncias porque com muita frequência se deve ir contra a corrente".

Penso que esta seja a grande graça que precisamos aprender a pedir a Deus em nosso dias. De modo especial, os jovens precisam ser agraciados com a coragem de testemunhar seu amor pelo Senhor, mesmo em situações onde isso implique ser "diferente" dos demais! Abaixo, segue o texto com as palavras de Bento XVI, na íntegra.

Com afeto salesiano,
P. Mauricio Miranda.


Palácio Apostólico de Castel Gandolfo
Domingo, 23 de Agosto de 2009

Queridos irmãos e irmãs!

Como podeis ver, a mão foi libertada do gesso, mas ainda está um pouco preguiçosa; deve estar ainda por algum tempo numa "escola de paciência", mas vamos em frente!

Sabeis que há alguns domingos a liturgia propõe à nossa reflexão o capítulo 6 do Evangelho de João, no qual Jesus se apresenta como o "pão vivo que desceu do céu" e acrescenta: "Se alguém comer deste pão viverá eternamente; e o pão que Eu hei-de dar é a minha carne pela vida do mundo" (Jo 6, 51). Aos judeus que discutem asperamente entre si, perguntando-se: "Como pode Ele dar-nos a comer a Sua carne?" (v. 52) — e o mundo continua a discutir — Jesus reafirma em todos os tempos: "Se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o Meu sangue não tereis a vida em vós" (v. 53); motivo também para nós de refletir se compreendemos realmente esta mensagem. Hoje, 21º domingo do tempo comum, meditamos a parte conclusiva deste capítulo, no qual o quarto Evangelista descreve a reação do povo e dos próprios discípulos, escandalizados com as palavras do Senhor, a ponto que muitos, depois de o terem seguido até então, exclamam: "Duras são estas palavras! Quem pode escutá-las?" (v. 60). A partir de então "muitos dos Seus discípulos retiraram-se e já não andavam com Ele" (v. 66), e acontece sempre de novo a mesma coisa, em diversos períodos da história. Poderíamos esperar que Jesus procure maneiras para se fazer compreender melhor, mas Ele não abranda as suas afirmações, aliás dirige-se diretamente aos Doze, dizendo: "Também vós quereis retirar-vos?" (v. 67).

Esta pergunta provocatória não se destina só aos ouvintes de então, mas atinge os crentes e os homens de todas as épocas. Também hoje muitos permanecem "escandalizados" diante do paradoxo da fé cristã. Os ensinamentos de Jesus parecem "duros", demasiado difíceis de aceitar e de pôr em prática. Então há quem rejeita e abandona Cristo; há quem procura "adaptar" a sua palavra às modas dos tempos desvirtuando o seu sentido e valor. "Também vós quereis retirar-vos?". Esta preocupante provocação ressoa no nosso coração e espera de cada um uma resposta pessoal; trata-se de uma pergunta feita a cada um de nós. Jesus não se contenta com uma pertença superficial e formal, não lhe é suficiente uma primeira e entusiasta adesão; ao contrário, é necessário participar toda a vida "no seu pensar e no seu querer". Segui-l'O enche o coração de alegria e dá sentido pleno à nossa existência, mas inclui dificuldades e renúncias porque com muita frequência se deve ir contra a corrente.

"Também vós quereis retirar-vos?". Pedro responde à pergunta de Jesus em nome dos Apóstolos, dos crentes de todos os séculos: "Senhor, para quem havemos nós de ir? Tu tens palavras de vida eterna; e nós acreditamos e sabemos que és o Santo de Deus" (v. 68-69). Queridos irmãos e irmãs, também nós podemos e queremos repetir a resposta de Pedro neste momento, conscientes da nossa fragilidade humana, dos nossos problemas e dificuldades, mas confiantes no poder do Espírito Santo, que se exprime e se manifesta na comunhão com Jesus. A fé é dom de Deus ao homem e é, ao mesmo tempo, entrega livre e total do homem a Deus; a fé é escuta dócil da palavra do Senhor, que é "farol" para os nossos passos e "luz" para o nosso caminho (cf. Sl 119, 105). Se abrirmos com confiança o coração a Cristo, se nos deixarmos conquistar por Ele, podemos experimentar também nós, como por exemplo o santo Cura d'Ars, que "a nossa única felicidade nesta terra é amar Deus e saber que Ele nos ama". Peçamos à Virgem Maria que mantenha sempre despertada em nós esta fé impregnada de amor, que a tornou, humilde jovem de Nazaré, Mãe de Deus e mãe e modelo de todos os crentes.

Bento XVI

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Setembro: Mês da Bíblia

Na mesma semana em que recebi o convite para escrever este artigo, atendi um jovem que me perguntava sobre quais os passos para ler a Bíblia com maior proveito. Enquanto dialogávamos, percebi no coração dele o mesmo desejo do salmista quando exclama: “Senhor, é a vossa face que eu procuro!” (Sl 26, 8). Conversamos por um bom tempo e, daquele bate-papo, nasceu esse artigo.

Diante daquela pergunta não hesitei em dar ao jovem uma primeira boa notícia: antes mesmo que nos colocássemos a sua procura, Deus já havia decidido vir ao nosso encontro para nos revelar o seu grande mistério de amor.

Deus se revela por meio da Palavra

Como Deus vem ao nosso encontro? Essa foi a segunda pergunta que o jovem me fez. Mas a resposta, ao mesmo tempo que lógica, lhe pareceu um tanto estranha. Eu lhe disse que Deus sempre fez o “uso da palavra” para falar conosco.

Antes mesmo que existíssemos já era assim. Foi pela palavra que Ele criou o mundo: “Deus disse: ‘Faça-se a luz!’ E a luz foi feita” (Gn 1, 3). Também foi pela palavra que nós passamos a existir: “Depois Deus disse: ‘Façamos o ser humano a nossa imagem e semelhança...” (Gn 1,26). É pela palavra que Ele se revela ao povo de Israel, de cima do Monte Horeb: “Convoca o povo para junto de mim, a fim de ouvirem as minhas palavras...” De fato, o próprio Moisés depois testemunha o ocorrido: “O Senhor falou-vos do meio do fogo; ouvistes o som das palavras, mas não vistes figura alguma. Era apenas uma voz” (Dt 4,10.12).

A palavra de Deus é uma palavra de Amor. Deus é Amor! (cf. 1 Jo 4,8). Quando se revela a nós, Deus assim o faz para nos atrair a Ele, para nos fazer participar de seu amor. Por isso a revelação de Deus ao longo da história, nós a chamamos de História da Salvação. É salvo todo aquele que acolhe a Palavra de Deus. Foi então que anunciei ao jovem uma boa notícia ainda maior!

A Palavra de Deus veio morar entre nós!

A História da Salvação alcança seu ponto mais alto com a vinda de Jesus. O desejo de Deus de nos atrair a Ele se realiza plena e concretamente quando sua Palavra se une a nossa natureza humana. Jesus Cristo é a Palavra de Deus que se fez carne.

Foi então que, pensativo, o jovem se recordou do que está escrito no início do Evangelho de São João: “No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; o Verbo era Deus... E o Verbo se fez carne e veio habitar no meio de nós.” (Jo 1,1.14)

De fato, toda a vida de Cristo foi uma realização da Palavra: seus silêncios, suas pregações, seus gestos, suas orações, seu amor incondicional pelo ser humano, sua entrega na cruz para a salvação do mundo, sua Ressurreição... Tudo nele é Palavra por excelência porque comunica ao coração do homem as coisas do coração de Deus! Ele é o pleno cumprimento da Revelação de Deus.

A Sagrada Escritura

Embora não seja a única forma pela qual Deus se revela ao longo da história, a Bíblia representa um grande momento desse longo percurso; ela é o grande “testemunho”, em forma escrita, da Palavra de Deus. Como expressão escrita dessa Palavra, a Sagrada Escritura a contém e a manifesta em toda a sua eficácia (cf. 2 Tm 3,16). Por isso, a Bíblia é um caminho imprescindível para aquele que procura a face do Senhor.

A Sagrada Escritura é Escritura porque compreende um conjunto de textos, fruto de diversas releituras de fé que o povo de Israel foi realizando de sua própria história com Deus. Mas ela é, antes de tudo, Sagrada porque suas diversas redações foram sempre inspiradas por Deus. É a inspiração de Deus que faz de tais textos Palavra de Deus: a Palavra de Deus escrita.

No longo e complexo processo de redação dos livros sagrados, o povo de Deus sempre foi assistido pelo Espírito Santo. É o Espírito do Senhor quem inspirou os diversos autores a escreverem tudo e somente aquilo que Deus desejava comunicar por escrito. É também o Espírito quem confiou a Palavra de Deus escrita à Igreja para ser guardada, autenticamente interpretada, vivida e anunciada ao mundo inteiro. Daqui nascem as duas primeiras atitudes fundamentais para quem deseja ler a Bíblia com proveito: pedir a assistência do Espírito Santo e lê-la em comunhão com toda a Igreja.

Pedir a assistência do Espírito Santo

Uma vez que, como dissemos, é o Espírito quem guia o povo de Deus na justa interpretação daquilo que Ele mesmo inspirou que fosse escrito e entregou à Igreja para que fosse vivido e anunciado, é à luz de sua presença e ação que devemos contemplar a Sagrada Escritura.

Precisamos pedir o auxílio do Espírito na leitura e no estudo da Sagrada Escritura, já que é Ele quem nos ensina todas as coisas (cf. Jo 14,26) e nos leva à plenitude da verdade (cf. Jo 16,13); no esforço por traduzir a Palavra escrita em atos de vida porque Ele é a força que faz de nós testemunhas de Deus (cf. At 1,8); no momento de anunciá-la a todos porque é Ele quem fala em nós e por meio de nós (cf. Mc 13, 10-11).

Ler a Bíblia em comunhão com a Igreja

Exatamente porque o Espírito assiste à Igreja de Deus desde o momento de sua fundação, o segundo critério fundamental é ler a Sagrada Escritura sempre em comunhão com a Igreja. De fato, a tradição da Igreja dispõe de um grande tesouro que nos auxilia em muito a compreender, testemunhar e anunciar aquilo que lemos.

Nesse sentido, lugar privilegiado para o encontro com a Sagrada Escritura é a liturgia da Igreja. Nas celebrações litúrgicas, a Palavra escrita é uma das formas pela qual Deus vem ao nosso encontro para salvar-nos. Por isso é ali que, de modo especial, o fiel experimenta a ação transformadora da Palavra em sua vida e recebe a força para anunciá-la.

Fala, Senhor!

Bem, mas você pode estar se perguntando sobre como terminou a conversa com aquele jovem. Ela não terminou. Na verdade, jamais terminará! A Sagrada Escritura é uma fonte inesgotável. Continuamos, ele e eu, a procurar a face do Senhor. E nessa procura, aprendemos com a Sagrada Escritura, todos os dias, dizer a Deus: “Fala, Senhor! O teu servo escuta!” (1 Sm 3, 10) E a cada vez que lhe pedimos, Ele nos fala.

Com afeto salesiano,
Pe. Mauricio Miranda.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

No limite!



Não é de hoje que o slogan "qualidade total" está em moda. O mundo em que vivemos há muito tempo é marcado pela competitividade, onde a procura pela perfeição e a superação dos próprios limites tornou-se caminho obrigatório para quem busca a auto-realização.

Numa cultura que tenta nos convencer de que só os melhores vencem na vida, é preciso aprendermos, com os nossos próprios limites, que isso não é bem verdade. Os limites que possuímos têm muito a nos ensinar sobre nós mesmos e sobre os outros.

A grande lição que aprendemos deles é a de que nós, definitivamente, não nos bastamos. Cada limite procura nos alertar que para sermos uma pessoa realizada, precisamos do próximo. Ninguém é feliz sozinho. Deus nos criou limitados justamente para que alcançássemos na sadia convivência com os demais e na relação com Ele, a plena realização de nossa vida. Precisamos uns dos outros para nos completar! Precisamos de Deus para sermos inteiros!

Que tal fazermos as pazes com nossos limites?

Deus abençoe sua vida.
Com afeto salesiano,
P. Mauricio Miranda.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A virtude da prudência


Quem de nós já não iniciou o dia achando que não ia dar conta de tudo o que deveria fazer? Ou quem de nós alguma vez não concordou com a tese de que o dia deveria ter mesmo mais que 24 horas? De fato, parece que estamos mergulhados numa rotina que nos obriga a realizar o maior número de coisas num espaço cada vez mais curto de tempo.

Claro que tudo isso tem um preço. Para além dos males ligados a saúde - coisa que as publicações do gênero não se cansam de ilustrar - esse estilo de vida pode nos roubar a capacidade de refletir diante das decisões que somos chamados a tomar no dia-a-dia. De fato, a prudência é uma das virtudes mais ausente em nossos dias.

Todas as nossas ações devem estar orientadas para o bem. A prudência é aquela virtude que nos leva a discernir e escolher os meios mais adequados para realizar o bem. Um exemplo? Se para me sentir bem no dia seguinte, devo dormir cerca de oito horas por dia, a prudência é a virtude que me faz desligar o computador e ir dormir na hora certa... Outro exemplo? Se devo preservar a vida das pessoas enquanto dirijo meu carro, a prudência é a virtude que me impede de beber antes de guiar... Poderíamos dar outros inúmeros exemplos, desde os mais "banais" aos realmente importantes. O fato é que, na maioria das vezes, a falta de prudência é uma das principais causas dos males que nos afetam e que nos impedem de ser feliz.

Bem, temos o dia de hoje para nos exercitar!
Eu quero começar já! Espero que você também!

Com afeto salesiano,
P. Mauricio Miranda.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Quais são seus planos para hoje?


Todos nós fazemos planos. E é bom que seja assim. Aquele que se organiza, nas pequenas ou nas grandes coisas da vida, tem muito mais chance de alcançar seus objetivos. Planejar é, portanto, necessário!

Porém, mais importante ainda é saber submeter nossos projetos àquele que é o Senhor de nossa vida. E por que? Simplesmente pelo fato de que Deus sabe o que é o melhor para cada um de nós. De fato, é verdadeira a palavra que nos aconselha: "o coração humano planeja seu rumo, mas o Senhor é quem lhe firma os passos" (Provérbios 16,9).

Planejar antes de tomar qualquer decisão é sinal de maturidade; permitir que Deus confirme nossos planos ou, se necessário, mude-os de rumo, é sinal de sabedoria.

Uma dica para começar?
Quais são seus planos para hoje...?

Com afeto salesiano,
P. Mauricio Miranda.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Perdoar é possível!


Muitas pessoas me procuram para falar sobre a dificuldade que possuem em perdoar. Na grande maioria dos casos, são pessoas que buscam a conversão de vida e entendem que isso requer de cada um de nós a experiência do perdão.

O mais importante para quem deseja realizar tal experiência é compreender que perdoar faz parte de um processo, não é algo que acontece do dia para a noite. Não é porque quero perdoar que perdôo, até porque as feridas levam um tempo para serem curadas. E como é bom saber que Deus sabe disso! E por isso não pede de nós o impossível. Antes, o Senhor deseja nos ensinar a aprender a perdoar. Repito: Deus deseja nos ensinar a aprender a perdoar.

Para começar esse processo de cura interior, há apenas uma condição: que nos decidamos por começá-lo. Parece óbvio não é mesmo? Mas é algo fundamental! O primeiro passo para quem deseja aprender a perdoar é decidir-se por começar! E isso implica permitir que Deus nos ensine. É preciso dizer: Senhor, eu me decido por perdoar, porém com as minhas forças não me sinto capaz. Vem, Senhor, ensina-me!

Quando permitimos que Deus nos ensine, na verdade, estamos nós, em primeiro lugar, nos abrindo a experimentar o perdão que vem dele, pois essa é a maneira que Deus escolhe para nos ensinar a perdoar: perdoando-nos! Somente quando provamos como Deus é paciente conosco, usando de misericórdia para com todas os nossos mais graves erros, é que aprendemos que é possível ser paciente e misericordioso com os outros.

Em outras palavras, isso significa dizer que não podemos oferecer aos outros aquilo que não possuimos. Você quer perdoar? Permita-se realizar a experiência do perdão que vem de Deus. É Deus quem perdoa em nós. É pela força do perdão dele que nos sentimos capazes de perdoar. Quando alguém me diz: "padre, não sou capaz de perdoar aquela pessoa", eu sempre concordo com essa afirmação e respondo: "sim, não somos capazes mesmo, mas é Deus quem quer perdoar em nós!"

Acredite: perdoar é possível! Deus o torna possível!
Precisamos querer começar! Que Deus abençoe a sua decisão!

Com afeto salesiano,
P. Mauricio Miranda.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Com a palavra: você!



É verdade que toda a palavra tem sua força. Nada do que falamos sai de nossa boca sem que produza algum efeito. Daí que é muito bom quando aprendemos a tomar cuidado com as coisas que dizemos... Não é verdade que para ser livre a gente tem que falar tudo que vem à cabeça. Livre é quem é "senhor" de tudo aquilo que fala!

Já conheceu aquela pessoa que sempre tem a palavra certa para a hora certa, que sabe a hora justa de dizer as coisas que você há muito precisava ouvir? Pois bem. Pessoas assim são pérolas preciosas! Mais. Para mim, são verdadeiros sinais de Deus.

Peço sempre essa graça a Deus: que minhas palavras portem o bem. Mas peço também uma graça ainda maior, aquela que me ajuda a calar quando não tenho nada de bom para dizer. Realemente é de Deus a palavra que encontramos na carta de São Tiago: "se alguém não tropeça quando fala, esse é um homem perfeito, capaz de dominar o corpo todo." (Tiago 3, 2b)

Bem, o que já foi dito, é passado.
O que importa é que o temos ainda a dizer.
Vamos tentar começar bem?
Começo eu: Deus te abençoe!

Com afeto salesiano,
P. Mauricio Miranda.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Fala, Senhor, o teu servo escuta! (1 Sm 3,10)


Talvez você já tenha se perguntado sobre como se tornar uma pessoa de oração. Na verdade, isso não é uma tarefa tão difícil quanto parece. O problema é, que muitas vezes, porque observamos o testemunho dos grandes homens e mulheres de oração, achamos que estamos muito distantes de ser como eles. Porém, esquecemos que também aqueles que hoje são nossos modelos, começaram dando seus primeiros passos.

A oração é um diálogo simples e afetuoso com Deus. Num diálogo, um escuta e o outro fala e depois invertem-se os papéis. Daí a primeira lição: precisamos aprender a escutar e a falar. O processo é semelhante ao que acontece conosco quando ainda somos crianças. Ouvimos nossos pais nos ensinando e tentamos, de certa forma, reproduzir aquilo que escutamos; as primeiras palavras saem quase incompreensíveis, mas com o passar do tempo vamos aprendendo a nos comunicar melhor...

Dê um primeiro passo hoje. Procure escutar o Senhor que fala. Lembre-se que ninguém consegue escutar se não faz um pouco de silêncio. Silencie por alguns minutos. Não é difícil. Poucos minutos por dia são suficientes para exercitar os ouvidos e o coração. O que realmente importa é aquela disposição interior que vemos presente no coração do jovem da Sagrada Escritura: "Fala, Senhor, o teu servo escuta!" (1 Sm 3, 10)

Vamos tentar hoje?

Com afeto salesiano,
P. Mauricio Miranda.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Abrace a chance de cada dia!


O salmista afirma, num profundo gesto de reconhecimento, que "Deus não nos trata segundo os nossos pecados e não nos retribui segundo as nossas faltas" (Sl 103, 10). Essa é a mais pura verdade! Nós a confirmamos com a nossa própria vida!

Quem de nós, diante da vergonha de suas más ações, alguma vez não se sentiu merecedor de algum castigo ou indigno de ser aceito e amado pelos outros? De fato, infelizmente, é assim que, muitas vezes, os outros nos tratam quando erramos.

Porém, com Deus tudo é muito diferente. Se é possível tirar algum proveito do pecado que cometemos, podemos dizer que o único é o de descobrir, em cada situação, o rosto misericordioso de um Deus que não nos trata segundo as nossas faltas.

As dores que sofremos são, muitas vezes, conseqüências de nossas más escolhas. Deus, no entanto, continua nos amando, mesmo na dor. E, enquanto nos ajuda a crescer com nossos erros, prossegue nos dando sempre uma nova chance.

A vida é uma grande chance de Deus que se renova a cada dia.
Abrace a chance de hoje!
E que Deus abençoe suas escolhas!

Com afeto salesiano,
P. Mauricio Miranda.